Once Upon a Time in America...

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Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 12 Feb 2010 03:30

... cortado às fatias.

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"Noodles"
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"Max"
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"Patsy"
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"Cockeye"
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Deborah
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Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Thanatos » 12 Feb 2010 10:05

Este foi o filme em que me apaixonei pela Jennifer. Durante meses não conseguia tirar a carinha de anjo dela da cabeça.

Isso e a música do Morricone com aquela flauta do Zamfir. Cheguei a ter a banda sonora duas vezes; uma edição vulgar e uma reedição especial.

Isto além do DVD que ando há meses a chagar o Samwise para ouvir o comentário do Schickel mas que ele não me liga nenhuma. Gosta, gosta mas não vai ao fundo dos assuntos. :devil:

Hoje em dia o filme já não me marca tanto. Tem problemas estruturais entre o segundo e terceiro acto, nomeadamente no pacing que se arrasta desnecessariamente e algumas opções de editing deixam algo a desejar. Isto servido por uma cinematografia que oscila entre o etéreo e o invisível (demasiado escuro). Já para não dizer que alguém telefone inicial tira a paciência a qualquer um.

Mas isso são picuinhices.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 12 Feb 2010 11:30

Thanatos wrote:Isto além do DVD que ando há meses a chagar o Samwise para ouvir o comentário do Schickel mas que ele não me liga nenhuma. Gosta, gosta mas não vai ao fundo dos assuntos. :devil:


I'll do that, eventually...

Digamos que chegar ao fundo analítico deste assunto não é algo que me deixe impaciente.

Ouvir os comentários áudio de filmes que vêm no DVD nunca me chamou muito, mas é curioso que o único que tenha ouvido até ao fim pertença a outra obra do Leone, o The Good, the Bad and the Ugly...

Hoje em dia o filme já não me marca tanto. Tem problemas estruturais entre o segundo e terceiro acto, nomeadamente no pacing que se arrasta desnecessariamente e algumas opções de editing deixam algo a desejar. Isto servido por uma cinematografia que oscila entre o etéreo e o invisível (demasiado escuro). Já para não dizer que alguém telefone inicial tira a paciência a qualquer um.
Mas isso são picuinhices.


Destas picuinhices que descreves, nenhuma me causa particular transtorno. A cinematografia "oscilante" e o pacing não considero defeitos, e o telefone só me irritou mesmo a primeira vez que vi o filme ("mas aquela porcaria nunca mais para de tocar?"); neste momento olho para esse efeito como uma brilhante utilização de raccord: é um som que trespassa o tempo e o espaço, e que deixa uma grande interrogação em suspenso...

Queres saber das minhas picuinhices? Tenho duas: a interpretação do tipo que faz de Moe (um tal de Larry Rapp), que é a única mancha num elenco em estado de graça, e a inverosimilhança numa curva particular do argumento: era impossível que esse mesmo Moe, e também Noodles, não soubessem quem era o Senador Bailey. Como é que alguém que se quer esconder do mundo concorre a um cargo político de elevada importância?
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 13 Feb 2010 23:43

Alguns trechos da Banda Sonora. Pelo menos a segunda melodia já a ouviram em qualquer lado...





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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 03 Mar 2010 14:22

Robert De Niro fala de Once Upon a Time in America e de Sergio Leone:

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Re: Once Upon a Time in America...

Postby grayfox » 12 Mar 2010 16:03

Terminei de ver este filme há dois dias e gostei muito. Gostei da calma com que foi filmado, sem ter as cenas sempre cheias de acontecimentos a inundar o meu pobre cérebro. Este filme deixou-me relaxar, ver e reflectir sobre a vida do Noodles enquanto via o filme.

Gosto muito de filmes que retratam o percurso de uma vida, especialmente aqueles que mostram uma angústia ou um caminho que poderia ter sido percorrido (ficar com a Deborah) e não foi, e anos mais tarde é mostrada a vida amargurada das pessoas.

Gosto de outra coisa em filmes que é a ambiguidade, não uma ambiguidade deixada por incompetencia do argumento, mas sim uma ambiguidade propositada, tal como, por exemplo acontece no Total Recall. Li umas teorias na internet inquietantes...

Em relação a coisas mais concretas:

- Concordo com os dois em relação á cena do telefone a tocar, já me estava a irritar de sobremaneira, mas depois de ver a importância que esse telefonema tem na narrativa do filme compreendi a tal ponte imaginária entre o inicio e o final do filme. Acho que é impossível quando ouvimos o telefone tocar perto do final não associar ao inicio do filme, depois de umas 3h de filme foi uma boa maneira de garantir que o espectador se lembrava :)

- Em relação ao "twist", ou ao facto de Max estar vivo fiquei com muitas dúvidas: ele refere qualquer coisa como "fiquei com o teu dinheiro, fiquei com a tua miúda", isso quer dizer que ele tinha uma relação com a Deborah? E em relação á noite em que supostamente morreu, ele já tinha planeado tudo? Como sabia que o Noodles os ia denunciar? E deixou os amigos morrer? O plano de assaltar o Federal Bank não passava afinal de uma desculpa para desaparecer? O plano era ele desaparecer e surgir como uma outra pessoa, ou forçar o Noodles a desaparecer, para finalmente se livrar dele como várias vezes disse querer e poder prosseguir com os negócios que Noodles não desejava?

