Bride of Frankenstein

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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 00:55

Anibunny wrote:meteu-me confusão a personagem do Frankenstein, visto que no livro ele estabelece diálogos eloquentes e no filme parece um bébé que não sabe fazer nada só matar e comer.


No livro é o 80, nos filmes é o 8.

Tivesses visto o primeiro e tinhas entendido essa parte, se bem que aqui entra a questão da "adaptação". Tanto no livro como no filme, a criatura parte quase da estaca zero quando lhe é dada a centelha de vida. Tens os conhecimentos de um bebé recém nascido e os gestos e movimentos são trapalhões e desengonçados. Mas há uma diferença quanto ao cérebro que lhe foi colocado: no filme (o primeiro), talvez para acentuar a vertente de terror e para justificar a maldade que por vezes resulta dos actos dele, o argumento ditou que fosse escolhido o de um criminoso - portanto, se assim se pode dizer, maldade é tratada como uma cosa inata, e cabe ao monstro uma caminhada no sentido inverso, o da redenção. No livro, se bem me recordo, a justificação para as atitudes do monstro era a pura vingança contra o homem que o criou e de seguida o abandonou, isto já depois de ter passado por aquele período de auto-aprendizagem e de já ter sentido na pele as desgraças que o mundo reservava para aberrações como ele. No filme ele não passa por aprendizagem nenhuma a "ouvir os clássicos", e a que tem apenas lhe permite decorar algumas palavras, com destaque para good, bad, friend...

À parte do lord Byron inicial, achei a própria Elizabeth e o Henry (ele não se chamava Victor???) personagens bastante afáveis e credíveis.


Sim. No filme o Victor é o pai do Henry, personagem que não aparece nesta segunda parte.
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Re: Bride of Frankenstein

Postby MAGG » 23 Feb 2010 02:03

annawen wrote:Ou esperamos pela MAGG. ;)


Oh annawen, muito obrigada :blush:.

Não é preciso esperarem por mim ...eu parto tardiamente mas sou como a tartaruga, chego sempre à meta final. :D

Samwise wrote:
MAGG wrote:( e ao frankenstein que irei rever também).


Ahhh, alguém que anda a fazer as coisas by the book. ;)


Como indicaram que existia um resumo do Frankenstein no Bride optei por rever o mesmo por inteiro. Descobri que os dois encontram-se integrados na tal rede cultural :angel: que de vez em quando insistes em não reconhecer :whistle:

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Re: Bride of Frankenstein

Postby annawen » 23 Feb 2010 02:23

Bom, aqui vão muito rapidamente as minhas impressões. Eu tenho um livro, da Cinemateca, sobre o James Whale. Quando o encontrar pode ser que dê para pôr qualquer coisa mais fundamentada.

Então cá vai.

1. Repararam que no genérico aparece "Monsters' Mate - ?" ? Um pormenor curioso.

1b. (para a Anibunny): Nunca vi ninguém fazer bem de Byron no cinema. Por que será?

2. A primeira aparição do monstro é muito forte. Primeiro vemos a mão e depois um grande plano da cara. A cara é uma coisa extraordinária a nível de maquilhagem, mas a interpretação do Boris Karloff não lhe fica atrás. Ele consegue mostrar toda a humanidade do Monstro só com o olhar e por algumas expressões faciais. Muito bom. Acho que só agora, com esta revisão, me apercebi claramente do feito que ele conseguiu fazer. Porque é um papel muito difícil. E ele apanhou-o muito bem. Os gestos das mãos, o andar, a voz. Principalmente quando ainda não sabe falar. É uma voz que é um grunhido. De alguém que está a tentar expressar-se e não consegue. E depois fica frustrado. E nós vemos a frustração dele. É maravilhoso como uma pessoa, cheia de maquilhagem, representando uma personagem limitada intelectualmente, consegue ser tão tocante. É nestas alturas que tenho grande admiração pela profissão de actor. Acho que o Karloff conseguiu aqui algo de único. Vejam os grandes planos. Quando o prendem na masmorra. Quando ouve o som do violino. Quando ele encontra o cego. Nota-se que o James Whale quer mostrar o monstro, é ele o herói da história.

