O Palestiniano - Antonio Salas

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O Palestiniano - Antonio Salas

Postby pco69 » 04 May 2012 14:03

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Vou mais ou menos a meio e estou completamente fascinado por este livro e pelo próprio jornalista que o escreveu. :bow:



http://www.antoniosalas.org/terrorismo/ ... -portugues

(...)
Ao longo de dois anos, entre 2004 e 2006, o jornalista espanhol Antonio Salas dedicou-se a criar Muhammad Abdallah, o muçulmano nascido na Venezuela e com raízes na Palestina. Encarnaria a figura até 2009, quando culminou a incrível investigação infiltrado em organizações terroristas. Na altura, já era o homem de confiança de Carlos "O Chacal", acusado da morte de mais de 80 pessoas. Uma história que agora conta no livro "O Palestiniano".
(...)
Mesmo pelo telefone, a voz do espanhol está distorcida. Antonio Salas é um pseudónimo. Desde que em 2003, lançou "Diário de um Skin", que o jornalista corre perigo de vida. O livro narra o ano em que se fez passar por adepto skinhead do Real Madrid e forneceu informação fundamental para o desmantelamento da organização neo-nazi Hammerskin em Espanha. Seguiu-se outra investigação infiltrado e novo livro: "Um Ano no Tráfico de Mulheres".
(...)
Velhos hábitos Salas diz que tudo terá compensado se com este livro conseguir dissuadir algum jovem de se tornar terrorista. Entretanto já começou a criar uma nova personagem para a próxima investigação. Mas os seis anos na pele de "O Palestiniano" deixaram as suas marcas. Salas manteve a barba, não deixou de frequentar a mesquita, está integrado na comunidade muçulmana e continua a beber sumo de cenoura.



http://www.antoniosalas.org/actualidad- ... onio-salas

(...)
Porque resolveu infiltrar-se numa rede terrorista?
No dia 8 de Março de 2004, quando apresentava o meu livro anterior, «Um Ano no Tráfico de Mulheres» (Livros d´Hoje), todos os meus companheiros de imprensa perguntavam qual seria a minha próxima investigação. Três dias depois estava em Madrid quando ocorreu o atentado em Atocha, que me atingiu em cheio. Ficou claro que a minha próxima investigação tinha de ser sobre o terrorismo internacional.
(...)
Resumidamente, quais foram as diferenças na preparação de cada uma das suas infiltrações?
Para «Diário de um Skin» (Dom Quixote) rapei o cabelo e dediquei-me uns meses a inscrever-me em revistas e web nazis, a memorizar as suas canções, a familiarizar-me com os seus locais, etc. Para «Um Ano no Tráfico de Mulheres» frequentei congressos feministas e falei com associações de luta contra a prostituição, com a polícia, etc. antes de visitar pela primeira vez um bordel e aproximar-me dos traficantes. Agora foi mais complicado. Tive de aprender árabe e estudar o Corão, viajei à Palestina, Venezuela, etc. para reconstruir a minha falsa biografia; aproximei-me de mesquitas e organizações de luta armada, tanto no Médio Oriente e Norte de África como na América Latina e Europa.
(...)
A pergunta óbvia: que balanço faz da sua experiência? Há muitos pontos em comum entre o Ocidente e o Oriente?
Muito mais do que os que nos separam. Na essência, todos os seres humanos se preocupam com o mesmo: a família, os nossos seres queridos, o nosso bem-estar. E não importa qual é a nossa língua, raça ou credo. Basicamente todos temos e desejamos as mesmas coisas. No entanto, e porque o terrorismo e a guerra são dos negócios mais lucrativos do Mundo, os interesses políticos, económicos e geo-estratégicos esforçam-se por manter vivos o ódio e as diferenças.
(...)
Do que viveu, arrepende-se de algo?
O êxito que tive com «Diário de um Skin» permitiu-me obter dinheiro suficiente para pagar toda a investigação de «Um Ano no Tráfico de Mulheres» sem necessitar de nenhum apoio. E o sucesso de «Um Ano no Tráfico de Mulheres» foi o que financiou «O Palestino». Por isso só devo lealdade aos meus leitores. E a única coisa que me arrependo foi a de ter sido tão ingénuo por acreditar que Google ou Wikipedia eram fontes jornalísticas lícitas. Perdi muito tempo, muito dinheiro seguindo pistas falsas que se publicam uma e outra vez em meios supostamente sérios.
(...)
Depois destes seis anos infiltrado, vê alguma luz ao fundo do túnel nas relações Ocidente-Oriente?
A explosão de uma bomba ou o rugido de um tiro faz muito mais ruído que os sussurros de uma oração ou um diálogo pela Paz. Por isso escutamos mais os violentos. Mas são uma minoria. A imensa maioria dos habitantes do Oriente e Ocidente clama pela Paz. No entanto, até que a nossa voz se deixe ouvir por cima das explosões, o ódio continuará a reproduzir-se como um cancro.