- Mas que raio significa a cena do camião do lixo?

- A questão de o Max desaparecer como uma figura publica é obvia, mas tenho outras dúvidas. Que idade tinha o Noodles quando foi preso? Não conheço o código penal americano da altura, mas uma crianla levar 12 anos parece-me exagerado. E só passaram 12 anos? Olhando para os actores eu dira no mínimo 20! E em 12 anos a aliança entre os outros 3 manteve-se perfeita, toda a gente continua no mesmo sitio? quer dizer, entre os meus 12 e os 24, tirando a minha familia pouca gente continuou a fazer parte do meu dia-a-dia, as pessoas crescem, conhecem outras pessoas, outros interesses etc etc, mas também não quero julgar todos pela minha bitola.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 12 Mar 2010 17:18

grayfox wrote:Terminei de ver este filme há dois dias e gostei muito. Gostei da calma com que foi filmado, sem ter as cenas sempre cheias de acontecimentos a inundar o meu pobre cérebro. Este filme deixou-me relaxar, ver e reflectir sobre a vida do Noodles enquanto via o filme.


Há coisas no estilo do Leone que são inconfundíveis e que vêm de arrasto dos seus filmes anteriores - dos western spaghetti que filmou. A lenta progressão da narrativa, os flashbacks que vão revelando aos poucos as razões dos personagens (quem se lembra de Once Upon a Time in the West e das recordações do Harmonica?), os grandes planos dos rostos (rostos que não revelam nada só por si, mas que revelam tudo quando sabemos dos percurso de vida que os acompanham - e aqui volto a evocar a sequência sublime da Deborah a retirar a maquilhagem), a alternância entre esses rostos que enchem o ecrã e os cenários do meio que os integra - a associação entre o particular e o colectivo, e a música de Ennio Morricone a pautar os movimentações da câmara e a dar-lhes expressão através dos sentimentos das personagens.

É tudo como um grande bailado panorâmico da vida, operático e trágico.

Gosto muito de filmes que retratam o percurso de uma vida, especialmente aqueles que mostram uma angústia ou um caminho que poderia ter sido percorrido (ficar com a Deborah) e não foi, e anos mais tarde é mostrada a vida amargurada das pessoas.


Nostalgia. O sentimento que domina o filme é a nostalgia. A música dá uma grande ajuda ao estabelecimento do ambiente e das emoções. E aqui entra outro pormenor: não há filme que mostre mão mais firme sobre as emoções vazias e sobre a lamechice. Neste aspecto é absolutamente seguro e impiedoso. Cada personagem segue até ao fim as escolhas que faz sem lamentos nem protestos - mesmo que as memórias das más escolhas sejam dilacerantes - se tivessem de voltar a passar pelas mesmas situações, seguramente voltariam a tomas as mesmas atitudes.

- Concordo com os dois em relação á cena do telefone a tocar, já me estava a irritar de sobremaneira, mas depois de ver a importância que esse telefonema tem na narrativa do filme compreendi a tal ponte imaginária entre o inicio e o final do filme. Acho que é impossível quando ouvimos o telefone tocar perto do final não associar ao inicio do filme, depois de umas 3h de filme foi uma boa maneira de garantir que o espectador se lembrava :)


Quite so.

- Em relação ao "twist", ou ao facto de Max estar vivo fiquei com muitas dúvidas: ele refere qualquer coisa como "fiquei com o teu dinheiro, fiquei com a tua miúda", isso quer dizer que ele tinha uma relação com a Deborah? E em relação á noite em que supostamente morreu, ele já tinha planeado tudo? Como sabia que o Noodles os ia denunciar? E deixou os amigos morrer? O plano de assaltar o Federal Bank não passava afinal de uma desculpa para desaparecer? O plano era ele desaparecer e surgir como uma outra pessoa, ou forçar o Noodles a desaparecer, para finalmente se livrar dele como várias vezes disse querer e poder prosseguir com os negócios que Noodles não desejava?


Spoiler! :
O Max, na altura em que traiu o Noodles, não tinha uma relação com a Debora, tanto que andava com a outra maluca do "hit me!", a Carol. A relação com a Deborah veio mais tarde. Há uma sequência, passada na velhice dos protagonistas, em que Noodles pergunta à Carol se conhece a mulher que está no quadro (a Deborah) e ela diz-lhe que não. "Acho que era uma actriz famosa na altura, mas não sei o nome."

