O Retorno - Dulce Maria Cardoso

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Cerridwen
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O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Cerridwen » 04 Oct 2011 10:41

O Retorno
Dulce Maria Cardoso


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Editora: Tinta da China
Colecção de Ficção Portuguesa
N.º de páginas: 272
ISBN: 978­9896710989
Classificação: Romance

Sinopse: «1975 Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras.

Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos não têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa.

Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia.
A adolescência torna­-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança.

África sempre presente mas cada vez mais longe.»

Dulce Maria Cardoso nasceu em Trás-os-Montes, em 1964. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa. Escreveu argumentos para cinema e contos. Actualmente vive em Lisboa. O seu primeiro romance, Campo de Sangue (2002), escrito com o apoio de uma Bolsa de Criação Literária do Ministério da Cultura, foi distinguido com o Grande Prémio Acontece de Romance. Em 2005 foi publicado o seu segundo romance, Os Meus Sentimentos e mais tarde saiu a colectânea de contos Até Nós (2008). O Chão dos Pardais é o seu terceiro romance. Em 2009 recebeu o prémio da União Europeia para a Literatura.

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pco69
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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby pco69 » 04 Oct 2011 10:48

Deu-lhes a praga..... :rolleyes:

Há alguma comemoração da ponte aérea a aparecer? ^_^

De qualquer forma, como tenho bastante interesse na época em questão, creio que será mais um livro para adquirir.. :mrgreen:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Ignatius Wao
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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Ignatius Wao » 21 Nov 2011 03:53

Encontrei uma crítica formidável no Ípsilon (Público), sobre O Retorno de Dulce Maria Cardoso.

No panteão dos escritores maiores

Crítica Ípsilon por: João Bonifácio

O Retorno
Autoria: Dulce Maria Cardoso
Tinta-da-China

*****

Em “O Retorno”, assistimos pela boca de um adolescente ao ruir do Império. 
Mais do que isso: reconhecemos a violência de um país que cisma em 
ser brando mas não o é

Ali no final dos anos 70, início dos anos 80, aconteceram duas, três coisas importantes em Portugal. O FC Porto foi campeão em 1979 e cinco anos depois voltou a sê-lo, já com Pinto da Costa. Mário Soares chegou a primeiro-ministro, saiu, veio Nobre da Costa, depois Mota Pinto, Maria de Lurdes Pintasilgo e a seguir Sá Carneiro, cuja morte pareceu magoar o Norte inteiro, menos a mim e mais dois ou três. Eu andava na escola primária, um facto que não encontrará lugar na história do país, mas que me permitiu ter acesso a uma espécie de história alternativa da nação: um jogo de bola podia acabar à batatada depois de uma zanga política entre garotos de seis anos. Mota Pinto morreu, a escola pôs a bandeira a meia-haste, era suposto cantarmos o hino: o intervalo não foi feliz.
Dou por mim a reparar que a importância destas pequenas memórias - que hão-de ser diversas conforme a idade de cada um, o lugar onde vivia, a família em que tinha nascido - foi mudando ao longo dos anos, à medida que cada um de nós reescreveu a sua narrativa pessoal, à medida que o país reescreveu a sua identidade.

No meu caso, duas dessas recordações mantêm-se com a mesma limpidez do dia em que ocorreram: a professora de aulas particulares de francês a zurzir contra o 25 de Abril, mostrando-nos o apartamento e dizendo que “lá” tinha campos infinitos, empregados, empresas, o mundo. Era estranho ver aquela senhora bem posta, recta, exemplo da moral, virgem e orgulhosa de o ser, a explodir em frente das crianças; mais estranho que nos mostrasse a pequenez do apartamento gritando histericamente “Isto compara-se ao que lá tínhamos?”, como se pudéssemos, por abstracção, adivinhar esse “lá”. Mas não era estranho que a professora do primeiro ano da primária chamasse a empregada (mais tarde apelidada de contínua e posteriormente auxiliar de acção educativa) para catar piolhos ao garotos e dissesse “Primeiro os retornados, depois os das barracas, a seguir os dos bairros sociais”. Isto não era estranho de todo.

A verdade da minha memória é que odiávamos os retornados. Nós, os brancos filhos de licenciados, os únicos que nas aulas não tinham de ser catados (se alguma empregada se enganasse e nos viesse catar a professora impedia-a e obrigava-a a pedir-nos desculpa), odiávamos os retornados. Porque eles odiavam os pretos, mas - desconfio - acima de tudo porque eles odiavam o Mário Soares. Os retornados eram, diziam-nos os adultos, uma espécie de animais: viviam aos magotes em casa de parentes afastados, porque nem família propriamente dita tinham. Eram incapazes de conviver connosco sem cobiçar o que era nosso. Falavam diferente. Vestiam diferente.

