Tarântula - Thierry Jonquet

É mais um conto "extenso" do que propriamente um "romance". Foi uma leitura interessante para comparar com o filme e para ver que voltas o Almodóvar lhe deu (e ainda foram algumas, muito de acordo com os tais temas que lhe são habituais, para além de ter amplificado fortemente a já mui perversa perversão (
) que dá alguma força adicional ao texto). A narrativa está ordenada no sentido de ocultar ao início o que se está a passar (tal como no filme), e recorre a flashbacks explicativos do passado que se vão intercalando com "tempo presente" até a um ponto de junção que corresponde à "revelação principal". No livro, estes flashbacks são narrados na primeira pessoa (enquanto que o "tempo presente" é na terceira), um artifício que confere um nível adicional de mistério e estranheza à história - só que para quem já a conhece, o texto lê-se mais de outro ponto de vista: perceber como o escritor faz para separar e voltar a juntar as peças factuais de modo a subverter o modelo convencional da narrativa tradicional.Em termos de alcance psicológico e estudo das personagens, este livro é fraquinho. Cumpre no essencial aquilo que se espera de um conto, mas pouco mais do que isso. O filme consegue ser mais rico com tudo aquilo que não diz do que o livro em tudo aquilo que diz...
6/10
Link para a apreciação do filme.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." - 8½
Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?
My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert
- Monturo Fotográfico -
Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?
My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert
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