Balada da praia dos cães - José Cardoso Pires

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Balada da praia dos cães - José Cardoso Pires

Postby pageHunter » 17 Jul 2010 12:05

Image

«Viu no fundo duma cova uma conspiração de cães à volta do cadáver dum homem; alguns saltaram para o lado assim que ele apareceu mas logo retomaram a presa; outros nem isso, estavam tão apostados na sua tarefa que se abocanhavam entre eles por cima do corpo do morto.»

É um livro policial que se passa em Portugal na década de 60, em pleno Salazarismo. É encontrado um cadáver na praia, desenterrado por cães famintos, e o livro acompanha o chefe Elias na investigação policial.

Achei interessante a fórmula utilizada por José Cardoso Pires, nomeadamente a parte de ele fundir no texto o desenrolar das acções com a imaginação do chefe Elias a reconstituir as circunstâncias em que ocorreu o crime, assim como os autos da polícia judiciária sobre os factos. A principal motivação do livro é, depois de descobrir o corpo na praia dos cães, ir aos poucos fazendo a reconstituição dos factos até chegarmos ao cadáver que nos é apresentado no início.

Em termos de trama acho o livro um bocado fraquinho. É uma investigação policial "à portuguesa", isto é, devagar, devagarinho ^_^
Nesta história não existiu nenhum twist nem nenhuma revelação que me surpreendesse. Os ingredientes para este crime estavam lá todos desde o início, e durante todo o livro apenas nos foi apresentada, sem pressas, a receita que os misturou até ao prato final.

No entanto o livro tem outras características que conseguem colmatar, a meu ver, a falta de animosidade da história. A escrita de José Cardoso Pires é de facto "deliciosa" e é esse o principal causador da necessidade de ler mais e mais até ao fim. O retrato português da década de 60 também foi mais uma "pitada de sal" para o livro.

Este foi o primeiro livro que li de José Cardoso Pires, mas comprei também o Delfim que quero ver se leio um dia destes.

Este livro vale para mim um 6/10. :tu:
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Samwise » 19 Jul 2010 16:51

pageHunter wrote:Achei interessante a fórmula utilizada por José Cardoso Pires, nomeadamente a parte de ele fundir no texto o desenrolar das acções com a imaginação do chefe Elias a reconstituir as circunstâncias em que ocorreu o crime, assim como os autos da polícia judiciária sobre os factos.


São uma imagem de marca do autor, as transições suaves entre imaginação e realidade, entre passado e presente. Para além do artifício puramente literário - e que é uma delícia -, em quase todas as obras que li dele há uma fundamentação cronologicamente relevante, fundada num passado desconhecido, que aos poucos vai sendo revelado, que é essencial para compreender o presente. Como por acaso este livro trata de um mistério de contornos criminais, estão as mãos dadas entre o material e o narrador.

A principal motivação do livro é, depois de descobrir o corpo na praia dos cães, ir aos poucos fazendo a reconstituição dos factos até chegarmos ao cadáver que nos é apresentado no início.


Não sei se é a principal motivação - a meu ver não é. Isto é antes o rumo que é seguido, não a motivação.

Em termos de trama acho o livro um bocado fraquinho. É uma investigação policial "à portuguesa", isto é, devagar, devagarinho ^_^
Nesta história não existiu nenhum twist nem nenhuma revelação que me surpreendesse. Os ingredientes para este crime estavam lá todos desde o início, e durante todo o livro apenas nos foi apresentada, sem pressas, a receita que os misturou até ao prato final.


De referir que o livro é uma "ficcionalização" de um caso real, que de facto o crime ocorreu e que o inspector Elias, o investigador apontado para o caso, também existiu. Atrevo-me a dizer que a cadência da realidade terá sido ainda mais lenta que a narração que dela é feita no livro... :mrgreen:

No entanto o livro tem outras características que conseguem colmatar, a meu ver, a falta de animosidade da história. A escrita de José Cardoso Pires é de facto "deliciosa" e é esse o principal causador da necessidade de ler mais e mais até ao fim. O retrato português da década de 60 também foi mais uma "pitada de sal" para o livro.


Dos que li do Cardoso Pires, este é meu favorito. É neste que essa escrita maravilhosa que mencionas casa melhor com a história que conta. Para mim é um 10 seguro. Mas tenho reparado que todas as pessoas a quem o tenho recomendado acabam por não gostar tanto quanto eu.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Bugman » 19 Jul 2010 17:52

Já li há uns anitos, mas é também o meu preferido. Não concordo quando dizes que não falta animosidade à história. É um caso real, o próprio personagem é real e dificilmente o relato será real. JCP tem o condão de nos trazer um Portugal não muito distante, mas que nos parece a anos luz do que somos. Neste caso uma investigação policial, onde somos confrontados com o trabalho da Judiciária a investigar acções que aparentam ser de outra polícia.