Talvez seja pior do que isto. Talvez os adultos não nos dissessem isto, talvez os ouvíssemos à socapa. (Como isto: “Pior do que um retornado só um venezuelano”. A quem ouvi isto? Não sei.) E depois puséssemos em prática o que ouvíamos. Por exemplo, a jogar à bola. Havia o Carlos “Preto” a quem, nas jogadas mais decisivas, chamávamos apenas “Preto”. “Nós” podíamos chamar preto, “eles” não. Porque se eles chamassem “preto” havia qualquer coisa naquele tom de voz que nos fazia responder “Ele pra ti é Carlos, retornado do caralho”.

Isto durou anos. A meio da década de 80, quando a imitação de Salazar subiu ao poder, ainda usávamos a palavra “retornado” nas discussões. Foi preciso ir para a faculdade, conhecer retornados que não odiassem o Mário Soares, que não se gabassem de ter empresas e empregados (porque antes todos pareciam ter deixado um mar de riquezas nas colónias) para perceber que a violência com que tínhamos crescido era ainda mais complexa, que tínhamos, “nós” também, sido racistas. Que a ferida era muito maior do que imaginávamos, que a suposta superioridade moral dos nossos pais - que não odiavam os pretos - estava longe de ser imaculada.

É aqui que entra a literatura. Quem não viveu a guerra podia aproximar-se dela pelos ditos de familiares, mas a verdade é que quem lá esteve não fala muito disso. Mas houve “Os Cus de Judas”, de Lobo Antunes. Quando descobri o livro foi como se toda aquela violência demencial gritasse que aquilo que nos tinham dito a vida inteira - que Portugal era um país de brandos costumes, de gente pacífica e justa - era mentira, era uma récita que se repetia de forma neurótica até nos convencermos de que sim, éramos brandos, éramos justos.

E agora, com este “O Retorno” de Dulce Maria Cardoso, acontece outra vez. O país que nunca soube lidar com a sua própria agressividade, o país neurótico, que diz de si mesmo “Eu sou brando e justo” tem de confrontar-se com a sua violência.

“O Retorno” é a narração da saga dos retornados em 1975. Centrado numa família de quatro elementos (pai, mãe, filha mais velha e um rapaz mais novo, o Rui), estende-se longamente numa primeira parte em que a família está prestes a abandonar Angola, onde o pai tem um negócio de transportes.

O que torna o romance verdadeiramente extraordinário não é o seu “realismo”, é antes o seu grau alucinatório. De forma inteligente, Dulce usa como narrador o miúdo, o que lhe permite inundar a narrativa das dúvidas e dos exageros de quem conhece o “real” por intermédio do que os pais lhe ensinam. O ritmo é assombroso, uma locomotiva disparada, em que ligeiras mudanças de narrador permitem que se ouça a voz do pai, da mãe, da irmã, do tio Zé que é homossexual e a favor dos pretos.

Nesse longo início antes de a família embarcar, a narração é uma espécie de remoer inacabável. A mãe recorda como chegou a Angola, vinda de uma aldeia em que nem água potável havia - e lembramo-nos logo de que uma grande parte das gentes que partiram para Angola não era privilegiada, antes gente que quase morria à fome.

Cada um dos objectos que vai ser deixado para trás (uma colcha, um poster de uma miss) tem uma narrativa, e por terem narrativa são vida. Cada frase dita pelo pai - que começa por ter simpatia pelos pretos e acaba preso por estes, confundido (ou não) com um assassino -, mais do que para definir a personagem, serve para definir os medos, as angústias e os preconceitos de uma geração. (O trabalho de “recolha” de expressões de época de Dulce Maria Cardoso é, no mínimo, espantoso.) Mas a grande personagem do romance é aquela mãe, que desde o início é, nas palavras das vizinhas, “a D. Glória que tem aqueles problemas”. O narrador, Rui, lembra que quando o pai traz à mãe perfumes franceses isso eleva-a à frente das vizinhas, que passam a tratá-la por “a D. Glória que tem lá os seus problemas” (o que é melhor, porque toda a gente tem “os seus” problemas). É nesta minúcia de linguagem que todo o romance assenta, e com ela vence.