Para quem tiver paciência, uma produção da Antena 3 espanhola (1hora)
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: O Palestiniano - Antonio Salas

Postby pco69 » 09 May 2012 14:16

Extracto:
(já tinha colocado no tópico 'Jornais e Jornalistas', mas creio que também fica bem neste tópico)

(...)
...Nada é mais barato e simples do que colocar uma mentira na rede e deixar que se reproduza por si mesma. Por isso todos os agentes de desinformação preferem a Internet mais do que nenhum outro meio para expandir uma mentira. Inclusive alguns de nós beneficiamos dos rumores, conjecturas e fantasias que, uma vez incrustadas na rede, repetem-se uma e outra vez até se converterem em lendas urbanas. (...)
É verdade que a minha preguiçosa geração, a do Google e Wikipedia, «investiga» instalada diante do computador, o que nos faz muito mais manipuláveis do que os nossos antecessores.
(...)

Pag 491
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: O Palestiniano - Antonio Salas

Postby pco69 » 10 May 2012 22:48

O Palestiniano

O que dizer de um livro de 643 páginas que relata a infiltração de um jornalista nas redes do terrorismo actual?
Sem backup, ou seja, sem qualquer apoio de seja lá o que for, a não ser alguns amigos. Com o seu próprio dinheiro, que foi quase todo gasto mas que lhe permite a independência de chamar os bois pelos nomes. Nomeadamente o terrorismo de estado praticado por Israel com a total cumplicidade da chamada ‘comunidade internacional’.

Antonio Salas, viajou para a Palestina para preparar a sua cobertura como ‘Palestiniano a quem os israelitas mataram a mulher grávida’. Nela, visitou vários lugares e falou com variadíssimas pessoas preparando a sua Persona Base. Logo aí ele começa a aperceber-se da realidade da luta Palestiniana. Estava ele a falar com um ex-lider da resistência palestiniana e chegou a hora da oração. Quando pergunta se vai consigo à mesquita, o outro refere-lhe que não. Não ia à mesquita porque era cristão. Não é uma luta de Islão VS Israel/Ocidente, mas sim a luta de um povo para defender o seu país e a sua terra.

O que mais ressalta do livro é o seu apelo ao término da violência. A violência apenas atrais mais violência. Mas sendo realista, sabe que a guerra é um negócio que movimenta milhões. O seu próprio país, Espanha, aumentou a exportação de armas para Israel quando este fechou as fronteiras de Gaza e a arrasou completamente a partir de 27 de dezembro de 2008 até dois das antes de Obama entrar na casa branca.