3. Por falar em grandes planos... uma palavra para a realização. Nenhum fotograma é feito ao acaso. A mise-en-scène é rigorosa. A inspiração é claramente gótica, com toques de expressionismo alemão (o jogo de luz e sombras; os cenários; a maquilhagem; o cemitério, com o Cristo meio tombado, que marca, não por acaso, a entrada para a tumba onde o Monstro se esconde). Mas em algumas composições noto influências da pintura. Lembrei-me especialmente de Brueghel, o velho na cena em que os camponeses apanham o monstro e um põem num carro de feno, e depois há aquele plano geral da multidão com os instrumentos agrícolas no ar. Não sei se foi intencional ou não.

4. Ainda a realização. Repararam que quando os dois cientistas estão a preparar a criação da "Noiva", os planos são compostos com eles na diagonal. Há uma série de campos e contra-campos assim. Não é por acaso. Achei esse efeito muito sugestivo.

5. A cena da masmorra é muito bem filmada a nível de claro-escuro. Só vermos a cara do monstro e depois as pessoas a espreitarem pela janela de grades, fascinadas e, ao mesmo tempo, repelidas pelo monstro. Mais uma vez, uma cena que vive por causa da grande interpretação do Boris Karloff.

6. É fundamental para o filme o monstro não falar. E depois falar só as palavras básicas. Não sei quem teve a ideia, mas é genial. Não vejo como poderia ser de outra maneira. Um monstro que se soubesse expressar não seria a mesma coisa. Reparem na diferença que a voz faz no Monstro do De Niro, por exemplo. O Monstro do Boris Karloff parece saído do cinema mudo. Aliás a representação dele deve muito ao cinema mudo (mais uma vez não tenho informações concretas sobre o facto). É fundamental, porque a personalidade do Monstro é de alguém que está a descobrir as coisas. É a de uma criança pequena, que dá os primeiros passos no mundo, tentando conhecê-lo. Tentando comunicar. Por outro lado, o silêncio dá-lhe uma certa nobreza, como se ele fosse o primeiro homem, num mundo novo. Que é na realidade o que ele é. E ainda a dificuldade de comunicar marca a diferença para o resto da humanidade, principalmente para os dois cientistas e em particular para o Dr. Pretorius, cuja retórica é claramente um símbolo do mal.

7. Dr. Pretorius: "To a new world of Gods and Monsters". Não há como um cientista louco para apimentar as coisas. Adoro a maneira como toda esta personagem aparece iluminada. Muito magro, com o farto cabelo iluminado por trás. Em especial, durante a tempestade. Há um grande plano da cara dele que tem um jogo de luz e sombra extraordinário (acho que já devo ter esgotado esta palavra :P ).

8. Monstro: "I love the death... I hate the living." Pathos.

8.b) Monstro (para o Dr. Pretorius): "You stay... we... belong... death." Grande dignidade.

9. Grandes cenários (as escadas, a torre, o laboratório). Grande fotografia (para além do que já falei, a filmagem da electricidade). Grande maquilhagem.

10. Por último: A noiva. Que trabalho fantástico fez a Elsa Lanchester. Os movimentos como um pássaro. Mas, principalmente, os sons que ela emite. O primeiro e o último são a uma ave, soam a algo inumano. Assustam porque o som não corresponde com a fisionomia. Quando ela abre a boca, o espectador não está à espera que vão sair aqueles guinchos (à falta de melhor palavra). Não é só a maquilhagem que lhe deu imortalidade, penso que o segredo da representação da actriz está nos movimentos que faz com a cabeça e nos gritos. É maravilhoso que a esta actriz alguns minutos no ecrã tenham chegado para a tornar num ícone do cinema. Já agora, para quem não sabe, ela é mulher do Charles Laughton.

11. (para o Sam): não vejo nada de humorístico no filme, excepto a velha criada irritante. Uma personagem de que não teria pena nenhuma se fosse apanhada pelo Monstro.

Conclusão: um filme 5 estrelas que muito gostaria de ver em ecrã grande, e com uma excelente imagem. Não está datado. Ainda mantém a capacidade de emocionar, de maravilhar. 5 estrelas.