A narrativa é uma coisa minúscula: a família sai de Angola, o pai fica, a mãe acredita que o pai não foi morto e vai voltar, ficam instalados, como muitos outros retornados, num hotel do Estoril, mãe, filha e filho no mesmo quarto. O hotel torna-se, de certo modo, uma personagem em si mesma: o Império reduzido à sua condição real, repleto dos seus despojos, prestes a auto-consumir-se numa vertigem de ressentimento, raiva e justa tristeza.

A perda do pai, de que o miúdo parece ser o único a aperceber-se desde o primeiro momento, é aqui fundamental: é difícil para quem não foi retornado imaginar o que é perder tudo; com a perda daquele pai, a fundura do que se perde é imediatamente compreensível. A operação identitária que se segue ao desembarque em Lisboa é tratada por Dulce Maria Cardoso com uma minúcia dolorosa. A irmã de Rui esconde o cartão de retornada que lhe dá direito a lanche na escola. A mãe, nos jantares do hotel, continua a insistir que o pai está a voltar, e o lugar vago à mesa é explicado com um “O meu marido não demora”. A mãe, esta mãe, tem uma doença inexplicável que a leva a ter “ataques”. A única pessoa que a conseguia acalmar era o pai, que ordenava aos demónios que saíssem do corpo da mulher. Mais tarde será o filho a ter de executar este exorcismo - o filho assume assim o lugar do pai, torna-se o chefe de família; à sua entrada à bruta na idade adulta corresponde o esforço de Portugal para ser uma sociedade civilizada. É também neste jogo de camadas de leitura que o livro se excede.

O rapaz mente e inventa que tinha uma mota em Angola, a mãe mente e inventa que tinha um aspirador, um aspirador que o marido lhe tinha prometido e que nunca tinha chegado a dar. Perante o medo de nunca recuperar o que se perdeu, estas personagens não agem com frieza, não assumem a perda: douram o passado, porque o passado dá conforto.

Por todo o lado há gente a olhá-los e julgá-los. Numa passagem magnífica, Rui explode porque a professora obriga “o retornado lá de trás” a responder. A raiva é óbvia: ele não tem um nome, é “o retornado lá de trás”. Perante a injustiça só há uma atitude: portar-se pior, fazer mais asneira, para ao menos os de “cá” terem verdadeiramente do que reclamar. Foi esta passagem que espoletou as escassas memórias que tenho da convivência com os retornados. Pergunto-me se o que haverá de extraordinário no romance virá daí, dessa capacidade de nos fazer confrontar com a imagem que temos dos retornados. Não me agrada essa hipótese, porque não se lêem livros à procura de nos identificarmos com uma personagem - não temos esse direito e se o fizéssemos não aprendíamos nada, não nos confrontávamos.

Não, o que há de comovente, de estupidamente doloroso e comovente, em “O Retorno”, não é a capacidade de nos fazer identificar com esta ou aquela personagem. É a capacidade de nos fazer sentir a perda. O tratamento da professora a Rui não é uma questão particular; é um tema universal, o do respeito pela identidade de cada um. (Se quisermos, podemos dizer que Dulce ataca uma questão essencial dos nossos dias: a impossibilidade de “ser”. É possível alguém dizer como está, como se apresenta ao mundo e a sia próprio, mas todos são impotentes para dizer o que “são”.) É isso que, com uma meticulosa gestão da entrega da informação, com um espantoso olho para o detalhe, Dulce Maria Cardoso faz: coloca-nos na posição de quem viu a sua identidade fendida, de quem não sabe (literalmente) de que terra é, de quem não é olhado como um indivíduo mas sim como uma coisa. Ela nunca transforma os retornados em “pessoas bozinhas”. Simplesmente oferece-nos pessoas, inteiras.

No seu melhor, a literatura cria uma narrativa, um encadeamento de factos mínimos, que nos leva a concluir que mesmo que isto não nos tenha acontecido “podia” ter-nos acontecido, “pode” vir-nos a acontecer. A esse “poder” corresponde o medo da morte.

É muito, muito difícil um livro assustar-nos e comover-nos desta forma. Comover-nos com a fragilidade daquela mãe, com a sua necessidade de acreditar que o pai vai voltar. Comover-nos com as lágrimas de uma miúda que é apalpada por ser retornada. Com a amizade entre o puto e o porteiro do hotel que lhe oferece uma bicicleta velha. Com aquela irmã que tenta fingir que é de “cá”. É muito difícil e é um feito que Lobo Antunes não alcançou em “As Naus” ao querer enfiar os nossos mitos históricos à força na narrativa.