Dois casos vivenciados por Antonio Salas.
fazendo-se passar por comprador de mulheres, está no México. O traficante oferece-lhe meninas de Chiapas de apenas 12 anos. E sabendo que seria para os bordéis da Europa, ele próprio diz que ‘deverá se carne fresca’, ou seja ainda virgens.....
(aconteceu n’um ano no tráfico de mulheres’, mas é referido neste livro)

fazendo-se passar pelo terrorista, conhece a realidade dos paracos. Grupos paramilitares criados pela extrema direita colombiana (e apoiados pelos rancheiros e ganadeiros) para combater a guerrilha com as mesmas armas
“Como o [caso] de Ana Maria (nome suposto), uma jovem sindicalista que trabalhava como professora numa pequena aldeia de camponeses. Quando chegaram os paracos: «Entraram na escolinha dando um pontapé na porta. E sem dizer nada, sem meias-palavras, um deles aproximou-se do menino que estava sentado na primeira carteira da primeira fila, o mais próximo da minha secretária, e com um machete cortou-lhe a cabeça e atirou-a para o meu colo dizendo: “Isto é para que me prestes toda a tua atenção... temos de falar contigo.”»


O que dizer de alguém que consegue se tornar no webmaster de Carlos o chacal, o terrorista mais perigoso do sec XX? E seu confidente? Que dizer de alguém que está jurado de morte pela extrema direita, devido à sua infiltração nos movimentos skin de Espanha? Que está jurado de morte pelos traficantes internacionais de mulheres para prostituição? Que dizer de alguém que está jurado de morte pela extrema esquerda pela sua infiltração nos movimentos terroristas internacionais? É um caso para dizer que é unânime a sua condenação à morte.


O que é um terrorista? É alguém que de um lado é chamado de ‘terrorista’ e do outro é chamado ‘combatente pela liberdade’
Esta é a minha definição. Que atenção, não é a definição do autor do livro.

Fiquei verdadeiramente fascinado pelo autor. Bastas vezes ele refere que não é um homem corajoso. Se isto não é coragem, eu verdadeiramente não sei o que será!

Alguns links :
http://www.antoniosalas.org/categoria/e ... d-abdallah

http://www.antoniosalas.org/actualidad- ... onio-salas

(...)
Ou seja, não estamos diante de uma «guerra» religiosa, mas de interesses?
Quando comecei esta investigação acreditava que todos os árabes eram muçulmanos e que todos os muçulmanos eram terroristas, ao menos em potência. Mas quando comecei a viajar pelo Oriente Médio, pelo Magreb, etc. descobri que a verdade era muito diferente. Na Palestina, por exemplo, conheci personagens como Aiman Abu Aita, ex-líder das Brigadas dos Mártires da Al Aqsa. Para a minha surpresa, Aiman, como muitos outros membros da resistência palestina ou iraquiana, era cristão! Muitos desses chamados «terroristas» que na Palestina ou no Iraque combatem contra as tropas ocidentais lutam pela sua terra, não pela religião. Mas para a propaganda ocidental é mais conveniente considerarmo-los a todos «terroristas islamistas». E a luta é por interesse económico ou geo-estratégicos. A religião é apenas um álibi.
(...)
Do que viveu, arrepende-se de algo?
O êxito que tive com «Diário de um Skin» permitiu-me obter dinheiro suficiente para pagar toda a investigação de «Um Ano no Tráfico de Mulheres» sem necessitar de nenhum apoio. E o sucesso de «Um Ano no Tráfico de Mulheres» foi o que financiou «O Palestino». Por isso só devo lealdade aos meus leitores. E a única coisa que me arrependo foi a de ter sido tão ingénuo por acreditar que Google ou Wikipedia eram fontes jornalísticas lícitas. Perdi muito tempo, muito dinheiro seguindo pistas falsas que se publicam uma e outra vez em meios supostamente sérios.
(...)
Depois destes seis anos infiltrado, vê alguma luz ao fundo do túnel nas relações Ocidente-Oriente?
A explosão de uma bomba ou o rugido de um tiro faz muito mais ruído que os sussurros de uma oração ou um diálogo pela Paz. Por isso escutamos mais os violentos. Mas são uma minoria. A imensa maioria dos habitantes do Oriente e Ocidente clama pela Paz. No entanto, até que a nossa voz se deixe ouvir por cima das explosões, o ódio continuará a reproduzir-se como um cancro.