O Max não sabia que o Noodles os ia denunciar, mas o plano estava montado, com ou sem esse pormenor. No final dessa noite, apenas ele estaria vivo. Não deixou os amigos morrer, fez antes para que morressem. Se te lembrares dos instantes que precedem o telefonema do Noodles, durante a celebração do fim da lei-seca, a forma como ele se abraça aos outros dois é especial. É uma despedida. Só que nessa altura ainda não sabes o que se vai passar e o pormenor escapa um pouco.
O plano era matar os três amigos, fingir a própria morte e ficar com o dinheiro. O resto viria com o passar tempo.
Porque é que ele planeou as coisas dessa forma? Porque tinha uma ambição que os outros não tinham e sentia-se preso. Desde o início que ele queria sair do ambiente das ruas - o tal que o Noodles adorava ("I like the stink of the streets. It opens up my lungs!") - e há pelo menos duas sequências em que o vês a lustrar os sapatos com um lenço. A amizade que os unia aos quatro condicionava a ambição de Max.


- Mas que raio significa a cena do camião do lixo?


Foi o veículo de escape do "Senador Bailey" - estava preparado e a aguardar o desfecho da conversa. Poderá ter outros significados, mas não sei quais são.

- A questão de o Max desaparecer como uma figura publica é obvia, mas tenho outras dúvidas. Que idade tinha o Noodles quando foi preso? Não conheço o código penal americano da altura, mas uma crianla levar 12 anos parece-me exagerado. E só passaram 12 anos? Olhando para os actores eu dira no mínimo 20! E em 12 anos a aliança entre os outros 3 manteve-se perfeita, toda a gente continua no mesmo sitio? quer dizer, entre os meus 12 e os 24, tirando a minha familia pouca gente continuou a fazer parte do meu dia-a-dia, as pessoas crescem, conhecem outras pessoas, outros interesses etc etc, mas também não quero julgar todos pela minha bitola.


12 anos por dois homicídios, um deles o de um polícia. Mesmo assim, a pena deverá ter tido atenuantes, precisamente por se tratar de um miúdo.

Nesses vinte anos, as coisas evoluíram da maneira que está narrada. Não vejo grandes questões aí.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 12 Mar 2010 23:13

grayfox wrote:Gosto de outra coisa em filmes que é a ambiguidade, não uma ambiguidade deixada por incompetencia do argumento, mas sim uma ambiguidade propositada, tal como, por exemplo acontece no Total Recall. Li umas teorias na internet inquietantes...


O que achaste da teoria da alucinação provocada pelo ópio?

Terá o "futuro" todo ter ocorrido apenas na mente de Noodles, "under influence"?
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby João Arctico » 12 Mar 2010 23:39

Samwise wrote:Nostalgia. O sentimento que domina o filme é a nostalgia.

Esse é o sentimento que domina o filme, sem dúvida. Mas se eu pudesse resumir o filme numa só palavra escolheria: amizade.
E com a mesma palavra definiria outros filmes como: "Stand by me", "O Senhor dos Anéis", "O Feiticeiro de Oz".
Mas para mim o "Once Upon a Time in America" continua a ser "o" filme. Aquele que mais gosto. Fui vê-lo ao cinema Berna: duas horas e meia a primeira parte e uma hora e quinze a segunda, salvo erro :P
Sam, parabéns por este post e pelas suas excelentes actualizações. :bow:
Está fantástico.
"É isto o que, de todo em todo, pretendia o autor? Não sei; é a opinião do leitor que eu dou." Jean-Paul Sartre
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Thanatos » 12 Mar 2010 23:47

Salvo erro eu vi-o no defunto Alvalade. Das coisas que mais pena tenho uma é a «morte» dos antigos cinemas da Capital.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby João Arctico » 12 Mar 2010 23:57

Thanatos wrote:Salvo erro eu vi-o no defunto Alvalade. Das coisas que mais pena tenho uma é a «morte» dos antigos cinemas da Capital.

Concordo plenamente. Ainda esta semana foi tema de conversa à hora do almoço: Éden, Roma, Alvalade, Monumental, Império, S. Jorge, Tivoli... recordo-me do Battlestar Galactica (episódio piloto) com sensurround no Tivoli :)
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Thanatos » 13 Mar 2010 00:03

Sétima Arte, Alfas, Europa, Condes... the list goes on. Eu vi com sensarround o Galactica no Europa, ali para os lados de Campolide. ;)

E no Apolo 70 e no Nimas vi muitos dos filmes da minha vida. Um deles o Dersu Uzala do Kurosawa.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Samwise » 13 Mar 2010 13:34

João Arctico wrote:
Samwise wrote:Nostalgia. O sentimento que domina o filme é a nostalgia.