É um país pequeno, desconfio que pouco sereno, neurótico porque rejeita a sua agressividade, mas é também um país que tem meia-dúzia de pessoas que se recusam a enterrar a cabeça na areia, que retiram camadas à mentira que cobre os nossos dias. É gente de coragem, é gente de brio. É gente como Dulce Maria Cardoso que, a partir deste “O Retorno”, deve ser incluída no panteão dos escritores maiores, aqueles que escrevem com vísceras. Esperemos que o país lhe saiba agradecer condignamente.
Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos. Millor Fernandes

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Cerridwen » 03 Jan 2012 16:08


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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Bugman » 10 Jan 2012 11:58

Parece ser mesmo o romance do momento. Alguém por aqui já lhe ferrou as unhas?
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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby urukai » 10 Jan 2012 13:10

O tema não me diz nada.
Vou passar ao lado.

Cheguei à conclusão que não gosto de muita coisa que pretendia ler.

A partir de agora (2012) só vou ler aquilo que gosto.

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Samwise » 10 Jan 2012 15:01

urukai wrote:Cheguei à conclusão que não gosto de muita coisa que pretendia ler.


Care to elaborate? :angel:
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby croquete » 11 Jan 2012 11:43

urukai wrote:A partir de agora (2012) só vou ler aquilo que gosto


Boa sorte.

Ao contrário de algumas almas :whistle: que colocam os seus gostos nas mãos dos críticos, infelizente para mim, tenho de ler o livro para saber se gosto ou não.

Acresce o facto de os escritores não terem livros de reclamações. :td:

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Sharky » 11 Jan 2012 12:23

croquete wrote:Acresce o facto de os escritores não terem livros de reclamações. :td:


Para quê? :pipoca:

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby croquete » 11 Jan 2012 12:36

:)
Fosse a nossa reclamação aceite por uma autoridade no ramo (digamos que por exemplo...o Tanathos :devil: ). Poderiamos enquanto consumidores, reaver uma quantia do dinheiro dispendido na "obra" reclamada. ^_^

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Sharky » 11 Jan 2012 13:01

Mas uma história não é algo que te dê uma intoxicação alimentar, ou que te provoque azia, ou que te deixe empenado numa qualquer estrada, ou um aparelho que funcione mal.
Achas mesmo necessário uma medida dessas para um livro, croquete? :pipoca:

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby croquete » 11 Jan 2012 13:27

Sharky wrote:Achas mesmo necessário uma medida dessas para um livro, croquete? :pipoca:


Seria conveniente. Houvesse um critério universal para o gosto. :devil:

Mas não te sentes enganado se pagas por um bilhete de cinema para veres um filme e afinal reparas que tudo aquilo não passa de um anúncio a uma marca de shampô ou carros , bebidas açucaradas com gás ou restaurantes?

Ou pagas por um livro e reparas que o autor quer a todo o custo provar pontos de vista que não passariam com confiança numa aula da escola primária?

Já o pagaste, deverás ter direito a que um determinado número de expectativas correspondam ao valor investido.

Mas é verdade, cada um escolhe o que fazer com o seu tempo. Mesmo o de arriscar ser enganado com uma história má, com falta mínima de qualidade, etc.

Quanto aos críticos, a história é a mesma, também não têm livros de reclamação. <_<

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Sharky » 11 Jan 2012 13:54

:)
Mas quando lês a sinopse/crítica de um livro/filme, não te diz nada? Não te ajuda a decidir se de facto queres gastar tempo/€ nisso? Não será esse conteúdo que te poderá dar expectativas?
Uma medida dessas para um escritor, não ia influenciar a sua escrita? A sua visão? As suas ideias, etc?

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Thanatos » 11 Jan 2012 14:05

Croquete esse livro de reclamações para escritores já existe. Chama-se palavra-de-boca e deixar-de-comprar. Acredita que os escritores vivem muito daquilo que se diz deles nas redes sociais no twitter etc. Mesmo que digam que não e independentemente da quantidade de blurbs que tenham na capa a vox populis vence (quase) sempre. ;)
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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Re: O Retorno - Dulce Maria Cardoso

Postby Samwise » 11 Jan 2012 14:21

croquete wrote:
Sharky wrote:Achas mesmo necessário uma medida dessas para um livro, croquete? :pipoca:

Houvesse um critério universal para o gosto. :devil:


Aqui dizes tudo. ( = impossibilidade)
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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