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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 12:23

MAGG wrote:Como indicaram que existia um resumo do Frankenstein no Bride optei por rever o mesmo por inteiro. Descobri que os dois encontram-se integrados na tal rede cultural :angel: que de vez em quando insistes em não reconhecer :whistle:


Só "de vez em quando"? :devil:

(vá, chega de farpas à minha manifesta incapacidade de ir ao site das BdL e pôr-me a fazer pesquisas. Além disso, tinha de deixar os filmes disponíveis para tu os poderes ir buscar... :D )

A minha questão era mesmo: vale a pena ver os dois filmes. E mesmo assim, ainda estou com vontade de continuar a série, embora o Whale se tenha afastado da realização nos filmes posteriores...
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 12:56

annawen wrote:Bom, aqui vão muito rapidamente as minhas impressões. Eu tenho um livro, da Cinemateca, sobre o James Whale. Quando o encontrar pode ser que dê para pôr qualquer coisa mais fundamentada.


Ainda bem que isto ainda só corresponde ao "muito rapidamente" - significa que o pensamento pausado, o tal que será mais fundamentado, ainda está para vir. :mrgreen:

Há aqui muita coisa para debater - como de resto é normal sempre que decides escrever alguns rabiscos sobre filmes. :bow:

1. Repararam que no genérico aparece "Monsters' Mate - ?" ? Um pormenor curioso.


É curioso a dobrar porque tal coisa sucede no genérico inicial e no genérico final. Talvez seja para deixar o espectador na dúvida sobre se a actriz é a mesma que faz de M. Shelley (*)...

Na primeira fita, no genérico inicial, o "The Monster" também aparece com um ponto de interrogação, mas no final já aparece como Boris Karloff. Mais interessante ainda, entre os dois filmes o actor parece ter ganho alguma dimensão no mundo da 7ª arte, a ponto do genérico inicial do segundo filme incluir logo um "Karloff" em letras garrafais, sem sequer mencionar o "Boris" - coisa que também pode ser observada no poster promocional:

Image


(*) Esta ideia, de qualquer forma, tem algo de muito interessante que pode ser inferido. Perdoe-me se estou a entrar num a linha de pensamento algo rebuscada, mas foi uma sensação que o filme me deixou: parece haver um forte paralelo entre as cenas "da vida real" do prólogo e a história que depois é narrada - reparem que esta continuação da história que a Shelley decide narrar é originada pela junção de esforços entre as duas mentes masculinas que a rodeiam, o Shelley e o Byron, tal como na história, a noiva é o resultado da conjugação de esforços entre os dois cientistas (que por acaso estão muito à frente de todos os outros em termos de genialidade). À criação da história na vida real corresponde depois à criação da figura da noiva na harrativa, ambas suportadas pelos dois génios impulsionadores. Fica uma pergunta: se a M. Shelley corresponde à noiva na narrativa, quem corresponderá ao monstro na vida real? :mrgreen:

2. A primeira aparição do monstro é muito forte. Primeiro vemos a mão e depois um grande plano da cara. A cara é uma coisa extraordinária a nível de maquilhagem, mas a interpretação do Boris Karloff não lhe fica atrás. Ele consegue mostrar toda a humanidade do Monstro só com o olhar e por algumas expressões faciais. Muito bom. Acho que só agora, com esta revisão, me apercebi claramente do feito que ele conseguiu fazer. Porque é um papel muito difícil. E ele apanhou-o muito bem. Os gestos das mãos, o andar, a voz. Principalmente quando ainda não sabe falar. É uma voz que é um grunhido. De alguém que está a tentar expressar-se e não consegue. E depois fica frustrado. E nós vemos a frustração dele. É maravilhoso como uma pessoa, cheia de maquilhagem, representando uma personagem limitada intelectualmente, consegue ser tão tocante. É nestas alturas que tenho grande admiração pela profissão de actor. Acho que o Karloff conseguiu aqui algo de único. Vejam os grandes planos. Quando o prendem na masmorra. Quando ouve o som do violino. Quando ele encontra o cego. Nota-se que o James Whale quer mostrar o monstro, é ele o herói da história.


Idem aspas para o primeiro da série. No primeiro, a coisa começa logo pela cara - e aqui neste segundo compreende-se porque é que começa pela mão: a cabeça ficou ligeiramente queimada do incêndio (a ponto da franja ter desaparecido, revelando umas talas que parecem ligar o rosto à cabeça) e há que construir a cena de forma menos directa.
No primeiro, de qualquer forma, creio que o monstro não é o herói do filme, ou pelo menos o seu protagonismo está mais diluído face ao próprio Frankenstein, que tem um presença muito mais intensa.

