A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

Pedro Farinha
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Re: A Sombra do Vento

Postby Pedro Farinha » 12 Apr 2009 14:02

acrisalves o livro é realmente muito bom e a tua crítica também está muito boa. Permite-me apenas corrigir, a acção de O jogo do anjo decorre depois de a sombra do vento e não antes.

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acrisalves
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Re: A Sombra do Vento

Postby acrisalves » 12 Apr 2009 14:49

Hum... a acção de A Sombra do Vento inicia-se em 1945; a acção de O Jogo do Anjo decorre nos anos 20...

Pedro Farinha
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Re: A Sombra do Vento

Postby Pedro Farinha » 12 Apr 2009 15:16

Bem, se tu o dizes... mas eu era capaz de jurar que n'O jogo do anjo recordavam-se coisas ocorridas n'A sombra do vento. Mas posso estar a fazer confusão está claro.

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Re: A Sombra do Vento

Postby acrisalves » 12 Apr 2009 17:15

Bem... é o que está no site da editora e na wikipedia... ainda não li o segundo pelo que não posso por as mãos no fogo.

Pedro Farinha
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Re: A Sombra do Vento

Postby Pedro Farinha » 12 Apr 2009 17:20

Pois eu li o a sombra do vento já há algum tempo, mas realmente o jogo do anjo começa nos anos 20, só que história demora várias décadas. Se calhar o que se passa n'a sombra do vento inicia-se depois do principio d'O Jogo do anjo e acaba antes do final. Tenho de ir investigar, pena é não ter a Sombra do vento para verificar.

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Re: A Sombra do Vento

Postby Homem do Leme » 13 Jun 2009 20:57

Há livros assim, que nos fazem perder a noção do tempo e do espaço, esquecer a realidade e estabelecer uma cumplicidade com as personagens em que real e ficção se fundem numa harmoniosa história brilhantemente narrada. Assim é "A Sombra do Vento".

"A Sombra do Vento" é uma história sobre uma história, sobre um livro e o seu autor, vidas que se cruzam, sonhos que se ousam viver, segredos que se escondem e se revelam.

Não vou aqui falar da história, pois descrevê-la é retirar-lhe a magia. Até porque esta é uma das histórias em que cada leitor, para além de a ler, a sente de uma maneira muito própria, muito projectiva. Pelo menos foi assim que eu senti.

Um livro brilhante, muito bem escrito, que para além da história que nos fascina nos embala nas palavras e faz viajar. Momentos houve em que me senti a viver as emoções narradas, a percorrer as ruas de Barcelona, a sentir o medo de Nuria, o desespero de Penélope, o amor de Daniel. Adorei percorrer os recantos do Cemitério dos Livros Esquecidos, que mais que um cemitério e muito mais que de livros esquecidos, é um mundo vivo de livros que se eternizam pelas emoções que despertam.

Um livro que, sem dúvida, ganhou espaço entre os "Livros da minha Vida".
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Re: A Sombra do Vento

Postby pco69 » 30 Sep 2009 21:56

Acabei o dito livro aqui à poucos minutos.

Confesso que me desapontou um pouco. Não a história em si nem a escrita, que é muito boa, mas sim o livro em si.

Vou tentar explicar.

Como referi no tópico do 'que está as ler', disse que havia muito tempo que um livro não me agarrava tão bem com o seu inicio.
Mas depois, a magia foi desaparecendo um pouco.

Está muito bem escrito, as personagens estão excelentemente caracterizadas. O mistério vai-se revelando aos poucos, mas...

É basicamente um livro sobre amores não concretizados e também um romance policial. Nenhuma destas duas coisas costuma agarrar-me por aí além e desta vez também assim foi.

Ao longo da história, só mesmo uma coisa me surpreendeu e isso foi a razão do porque de Ricardo Aldaya ter aquela reacção tão violenta quando Julian e Penélope são descobertos(1). Mas se tivesse estado com mais atenção, creio que chegaria lá.

Alguns dos outros mistérios, como seja, quem é o misterioso homem que anda a queimar os livros do Carax e quem foi morto no duelo, foram coisas que eu já deduzira.

E quando já sabemos o segredo de parte do mistério, o encanto de ler um livro policial é ainda mais diminuído.

Também me irritou um bocado as coincidências entre o protagonista e o escritor da 'Sombra do vento'. Embora possíveis e até talvez plausíveis, são muitas as coincidências e na minha opinião, demasiadas.

Bom, mas isso não retira qualidade ao livro.