Esse é o sentimento que domina o filme, sem dúvida. Mas se eu pudesse resumir o filme numa só palavra escolheria: amizade.


Não tenho por onde discordar. O filme é tanta coisa junta - e de forma tão intensa - que se torna quase impossível destacar uma.

Mas para mim o "Once Upon a Time in America" continua a ser "o" filme. Aquele que mais gosto. Fui vê-lo ao cinema Berna: duas horas e meia a primeira parte e uma hora e quinze a segunda, salvo erro :P


Deixo-te o que escrevi no outro tópico ("Qual foi o último filme que viste..."):

Tal como planeado, vi o Once Upon a Time in America na tela da Cinemateca.

É o filme da minha vida e foi a sessão de minha vida. Emoções sobre emoções sobre emoções. Eis um monumento que já vi umas 10 vezes, e que desta feita voltou a sair incólume aos meus olhos em termos de frescura e deslumbramento. Vi-o como se fosse a primeira vez e senti-o como se fosse a primeira vez, com um sorriso nos lábios e uma lágrima nos olhos.

Não encontro melhor exemplo de "nostalgia" filmada para cinema - é um filme sobre a vida, sobre o tempo, sobre a amizade, e sobre o efeito das escolhas erradas. É também um hino esplendoroso e minucioso à arte de fazer cinema, com uma montagem feita de sequências alternadas no tempo que baralham e jogam com os conceitos de recordações, sonhos e ilusões. É também fabulosa a mise em scène, a apontar constantemente para inúmeros sentidos metafóricos (o mais belo dos quais será o plano em que Deborah, ao espelho, retirar a máscara do rosto, que fica esborratado no final, enquanto vai respondendo a Noodles e fio do novelo do passado se vai soltando...), e os raccords que unem as diversas sequências entre si, plenos de evocação temporal.

Foi um filme que demorou tempo demasiado a fazer (consta que foram 10 anos de produção) mas que acabou por saiu perfeito em todos os aspectos - uma conjugação de valores que valem muito individualmente e que elevam o colectivo para um plano superior: o todo ainda é melhor que a soma das partes. Aquele música fantástica de Ennio Morricone tem mais ressonância, mais profundidade, quando ouvida contra as imagens em que se insere, por exemplo, e o trabalho dos actores, considerando as exigências do filme, saiu largamente compensado - os jovens são autênticas encarnações dos seus "seres" mais velhos.
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby João Arctico » 13 Mar 2010 15:04

Samwise wrote:Tal como planeado, vi o Once Upon a Time in America na tela da Cinemateca.

É o filme da minha vida e foi a sessão de minha vida. Emoções sobre emoções sobre emoções. Eis um monumento que já vi umas 10 vezes, e que desta feita voltou a sair incólume aos meus olhos em termos de frescura e deslumbramento. Vi-o como se fosse a primeira vez e senti-o como se fosse a primeira vez, com um sorriso nos lábios e uma lágrima nos olhos.

Não encontro melhor exemplo de "nostalgia" filmada para cinema - é um filme sobre a vida, sobre o tempo, sobre a amizade, e sobre o efeito das escolhas erradas. É também um hino esplendoroso e minucioso à arte de fazer cinema, com uma montagem feita de sequências alternadas no tempo que baralham e jogam com os conceitos de recordações, sonhos e ilusões. É também fabulosa a mise em scène, a apontar constantemente para inúmeros sentidos metafóricos (o mais belo dos quais será o plano em que Deborah, ao espelho, retirar a máscara do rosto, que fica esborratado no final, enquanto vai respondendo a Noodles e fio do novelo do passado se vai soltando...), e os raccords que unem as diversas sequências entre si, plenos de evocação temporal.

Foi um filme que demorou tempo demasiado a fazer (consta que foram 10 anos de produção) mas que acabou por saiu perfeito em todos os aspectos - uma conjugação de valores que valem muito individualmente e que elevam o colectivo para um plano superior: o todo ainda é melhor que a soma das partes. Aquele música fantástica de Ennio Morricone tem mais ressonância, mais profundidade, quando ouvida contra as imagens em que se insere, por exemplo, e o trabalho dos actores, considerando as exigências do filme, saiu largamente compensado - os jovens são autênticas encarnações dos seus "seres" mais velhos.

:bow: sublinho e subscrevo totalmente. Excelente descrição :bow:
Eu vi-o uma 3 vezes. Este post deu-me vontade de vê-lo de novo; talvez nas férias da Páscoa. Tenho que ter tempo e clima para ver o filme porque é um cerimonial que não dispenso (entrar "no filme" e aperceber-me dos pormenores). :)
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Re: Once Upon a Time in America...

Postby Dandelion » 13 Mar 2010 23:29

Só espero que algum dia saia a tal versão original... :unsure: Quase 6 horas. :o


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