3. Por falar em grandes planos... uma palavra para a realização. Nenhum fotograma é feito ao acaso. A mise-en-scène é rigorosa. A inspiração é claramente gótica, com toques de expressionismo alemão (o jogo de luz e sombras; os cenários; a maquilhagem; o cemitério, com o Cristo meio tombado, que marca, não por acaso, a entrada para a tumba onde o Monstro se esconde). Mas em algumas composições noto influências da pintura. Lembrei-me especialmente de Brueghel, o velho na cena em que os camponeses apanham o monstro e um põem num carro de feno, e depois há aquele plano geral da multidão com os instrumentos agrícolas no ar. Não sei se foi intencional ou não.


A realização está um mimo. Não só nas imagens (e na escolha dos respectivos planos, muitos deles tirados de ângulos acentuados), mas também nos movimentos da câmara. Por vezes distraí-me da história só a admirar os pormenores desses movimentos. Já não sei se foi no primeiro ou no segundo, mas há uma sequência filmada no interior da mansão em que a câmara vai passando de divisão para divisão, a acompanhar os acontecimentos. Algo que hoje em dia é banal, mas que para a altura deve ter exigido alguma genica. :bow:

Epá, annawen, tens de ver o primeiro! A sério. Se gostaste dos cenários do cemitério, vais adorar uma cena em que o Frankenstein e o ajudante vão desenterrar um cadáver (e em particular a decoração do cemitério e o que sucede a uma determinada pá de terra que ele atira pelo ar... :mrgreen: )

4. Ainda a realização. Repararam que quando os dois cientistas estão a preparar a criação da "Noiva", os planos são compostos com eles na diagonal. Há uma série de campos e contra-campos assim. Não é por acaso. Achei esse efeito muito sugestivo.


Sim, só dos rostos, numa sequência alternada de imagens, com o Frankenstein cada vez mais sério e o Pretorious cada vez mais maléfico...

E quando o Pretorious entra na mansão do Frankenstein, o plano dele no topo das pequenas escadas, com a câmara a filmá-lo de baixo para cima?

...
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Thanatos » 23 Feb 2010 12:58

E mesmo assim, ainda estou com vontade de continuar a série, embora o Whale se tenha afastado da realização nos filmes posteriores...


Acho que é um bocado tempo perdido. Tenho-os todos na colecção Monstros da Universal e sinceramente tirando os dois primeiros os outros são do piorio. Mas o tempo é teu.

A annawen levanta algumas linhas de discussão interessantes, infelizmente estou amarrado a um portátil com 120 MB de RAM (sim leram bem, são megas) e vir à net fazer seja o que for é uma tortura chinesa que testa os meus limites da paciência. De qualquer forma vou tentar seguir alguma dessa discussão até porque me parece importante referir o mito do Prometeu moderno que ainda ninguém referiu, sendo que inclusive é o sub-título do romance da Shelley, por uma boa razão. ;)
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Thanatos » 23 Feb 2010 13:01

Samwise wrote:
1. Repararam que no genérico aparece "Monsters' Mate - ?" ? Um pormenor curioso.


É curioso a dobrar porque tal coisa sucede no genérico inicial e no genérico final. Talvez seja para deixar o espectador na dúvida sobre se a actriz é a mesma que faz de M. Shelley (*)...
...



Nos filmes da Universal o actor que dava papel ao monstro nunca era referido nos créditos iniciais. Podem constatar isso noutros filmes como Phantom of the Opera, Wolfman, Creature from the Black Lagoon, etc. ;) Neste caso trata-se da actriz.

Quanto ao Karloff tenho por ali um texto muito interessante sobre o seu trabalho de maquilhagem que espelha bem o quanto o homem se sacrificava pela arte. Só tenho de encontrar o texto e adaptar as partes mais suculentas.
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 13:31

...

annawen wrote:5. A cena da masmorra é muito bem filmada a nível de claro-escuro. Só vermos a cara do monstro e depois as pessoas a espreitarem pela janela de grades, fascinadas e, ao mesmo tempo, repelidas pelo monstro. Mais uma vez, uma cena que vive por causa da grande interpretação do Boris Karloff.

8. Monstro: "I love the death... I hate the living." Pathos.


A cena da masmorra, não sendo o climax do filme, é para mim a melhor de todas - e não considero que o mérito dela advenha apenas da interpretação de Karloff: há toda uma série de pormenores deliciosos, a começar logo na dimensão gótica do espaço, uma tumba que certamente pertenceria a uma família abastada (mais uma vez, num paralelo com o prólogo do filme: seria a tumba de Mary Shelley?, de onde sairá o molde para fazer a noiva?), com tectos altos, corredores espaçosos, portões de grade, e espaços exíguos dedicados a caixões individuais.

