A Ironia do Projecto Europeu - Rui Tavares

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Bugman
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A Ironia do Projecto Europeu - Rui Tavares

Postby Bugman » 20 Nov 2013 17:58

A Ironia do Projecto Europeu

Rui Tavares tem o dom de aproximar pessoas da esquerda e da direita, nestes tempo de clivagem que vivemos. Odiado por uns e outros, as principais razões para esse ódio prendem-se com o seu comportamento aquando do recente naufrágio legislativo do Bloco de Esquerda. Só que Rui Tavares não tem sido incoerente consigo mesmo, não no seu desempenho enquanto euro-deputado. Nesse aspecto Rui Tavares é das poucas vozes que dentro de portas se dedicam a escalpelizar e a pensar as questões europeias.

Este livro, lançado no final de 2012, no auge da crise económica (sem sabermos bem onde estamos na crise política) que abala a Europa, é a sua visão sobre os acontecimentos. É pena, por um lado, que não haja uma figura da direita que se lhe junte, uma voz que fosse com ele em Portugal, o que Cohn-Bendit e Verhofstadt são na Europa e que levou à edição, quase em simultâneo do seu manifesto For Europe.

Na ausência de vozes sonoras a equilibrar a orientação ideológica, fica-nos portanto a voz de Rui Tavares, historiador de profissão e, até às próximas europeias, eurodeputado de vocação. Não um eurodeputado do estilo populista, na boa onda dos Farages desta vida, mas um dos que sentem a Europa. Como historiador que sente a Europa, Tavares dá-nos neste livro aquele que pode ser um óptimo resumo do que tem sido a construção europeia, as suas virtudes e as suas falhas, tudo de uma forma acessível, com uma escrita leve na forma e cheia no conteúdo, que nos faz chegar a meio do livro sem nos apercebermos do tempo a passar, e com a percepção clara de como nos falta saber tanto do mundo em nosso redor.

Nenhuma visão, por mais bem itencionada que o seja, consegue ser desligada das visões pessoais de quem a transmite. Rui Tavares consegue no entanto que as lições de história o sejam e que as suas conclusões pessoais o pareçam, para que o leitor não se confunda. E com isso mostrar que uma escrita ideológica não tem de ser uma escrita doutrinária. Depois de ler este livro eu quero saber o que pensa o outro lado, mas do outro lado ninguém fala.

É uma leitura, em vésperas de eleições europeias, fundamental para portugueses em Portugal e no estrangeiro (lembrar que malta emigrada na UE, vota onde mora), especialmente face ao clima de desinformação que nos rodeia. A verdade é que somos emprenhados pelos ouvidos que a culpa é "de Bruxelas", mas onde começa e acaba a culpa de Bruxelas, e qual das Bruxelas falamos? Não importa o quadrante político, este livro é de leitura obrigatória!
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Re: A Ironia do Projecto Europeu - Rui Tavares

Postby pco69 » 04 Nov 2014 10:40

Preguiça de criar novo tópico

Quem mandatou Maçães?

Por Rui Tavares

É sabido que três acontecimentos deste virar de século tiveram efeito direto na situação atual do nosso país: a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, o alargamento da União Europeia ao leste europeu e a entrada de Portugal no euro. Em cada um deles houve conversas sobre “estar na frente do comboio”, sobre grandes oportunidades para o país ou, simplesmente, sobre a inevitabilidade do processo e a necessidade de nos adaptarmos a ele. A realidade foi muito diferente das promessas.

Hoje é hoje, Portugal está como está, e as pessoas às vezes dão-se a suposições: não valeria a pena ter havido mais reflexão, termos sido mais informados e preparados? Não teria sido bom que os políticos fossem um bocadinho para lá dos chavões? Não teria sido útil que os jornalistas deixassem de lado as respostas fáceis, o “isto não vende”, o “é demasiado complicado, as pessoas não querem ler”? Talvez fôssemos hoje um país um pouco mais justo e desenvolvido. Talvez tivéssemos encontrado para a nossa economia um papel que não fosse o do empobrecimento.
Teremos aprendido a lição? É fácil fazer o teste. Temos agora em cima da mesa um acordo comercial cujo impacto será equivalente ao de qualquer dos três acontecimentos que mudaram o mundo à nossa volta. Trata-se do TTIP, Acordo de Parceria Transatlântica de Investimento e Comércio, cujas negociações decorrem agora entre a União Europeia e os Estados Unidos da América, e que se propõe criar a maior zona de livre-comércio do mundo.

Tudo nas vidas de 800 milhões de pessoas de ambos os lados do Atlântico pode ser afetado por este acordo: das normas de segurança alimentar às bitolas de proteção ambiental, dos empregos aos salários, dos serviços ao consumo.

Duas coisas são necessárias para estarmos preparados: um governo atuante na defesa dos interesses do país e uma cidadania europeia ativa e informada.

Vejamos a primeira. Uma das poucas coisas que se sabe sobre as negociações euro-americanas é que delas faz parte um mecanismo para, no essencial, proteger as multinacionais dos tribunais comuns, dando-lhes a possibilidade de usarem jurisdições especiais para processarem os estados contra, por exemplo, novas leis de proteção do consumidor. Esta possibilidade é um dos exemplos mais gritantes de como os poderosos se regem por regras que não estão ao acesso do cidadão comum, tendo levado mesmo à oposição do recém-empossado presidente da Comissão Europeia. E que fizeram os governos europeus? Quatorze deles assinaram uma carta tomando partido pelas multinacionais. Entre as assinaturas, consta a do Secretário de Estado português Bruno Maçães.
Estamos, portanto, esclarecidos quanto à necessidade de um governo atuante: quem mandatou Bruno Maçães para estar do lado das multinacionais contra os tribunais? O nosso governo não parece estar a defender os nossos interesses. Esperemos que a Assembleia da República force ao esclarecimento destas questões.

Mas, ao menos desta vez, o discurso da inevitabilidade não cola. Para entrar em vigor, este acordo internacional precisa de aprovação no Parlamento Europeu, o tal que segundo Marinho Pinto não serve para nada. É aqui que entra a necessidade de uma cidadania informada e ativa, em Portugal e na Europa. Está visto que, se não nos defendermos, ninguém o fará por nós.

http://www.publico.pt/politica/noticia/ ... es-1674953
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...


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