Este é um muito bom livro e até me deu vontade de ler 'O jogo do anjo', mas na minha categoria pessoal, não o elevo a obra prima.


Spoiler! :
(1) Creio que o Carlos Ruiz Zafon, leu 'Os Maias' :devil2:
Last edited by pco69 on 28 Dec 2011 22:47, edited 1 time in total.
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Re: A Sombra do Vento

Postby vampiregrave » 25 Sep 2010 22:40

Aqui vai a minha opinião ;)


“- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. (...)
Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito.”


É em 1945, numa Barcelona destroçada pela guerra civil que o jovem Daniel Sempere é levado pelo seu pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos. Neste autêntico labirinto borgiano, Daniel escolhe um livro para proteger, de nome A Sombra do Vento, escrito pelo desconhecido Julián Carax, casualidade que terá importantes consequências na sua vida.
Neste romance Zafón condensa diversas influências, apresentando desde traços característicos do romance gótico a alguns vestígios de realismo mágico que, embora ténues, se vão insinuando ao longo da história, fazendo lembrar o estilo do colombiano Gabriel Garcia Marquez. Essa fusão é deliberada, revelando a ambição de Zafón em proporcionar uma experiência de leitura cativante e intensa.

“Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.”


A Sombra do Vento marca profundamente Daniel, de tal forma deslumbrado que se surpreende ao descobrir que a obra de Carax não só foi um fracasso de vendas, como tem vindo a ser destruída por uma misteriosa figura que não poupa esforços para queimar todos os exemplares ainda existentes. O seu interesse pelo autor impulsiona-o a tentar descobrir mais sobre este, curiosidade que acabará por o envolver em circunstâncias cada vez mais perigosas.
Embora a perspectiva de Daniel seja predominante, a história ramifica-se nas suas investigações, efectuadas nos 40 e 50, e no passado do próprio Julián Carax, pontos a partir dos quais o enredo se fragmenta ainda mais, ora acompanhando a vida do jovem livreiro, ora mergulhando no passado das diversas personagens envolvidas com Carax, secções que normalmente se destacam pelo uso de itálico e pelo discurso na terceira pessoa.

“A sua alma está nas suas histórias. Numa ocasião perguntei-lhe em quem se inspirava para criar as suas personagens e ele respondeu-me que em ninguém. Que todas as personagens eram ele próprio.”

A acção é polvilhada por diversas considerações a respeito da relação entre o leitor e o texto, assim como da importância dos livros e do papel dos escritores. Na citação acima, Zafón vai de encontro à posição de José Saramago, algo visível num ensaio deste último, em que refere que “(...) o autor está no livro todo, o autor é todo o livro, mesmo quando o livro não consiga ser todo o autor”, pelo que não é de admirar a relevância atribuída ao autor e à sua capacidade em imprimir a sua alma nas palavras.

“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”


E a alma de A Sombra do Vento está, para além das referidas considerações relativas à leitura, nas suas encantadoras personagens, das quais se destaca o excêntrico Fermín Romero, que com os seus comentários acutilantes e o seu sentido de humor nos consegue arrancar um sorriso nas situações mais inacreditáveis.
Uma obra marcante, dedicada aos amantes da literatura, que torna claro como nunca é tarde para tomar as rédeas do nosso pensamento, para deixarmos de nos submeter às crenças alheias, aproveitando ao máximo um dos actos mais enriquecedores da experiência humana: a leitura.

“Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.”

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Re: A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

Postby Metamorphose » 28 Dec 2011 17:53

Sem dúvida, um dos melhores livros que eu já tive a sorte de ler. Acho que nunca li um livro deste tamanho tão rapidamente. Desde o primeiro capítulo que somos deparados com um mistério de um passado encoberto que nos deixa com um desejo ardente de o desvendar o mais depressa possível. O estilo linguístico é de um nível requintado e demonstra conhecimento e cultura por parte do autor. As personagens estão muito bem caracterizadas e depressa nos apegamos a elas como se fossem nossos amigos reais, e a história que as une desperta-nos sentimentos e emoções como se também nós fizéssemos parte de todo o enredo. É um livro que vai deixar saudades. Aliás, já deixou. Vou sentir a falta de todos os amigos que nele encontrei.

Só fiquei com o desejo de poder eu mesmo entrar no Cemitério dos Livros Esquecidos e de explorar «O Anjo de Brumas», o casarão dos Aldaya. :( Será que haverá um filme? :rolleyes:
"My life has been stolen from me. I'm living in a town I have no wish to live in... I'm living a life I have no wish to live... How did this happen?"

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