É neste espaço que o monstro se encontra com Pretorious (começando por se esconder nas sombras, mais por curiosidade do que por medo) e que acaba por ser influenciado por este quanto aos planos de "fabrico" da monstra.

Mais importante, é aqui que sabemos finalmente que o monstro não é tão estúpido quando possa parecer: à pergunta directa: sabes quem é o "Dr. Henry Frankenstein?", temos uma resposta breve e certeira, nas poucas palavras que ele sabe dizer, mas que resumem perfeitamente a situação. E no rosto dele já não vemos ódio, vemos resignação (coisa que caberá a Pretorious inverter a seu favor). Temos, na mesma razão de importância, aquela sequência de três palavras que diz igualmente tudo o que é necessário, num plano fabuloso do monstro a segurar na caveira da sua futura companheira, ladeado por duas velas: "Friend... Woman...Wife!"

9. Grandes cenários (as escadas, a torre, o laboratório). Grande fotografia (para além do que já falei, a filmagem da electricidade). Grande maquilhagem.


:tu:


11. (para o Sam): não vejo nada de humorístico no filme, excepto a velha criada irritante. Uma personagem de que não teria pena nenhuma se fosse apanhada pelo Monstro.


Aqui, total discordância. A criada irritante tem várias tiradas ao longo do filme e a primeira sequência em que ela aparece ao lado do monstro, logo depois dele ter "despachado" o casal de camponeses, é de morrer a rir. A expressão do monstro face àquela criatura excêntrica - de extrema perplexidade, tanto que ele nem se mexe, nem sabe como há-de reagir à situação - até ela desatar a fugir aos berros... :D

Mas temos também a sequência bem humorada em que o Pretorious mostra a sua colecção de "experiências" ao Frankenstein - os bonecos e as suas personalidades nada têm de sério (embora de crítica social tenham alguma coisa). :rotfl:

E que dizer o penteado da noiva? Quando vi as imagens do Thanatos no primeiro post fiquei atónito, uma vez que ainda não tinha chegado a essa parte e não estava a ver onde tinham ido buscar aquele ar "avant-garde". Afinal a coisa era natural e devia-se aos efeitos da electricidade - mal as ligaduras caíram fora... :mrgreen:
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 14:19

Ainda me lembrei de outra cena que me parece propositadamente marcada pelo humor: o monstro quando está a "aprender" a falar, no momento em que o velho lhe passa um copo de vinho para as mãos. O ar de satisfação na sua cara, o sorriso, e a maneira como ele diz "Good!"

Lembrando a rígida seriedade de Nosferatu, esse filme que provavelmente terá causado uma verdadeira sensação de terror e de repulsa na altura aos espectadores (muito mais do que os desta série), são encenações totalmente diferentes - no Frankenstein a coisa é bastante mais esquemática e teatral, mesmo que pareça natural e solta, e a outra do Nosferatu muito mais realista, se assim lhe podemos chamar...

Nos filmes da Universal o actor que dava papel ao monstro nunca era referido nos créditos iniciais. Podem constatar isso noutros filmes como Phantom of the Opera, Wolfman, Creature from the Black Lagoon, etc. ;) Neste caso trata-se da actriz.


Dessa época só me lembro do Dracula do Browning, que vi o ano passado, e já não sei se o Lugosi aparecia nos créditos... mas é um pormenor curioso.
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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 14:22

5. A cena da masmorra é muito bem filmada a nível de claro-escuro. Só vermos a cara do monstro e depois as pessoas a espreitarem pela janela de grades, fascinadas e, ao mesmo tempo, repelidas pelo monstro. Mais uma vez, uma cena que vive por causa da grande interpretação do Boris Karloff.


Acho que confundi esta cena com outra. :rolleyes:

Tu dizes "masmorra" e eu li "tumba". Oh, well, à mesma não se perde aquilo que escrevi, que continua a fazer sentido.