Se a memória não me engana...
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby pageHunter » 19 Jul 2010 22:15

Samwise wrote:
pageHunter wrote:Achei interessante a fórmula utilizada por José Cardoso Pires, nomeadamente a parte de ele fundir no texto o desenrolar das acções com a imaginação do chefe Elias a reconstituir as circunstâncias em que ocorreu o crime, assim como os autos da polícia judiciária sobre os factos.


São uma imagem de marca do autor, as transições suaves entre imaginação e realidade, entre passado e presente. Para além do artifício puramente literário - e que é uma delícia -, em quase todas as obras que li dele há uma fundamentação cronologicamente relevante, fundada num passado desconhecido, que aos poucos vai sendo revelado, que é essencial para compreender o presente. Como por acaso este livro trata de um mistério de contornos criminais, estão as mãos dadas entre o material e o narrador.


Também adquiri recentemente o Delfim, portanto e pelo que dizes fico já com uma ideia do estilo com que a história irá ser apresentada. Isto porque no Balada da Praia dos Cães confesso que me senti um bocado perdido enquanto não me apercebi da fórmula utilizada pelo autor para misturar realidade e imaginação. Depois de adaptado à fórmula acho que trouxe uma animosidade extra :tu:

Samwise wrote:
pageHunter wrote:A principal motivação do livro é, depois de descobrir o corpo na praia dos cães, ir aos poucos fazendo a reconstituição dos factos até chegarmos ao cadáver que nos é apresentado no início.


Não sei se é a principal motivação - a meu ver não é. Isto é antes o rumo que é seguido, não a motivação.

Well... Agora vais ter de me dizer qual é na tua opinião a principal motivação. Qual é? :pipoca:
Samwise wrote:
pageHunter wrote:Em termos de trama acho o livro um bocado fraquinho. É uma investigação policial "à portuguesa", isto é, devagar, devagarinho ^_^
Nesta história não existiu nenhum twist nem nenhuma revelação que me surpreendesse. Os ingredientes para este crime estavam lá todos desde o início, e durante todo o livro apenas nos foi apresentada, sem pressas, a receita que os misturou até ao prato final.


De referir que o livro é uma "ficcionalização" de um caso real, que de facto o crime ocorreu e que o inspector Elias, o investigador apontado para o caso, também existiu. Atrevo-me a dizer que a cadência da realidade terá sido ainda mais lenta que a narração que dela é feita no livro... :mrgreen:


Olha não sabia deste pormenor! :tu: O facto de ser baseado numa história verídica dá sempre outro sabor ao livro, foi pena não saber isso antes de ler o livro.


Samwise wrote:
pageHunter wrote:No entanto o livro tem outras características que conseguem colmatar, a meu ver, a falta de animosidade da história. A escrita de José Cardoso Pires é de facto "deliciosa" e é esse o principal causador da necessidade de ler mais e mais até ao fim. O retrato português da década de 60 também foi mais uma "pitada de sal" para o livro.


Dos que li do Cardoso Pires, este é meu favorito. É neste que essa escrita maravilhosa que mencionas casa melhor com a história que conta. Para mim é um 10 seguro. Mas tenho reparado que todas as pessoas a quem o tenho recomendado acabam por não gostar tanto quanto eu.


Bem, os gostos são sempre subjectivos.

Ainda estive tentado a classificar este livro com um 7/10, mas tive de baixar para 6 porque tinha atribuído um 7 a alguns livros no meu entender melhores que este. Este livro foi uma leitura muito agradável, mas falta-lhe algo que me faça lembrar dele daqui a uns meses, um personagem diferente ou um trama rico, original e recheado de reviravoltas, como têm por exemplo os livros do King ou, aqueles que tenho lido mais recentemente, do Larsson.