http://www.antoniosalas.org/actualidad- ... o#comments

(...)
Desinformação

No café do aeroporto de Madrid, Antonio mostra o álbum de fotografias, que trazia sempre na mochila, ao lado do pequeno Corão manuscrito. “Era isto que dava consistência à mina personagem, quando o mostrava aos amigos, ou quando era revistado nas fronteiras”, diz. “E era também o que me dava autoconfiança”. Não bastava parecer Muhammad. Era preciso ser Muhammad. Para não correr riscos, e para sentir o que sente realmente um terrorista islamista. “Os jornalistas ocidentais não se dão ao trabalho de entender o islão”, diz Salas. “Por comodismo, consultam fontes como a Wikipédia ou o Google. Escrevem o que lêem lá, e depois outros jornalistas reproduzem o que estes escrevem. Os políticos, ou quem quer que esteja interessado em manipular, sabe que as coisas funcionam assim, por isso usam o Google e a Wikipédia para veicular o que lhes convém. É muito fácil. A Al- Qaeda da ilha Margarita é um exemplo disto”.

Vários jornalistas escreveram, em diferentes jornais do mundo, que existía uma célula da Al-Qaeda na ilha venezuelana de Margarita. Alguns canais de televisão mostraram imagens de um “campo de treino”, com árabes armados fazendo exercícios num cenário do Caribe. Salas, aliás Muhammad, foi lá investigar. Fez-se passar por adepto de Bin Laden, para contactar com os colegas locais. Mas não encontrou nenhum. Localizou, sim, o “campo de treino”, que afinal era uma coutada de caça onde os jornalistas ocidentais tinham filmado um grupo de libaneses a dar tiros aos coelhos, com as suas caçadeiras. Os libaneses, ainda por cima, eram cristãos maronitas. “O único terrorista islâmico da ilha Margarita chamava-se Muhammad Abdallah. A Al-Qaeda-Venezuela era eu”. E tão convincentemente o foi que os terroristas tupamaros revolucionários o tentaram raptar, e depois matar, convencidos de que ele andava na Venezuela a recrutar operacionais para a Al-Qaeda.
(...)
As conclusões de Antonio Salas são intrigantes e constituem inestimável matéria de reflexão, embora sejam tão discutíveis quanto os meios que usou para as alcançar. A infiltração como método jornalístico só é éticamente admissível quando reunidas cumulativamente duas circunstâncias: que o assunto seja de interesse vital, e que não haja outra forma de o investigar. Nenhuma delas parece estar em causa, quer no caso do terrorismo islâmico, quer nos dos “skins” ou do tráfico de mulheres. Mas a questão talvez seja outra: era necessário converter-se realmente ao islão?

Uma vez, quando Muhammad participava, na Suécia, num encontró mundial de esquerdistas radicais, um dos participantes, José Sánchez, conhecido como Negro Cheo, começou a desconfiar dele. Por alguma razão, ou por simples capricho, suspeitava de que não era um verdadeiro muçulmano. A certa altura, à hora do almoço, na casa onde ambos estavam

hospedados, em Uppsala, o Negro Cheo perguntou, à queima-roupa: “Ouve, palestiniano. Para que lado fica Meca?” Muhammad apontou a direcção, sem hesitar. Sabia-a porque, logo pela manhã, sozinho no seu quarto, usara a bússola para conhecer a posição em que deveria orar. A pergunta do Negro Cheo não fora inocente. Se Muhammad não fosse um verdadeiro muçulmano, teria sido desmascarado. Mas ele era. Fizera as suas orações pela manhã, mesmo sem que ninguém estivesse lá para ver.
(...)
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...


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