Mas não me lembro é desta cena que mencionas... :X
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Re: Bride of Frankenstein

Postby annawen » 23 Feb 2010 15:30

Samwise wrote:Na primeira fita, no genérico inicial, o "The Monster" também aparece com um ponto de interrogação, mas no final já aparece como Boris Karloff. Mais interessante ainda, entre os dois filmes o actor parece ter ganho alguma dimensão no mundo da 7ª arte, a ponto do genérico inicial do segundo filme incluir logo um "Karloff" em letras garrafais, sem sequer mencionar o "Boris" - coisa que também pode ser observada no poster promocional


Ganhou sim. Foi fama instantânea.

(*) Esta ideia, de qualquer forma, tem algo de muito interessante que pode ser inferido. Perdoe-me se estou a entrar num a linha de pensamento algo rebuscada, mas foi uma sensação que o filme me deixou: parece haver um forte paralelo entre as cenas "da vida real" do prólogo e a história que depois é narrada - reparem que esta continuação da história que a Shelley decide narrar é originada pela junção de esforços entre as duas mentes masculinas que a rodeiam, o Shelley e o Byron, tal como na história, a noiva é o resultado da conjugação de esforços entre os dois cientistas (que por acaso estão muito à frente de todos os outros em termos de genialidade). À criação da história na vida real corresponde depois à criação da figura da noiva na harrativa, ambas suportadas pelos dois génios impulsionadores. Fica uma pergunta: se a M. Shelley corresponde à noiva na narrativa, quem corresponderá ao monstro na vida real? :mrgreen:


Percebo a ideia mas não fiz essa associação.

Epá, annawen, tens de ver o primeiro! A sério. Se gostaste dos cenários do cemitério, vais adorar uma cena em que o Frankenstein e o ajudante vão desenterrar um cadáver (e em particular a decoração do cemitério e o que sucede a uma determinada pá de terra que ele atira pelo ar... :mrgreen: )


Eu já vi e tenho o primeiro, agora é que não tenho tempo para o ver.

E quando o Pretorious entra na mansão do Frankenstein, o plano dele no topo das pequenas escadas, com a câmara a filmá-lo de baixo para cima?


Esta escapou-me.

E que dizer o penteado da noiva? Quando vi as imagens do Thanatos no primeiro post fiquei atónito, uma vez que ainda não tinha chegado a essa parte e não estava a ver onde tinham ido buscar aquele ar "avant-garde". Afinal a coisa era natural e devia-se aos efeitos da electricidade - mal as ligaduras caíram fora...


O look da noiva é genial.

num plano fabuloso do monstro a segurar na caveira da sua futura companheira, ladeado por duas velas: "Friend... Woman...Wife!"


Sim, tinha-me esquecido de referir esse plano. Lembrei-me logo de "Hamlet".

Ainda me lembrei de outra cena que me parece propositadamente marcada pelo humor: o monstro quando está a "aprender" a falar, no momento em que o velho lhe passa um copo de vinho para as mãos. O ar de satisfação na sua cara, o sorriso, e a maneira como ele diz "Good!"


Quando escrevi que não vi nada humorístico sem ser a criada irritante estava a esquecer dessa cena. É muito engraçada toda a interacção do cego com o monstro.

Tu dizes "masmorra" e eu li "tumba". Oh, well, à mesma não se perde aquilo que escrevi, que continua a fazer sentido.
Mas não me lembro é desta cena que mencionas... :X


Passa-se quando eles apanham o monstro, e o amarram numa masmorra escura, com grandes correntes. Toda a cena é filmada na escuridão, só com a cara do monstro iluminada. Claro que o mérito não é todo do Karloff, mas se não fosse a performance dele, não haveria o mesmo efeito. Quando um realizador mostra grandes-planos sucessivos de uma personagem, cabe ao actor carregar com a cena. Nesta cena, há alturas em que a câmara parece "apaixonada" pelo monstro. O que me faz pensar que, o que interessa ao Whale, neste filme, é o monstro. Outra coisa: o facto de se verem pessoas a espreitarem pela janela, para verem o monstro. Parece-me claro, que o realizador quer mostrar que o monstro é a multidão. Isso vê-se logo no início, e em todas as cenas de perseguição. Eu torci sempre pelo monstro durante o filme todo.