Para mim o livro perfeito tem uma linguagem rica e harmoniosa, tem personagens diferentes ou com os quais nos identificamos, tem um trama original, inteligente e de preferência surpreendente e tem uma fórmula que nos transporte para dentro da história e das personagens. Eu não sou adepto de nenhum género em particular, gosto de todos, mas estes ingredientes são para mim indispensáveis em qualquer livro. No caso deste livro a linguagem, e relativamente aos pré-requisitos do livro ideal que acabo de enumerar, a linguagem é certamente, e na minha opinião, um grande ponto positivo; no entanto considero as personagens e o trama banais.
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Samwise » 19 Jul 2010 23:06

pageHunter wrote:
Samwise wrote:
pageHunter wrote:Achei interessante a fórmula utilizada por José Cardoso Pires, nomeadamente a parte de ele fundir no texto o desenrolar das acções com a imaginação do chefe Elias a reconstituir as circunstâncias em que ocorreu o crime, assim como os autos da polícia judiciária sobre os factos.


São uma imagem de marca do autor, as transições suaves entre imaginação e realidade, entre passado e presente. Para além do artifício puramente literário - e que é uma delícia -, em quase todas as obras que li dele há uma fundamentação cronologicamente relevante, fundada num passado desconhecido, que aos poucos vai sendo revelado, que é essencial para compreender o presente. Como por acaso este livro trata de um mistério de contornos criminais, estão as mãos dadas entre o material e o narrador.


Também adquiri recentemente O Delfim, portanto e pelo que dizes fico já com uma ideia do estilo com que a história irá ser apresentada. Isto porque no Balada da Praia dos Cães confesso que me senti um bocado perdido enquanto não me apercebi da fórmula utilizada pelo autor para misturar realidade e imaginação. Depois de adaptado à fórmula acho que trouxe uma animosidade extra :tu:



Ah, pois, O Delfim... sendo a fórmula mencionada bastante semelhante, o estilo literário é mais denso, intrincado, lento, e sobretudo errático; não tem a desenvoltura corrida da Balada... é um livro muito diferente.

Samwise wrote:
pageHunter wrote:A principal motivação do livro é, depois de descobrir o corpo na praia dos cães, ir aos poucos fazendo a reconstituição dos factos até chegarmos ao cadáver que nos é apresentado no início.


Não sei se é a principal motivação - a meu ver não é. Isto é antes o rumo que é seguido, não a motivação.



Well... Agora vais ter de me dizer qual é na tua opinião a principal motivação. Qual é? :pipoca:


Bom, no que toca às histórias, as duas grandes motivações que apanhei até agora nos livros dele, e excluindo o De Profundis, são a exploração do fascínio das personagens pelas relações humanas, com destaque para o amor e para o sexo (e para as particularidade do corpo humano), e relevância do retrato político-social para a narrativa em que a intriga está situada.

Samwise wrote:
pageHunter wrote:Em termos de trama acho o livro um bocado fraquinho. É uma investigação policial "à portuguesa", isto é, devagar, devagarinho ^_^
Nesta história não existiu nenhum twist nem nenhuma revelação que me surpreendesse. Os ingredientes para este crime estavam lá todos desde o início, e durante todo o livro apenas nos foi apresentada, sem pressas, a receita que os misturou até ao prato final.


De referir que o livro é uma "ficcionalização" de um caso real, que de facto o crime ocorreu e que o inspector Elias, o investigador apontado para o caso, também existiu. Atrevo-me a dizer que a cadência da realidade terá sido ainda mais lenta que a narração que dela é feita no livro... :mrgreen:


Olha não sabia deste pormenor! :tu: O facto de ser baseado numa história verídica dá sempre outro sabor ao livro, foi pena não saber isso antes de ler o livro.


Antes de ler, só saberias se tivesses ido pesquisar à net, ou se alguém te tivesse contado. No final da edição que tenho, há uma pequena nota explicativa sobre o assunto, escrita pelo punho do autor.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

Pedro Farinha
Edição Única
Posts: 3298
Joined: 03 Apr 2005 00:07
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Pedro Farinha » 19 Jul 2010 23:21

Um pouco em off-topic esta conversa fez-me pensar em algo: o facto de haver uma base verídica altera a forma como apreciam um livro ?

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Samwise » 19 Jul 2010 23:28

Pedro Farinha wrote:Um pouco em off-topic esta conversa fez-me pensar em algo: o facto de haver uma base verídica altera a forma como apreciam um livro ?


Altera a forma como interiorizo o que nele está escrito, mas não altera o prazer ou o desprazer que retiro da leitura.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

Pedro Farinha
Edição Única
Posts: 3298
Joined: 03 Apr 2005 00:07
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Pedro Farinha » 19 Jul 2010 23:31

Para mim é indiferente a história ser verídica ou não, em termos literários, claro que quando falamos em aprendizagem histórica ou humana, por exemplo, podemos retirar de forma diferente o conteúdo de uma história verídica. Mas como diz o Inimigo Público, se não aconteceu podia ter acontecido, e por isso, em muita ficção pura, retiramos à mesma conhecimentos históricos, da forma como funcionam as pessoas ou qualquer outra informação.