Outro plano que me esqueci: Quando o monstro olha para o lago, vê o seu reflexo, e imediatamente revolve a águas para apagá-lo. Logo a seguir vê uma camponesa. E aqui nota-se que o monstro é muito humano, porque como a maioria das pessoas, procura a beleza e não gosta da fealdade. Esta cena é particularmente tocante, porque ele sabe que é feio. penso que a dicotomia fealdade/beleza está muito presente no filme. Assim como o tema da solidão. De se ser único. Acho que neste filme estes temas são mais importantes do que o tema de se ser Deus, de criar uma vida.

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Re: Bride of Frankenstein

Postby annawen » 23 Feb 2010 16:41

O que David Thomson diz sobre a interpretação do Boris Karloff:

Karloff presented a feeling creature, a vulnerable colossus, capable of destruction but touched by beauty.

(David Thomson, A Biographical Dictionary of Film)

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Re: Bride of Frankenstein

Postby Samwise » 23 Feb 2010 16:46

annawen wrote:Passa-se quando eles apanham o monstro, e o amarram numa masmorra escura, com grandes correntes. Toda a cena é filmada na escuridão, só com a cara do monstro iluminada. Claro que o mérito não é todo do Karloff, mas se não fosse a performance dele, não haveria o mesmo efeito. Quando um realizador mostra grandes-planos sucessivos de uma personagem, cabe ao actor carregar com a cena. Nesta cena, há alturas em que a câmara parece "apaixonada" pelo monstro. O que me faz pensar que, o que interessa ao Whale, neste filme, é o monstro. Outra coisa: o facto de se verem pessoas a espreitarem pela janela, para verem o monstro. Parece-me claro, que o realizador quer mostrar que o monstro é a multidão. Isso vê-se logo no início, e em todas as cenas de perseguição. Eu torci sempre pelo monstro durante o filme todo.


Ok, já me situei. É a sequência em que o prendem à cadeira, com as argolas de ferro marteladas no chão e com a cabeça entre dois toros de madeira - com uma janela de barras de ferro no cimo de um túnel, com a multidão a espreitar e o burgo-mestre a afastá-los dizendo que está tudo resolvido e que não há mais motivos para preocupação.

Quanto às cenas multidão enfurecida, mais uma vez remeto para o primeiro filme da série, e que nesse capítulo está mais poderoso que o segundo - a sequência da reunião da multidão, que é iniciada pela entrada do camponês na vila com a filha morta nos braços e pelo silenciamento gradual das festanças que estão a decorrer, à medida que ele vai passando e o constrangimento vai tomando conta da situação, é um daqueles momentos maiores no cinema. Gostei muito de ver o trabalho grandioso do Whale.

Aliás, as cenas da multidão à procura do monstro no segundo capítulo decorrem na sequência das do primeiro - são a sua continuação.

Foi impressão minha, ou um dos caçadores que encontra o monstro na cabana do velho é o John Carradine?

Outro plano que me esqueci: Quando o monstro olha para o lago, vê o seu reflexo, e imediatamente revolve a águas para apagá-lo. Logo a seguir vê uma camponesa. E aqui nota-se que o monstro é muito humano, porque como a maioria das pessoas, procura a beleza e não gosta da fealdade. Esta cena é particularmente tocante, porque ele sabe que é feio. penso que a dicotomia fealdade/beleza está muito presente no filme. Assim como o tema da solidão. De se ser único. Acho que neste filme estes temas são mais importantes do que o tema de se ser Deus, de criar uma vida.


Sim, esse é a primeira vez que ele toma consciência do seu aspecto físico - e não gosta do que vê.

A forma que ele mais tarde congemina, interiormente, para dar a volta à situação, e já depois de perceber que no mundo dos vivos ninguém é capaz de gostar dele (excepção feita ao cego, que não o consegue ver), é sonhar com a criação da sua companheira, incentivado pelo Pretorious, porque se lhe afigura que ela sofrerá da mesma limitação física que ele (no que toca à "beleza") e que o aceitará sem reservas...

Dúvida: como é que eles conseguiram recuperar o a carne dela, já que partiram de um cadáver que era só ossos?
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Re: Bride of Frankenstein

Postby annawen » 23 Feb 2010 17:21

Samwise wrote:Foi impressão minha, ou um dos caçadores que encontra o monstro na cabana do velho é o John Carradine?


Pensei precisamente na mesma coisa.

Fui agora ao IMDB, e é mesmo ele. Não aparece é nos créditos.

Dúvida: como é que eles conseguiram recuperar o a carne dela, já que partiram de um cadáver que era só ossos?


Isso não sei, não me apercebi que eles tinham partido de um esqueleto.