User avatar
pco69
Cópia & Cola
Posts: 5488
Joined: 29 Apr 2005 23:13
Location: Fernão Ferro
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby pco69 » 20 Jul 2010 08:37

Pedro Farinha wrote:Um pouco em off-topic esta conversa fez-me pensar em algo: o facto de haver uma base verídica altera a forma como apreciam um livro ?


Continuando em OffTopic e respondendo à pergunta, sim!

Há pouco li uma entrada num tópico onde um de vocês (creio que foi o Sam ) referia que gostava mais de um livro bem escrito, mesmo que o conteúdo fosse fraco, do que um com conteúdo forte mas mal escrito.

Não concordo com isso, mas não é isso que estou agora aqui a referir. Isto serve mesmo só para dizer que ter uma história verídica por trás e partindo do principio que o livro está bem escrito e tem palavras bonitas :devil:, a sua apreciação por mim, é claramente superior a se for uma história inventada.

Tenho dois exemplos; O Primeiro Homem de Roma da Coleen McCulhough, que romanceia o nascimento do Império Romano e 'Uma Estranha Forma de Vida' de Carlos Ademar que romanceia o caso Passerelle (que creio que ainda está em julgamento :pipoca: ).
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby pageHunter » 20 Jul 2010 09:14

Pedro Farinha wrote:Um pouco em off-topic esta conversa fez-me pensar em algo: o facto de haver uma base verídica altera a forma como apreciam um livro ?

Embora não ache que seja a postura mais "politicamente correcta" tenho de admitir que uma história verídica tem outra apreciação da minha parte. Em termos de ficção já não me surpreendem histórias com as coisas mais imprevisíveis ou extraordinários. No entanto, ao ler uma história baseada em factos verídicos existe sempre uma emoção e um interesse extra, quanto mais não seja a tentar encontrar a fronteira entre o real e a ficção.
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Bugman » 20 Jul 2010 09:38

Bom o Delfim é não só mais intrincado como ainda corres o risco de mais facilmente te perderes entre o Engenheiro e (hum, paremos por aqui! :P )

Acho que o facto de sabermos que um livro é baseado em factos reais acaba por mexer connosco. Não sei bem de que forma, mas se a mente humana fosse insensível a esse facto, de certeza que não havia muito filme e muito livro publicitado como "baseado em factos reais". Certo?
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby pageHunter » 20 Jul 2010 10:11

Bugman wrote:Bom o Delfim é não só mais intrincado como ainda corres o risco de mais facilmente te perderes entre o Engenheiro e (hum, paremos por aqui! :P )

Acho que o facto de sabermos que um livro é baseado em factos reais acaba por mexer connosco. Não sei bem de que forma, mas se a mente humana fosse insensível a esse facto, de certeza que não havia muito filme e muito livro publicitado como "baseado em factos reais". Certo?


É verdade. Acho que faz parte mesmo do nosso subconsciente :mrgreen:
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

User avatar
annawen
Livro Raro
Posts: 1953
Joined: 18 Jan 2006 11:34
Location: Gaia
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby annawen » 20 Jul 2010 10:13

Pedro Farinha wrote:Um pouco em off-topic esta conversa fez-me pensar em algo: o facto de haver uma base verídica altera a forma como apreciam um livro ?


No meu caso não.

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Balada da praia dos cães - J.C.P.

Postby Samwise » 20 Jul 2010 11:25

Voltando ao tópico, este livro, por coincidência, também foi o primeiro que li do autor, e partilho com o pageHunter a estranheza do choque inicial com a prosa. Lembro-me perfeitamente daquele frio relatório de autópsia que inicia o livro, das cinco ou seis vezes que o li de seguida, sempre a achar que aquela escrita era algo de alguma forma desajustado da expectativa que tinha criado, sempre com medo de ser aquilo o resto do livro, e depois de ter levado de chapa com uma das tais transições características entre a realidade e a fantasia e de ter ficado a pensar: "isto não é normal!" - e toca de ler outra vez aquilo tudo para confirmar que não estava a fazer confusão, e que estava na presença de uma marca forte da personalidade da escrita... e foi por aí que me agarrou, com bastante força.

Não me lembro se transcrevi aqui para o BBdE essa parte ou não, mas vou à procura...
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -


Return to “Autores P - T”




  Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 1 guest

cron