Outra cena muito bonita é quando o monstro está na cripta e encontra um cadáver de uma mulher. Toca-lhe com a mão e diz: "Friend?".

***

Entretanto encontrei o livro sobre o James Whale. Tem um grande texto dedicado às filmagens do "Frankenstein". Foi o próprio realizador a propôr o Boris Karloff para o papel de Monstro, depois da recusa do Bela Lugosi.

Alguns excertos do texto "Das Origens a Frankenstein", de James Curtis:

A cara magra e maravilhosamente esculpida de Karloff fascinou Whale. "... Fiz desenhos da sua cabeça, juntando saliências ósseas um pouco abruptas onde imaginava que o crânio teria sido 'soldado'. O corpo de Karloff era mais pequeno do que desejaria, mas aquela personalidade estranha e penetrante era para mim mais importante do que a forma física, que podia ser alterada."

[...]

"Tínhamos de imaginar", explicou Karloff mais tarde, "que vários cérebros tinham sido inseridos naquele pobre crânio para depois serem de novo retirados. Por isso é que se construiu a testa de modo a dar a impressão de ser o resultado duma cirurgia demoníaca.

Depois achámos que os olhos era brilhantes demais, que pareciam compreender o que se estava a passar em vez de mostrarem a confusão exigida pela personalidade do Monstro. Então pus cera nos olhos para os tornar pesados. Aumentámos a minha altura com solas gigantescas nos meus sapatos e mostrámos o sítio onde a primeira mão teria morrido e onde uma outra foi executada."


Sobre o momento da criação do Monstro:

"Considero a criação do Monstro o momento mais importante do filme (disse Whale), porque se o público não acreditar que a criatura foi feita daquela maneira, não se vai interessar pelo que o monstro faz durante o resto do filme. Para dar mais importância a esta cena, mostrei Frankenstein a seleccionar os 'ingredientes' passo a passo. Prova ao público por meio da sua conversa com o Professor Waldman, que, de facto, sabe de ciência – particularmente acerca das propriedades do raio ultra-violeta, a partir do qual esperava que o milagre acontecesse. Narra deliberadamente o seu plano de acção. Por volta desta altura, o público tem de estar convencido de que alguma coisa vai acontecer. Poderá ser um desastre, mas pelo menos estão já a participar na história. Frankenstein põe os seus espectadores nos seus lugares e dá as ordens a Fritz. Levanta as alavancas e envia a máquina diabólica em direcção ao tecto, para a tempestade. Está agora num estado de excitação febril que foi calculado de modo a arrastar no seu encalço tanto os espectadores do filme como o público no cinema. Há um relâmpago. O Monstro começa a mexer-se. Frankenstein tem apenas de acreditar naquilo que está a ver, o que é aquilo que nós pedimos ao público que faça."

A cena da criação do monstro é uma obra prima de construção dramática: a mesa enorme que sobe em direcção à tempestade, cortando a vista aos espectadores. Whale realçou as caras das personagens. São as caras que narram a história; Whale utilizava pouco grandes planos imponentes, pois duvidava da sua eficácia.


Um dos filmes que Whale viu, em preparação para "Frankenstein", foi "O Gabinete do Dr Caligari".

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Re: Bride of Frankenstein

Postby Thanatos » 23 Feb 2010 18:18

Jasus!!! :blink: Um gajo está umas horas sem cá vir e onde já isto vai.

Assim vai-me ser dificílimo acompanhar a discussão porque se está a adotar o princípio de fazer citação de TODO o post anterior para depois ter apenas uma ou duas linhas de texto novo.

Penso que não custava muito citar apenas a parte importante para não obrigar a quem não tem acesso permanente a ler duas, três e quatro vezes a mesma coisa.

Agora ao que interessa: não concordo com a visão única da annawen sobre o filme ser sobre a solidão do ser único. Essa é uma linha de leitura muito válida, tanto mais tendo em conta o subtexto gay que perpassa pelo filme (sendo aqui visto o gay enquanto minoria na sociedade) mas para mim não é a única sendo que o desejo de conhecimento, a vontade de progresso mesmo que descontrolado é um dos motores da intriga, senão mesmo O motor. Não é à toa que tal como Prometeu roubou o fogo dos deuses para o dar aos humanos também aqui Frankenstein «rouba» os relâmpagos para dar vida à sua criação.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!


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