Ficções Científicas & Fantásticas - Vários

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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 20 Dec 2007 00:36

Thanatos wrote:Tanto pessimismo. :sad: Até parece que os autores portugueses são escorraçados rua abaixo com os cães a ladrarem-lhes às canelas.


Pouco falta.

Thanatos wrote:Tanto quanto eu me aperceba o que se passa é que o pessoal leitor (já) não é tóto de todo e sabe quando o andam a tomar por parvo. Quando eu leio coisas como "aparelhagens com o mesmo ISBN" num livrinho que me custou o mesmo que uma publicação decente só posso pensar que andam a gozar comigo e com a minha carteira e isso, acredita-me, não tem absolutamente nada a ver com a ideia de que só o que vem de fora é bom, mas antes com a ideia de que eu mereço o melhor possível do que vem cá de dentro. Se reparares itsfullofstars não é bem a mesma coisa.


Pelo contrário: é precisamente a mesma coisa.

Em Portugal, se não se é bestial - e quem é que é bestial? - é-se de imediato corrido a besta. O livrinho com as aparelhagens com o mesmo ISBN (e fiquei curioso com essa: que livrinho foi?) até pode ser excelente em tudo o mais, que basta ter essa parvoíce para saltar logo para a categoria de "bosta ilegível". Por contraste, eu por acaso estou agora a traduzir um livro (sim, sou tradutor) que teve óptimas críticas e foi muito bem recebido, editado por uma editora de prestígio, subsidiária da Random House, sobre o qual me foi passada uma listinha com nada menos do que quatro alterações ao texto. Essas alterações devem-se a desatenções do escritor, do editor (o tal editor estrangeiro que tanto se gaba por aí por contraponto ao reles publisher português) e do revisor, todos eles muito mais bem pagos do que os nossos, que por acaso até geram frases e situações confusas e mudam o significado a um par de passagens. Se fosse por cá, estas merdices seriam propaladas, empoladas e propagadas aos quatro ventos porque ena pá grande nabo é o tretas que escreveu isto e coiso e tal. Lá, deram mais importância àquilo que de facto tem mais importância: tudo o resto.

Em Portugal não há cinzentos: tudo tem de ser preto ou branco. Se não é óptimo, é uma merda. O tuguinha provinciano e presunçoso não conhece nem o bom, nem o razoável, nem o mauzinho, nem o mau. Só conhece aquilo que (acha que) é excelente e aquilo que (acha que) não vale um caracol. E a todos os níveis, não só na literatura.

E é por isso que viver neste país é insuportável. Está cheio a transbordar de tuguinhas provincianos e presunçosos.

PS e edit - Já para não falar da instituição nacional que é a má-língua. Na Idade Média, a poesia nacional por excelência eram as cantigas de escárnio e maldizer. E não parece haver meio deeste povinho chegar à Renascença.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 20 Dec 2007 12:01

itsfullofstars wrote:O livrinho com as aparelhagens com o mesmo ISBN (e fiquei curioso com essa: que livrinho foi?) até pode ser excelente em tudo o mais, que basta ter essa parvoíce para saltar logo para a categoria de "bosta ilegível".


Tirado do contexto tudo fica com outro cambiante. Por um lado não "promovi" o livro a bosta ilegível. Essas são palavras tuas. E como é evidente não me fui por aqui a descrever tudo o que de mau encontrei no livro (o espaço é pequeno) mas a talhe de foice posso também mencionar uma "bendita e santificada execução por emulação". O que espero eu dos escritores? Que saibam escrever. Dos revisores? Que saibam rever. Dos editores? Que saibam passar os olhos pelo produto final. Da minha parte entro com o dinheiro. Era só esse o alcance da minha tirada. Ou estarei errado em querer que se melhore? Devemos então baixar a bitola e argumentar que se "lá fora" também metem a pata na poça nós, como coitadinhos que somos, até podemos meter não só as duas patas como a fuça toda? Não será precisamente por haver gajos que desculpam tudo e acham que está sempre tudo muito bem e que qualquer coisa que se faça é sempre de apoiar mesmo que não valha um corno que isto não vai para a frente? Tão perigoso é pensar que é tudo negro como que é tudo branco. Sempre que se faça algo de meritório é de falar disso, evidentemente. Os exemplos abundam, como por exemplo o Fantasporto, a FIBDA, e outras iniciativas feitas com pés e cabeça. Mas isso significa que já não se possa falar das iniciativas feitas em cima do joelho? Então porquê?

Mas se não estivesses tão embrenhado nessa tua lógica de que todos, sendo tu a natural excepção, pois claro, são uns provincianos presunçosos, até terias reparado que no meio de tanto escárnio e maldizer ainda se vai falando bem duma coisa aqui e doutra acolá. Ou acaso os teus olhos, tal como os dos tais provincianos, só se focam naquilo que se opina como mau e passam por cima daquilo que se diz de bom? Mesmo nesta opinião que tenho vindo a publicar aqui, e atenção que é uma mera opinião com o peso que (não) tem, encontro pontos agradáveis no que li. Não consigo é ser Midas e transformar em ouro tudo o que leio.

Quanto a essa do tuga provinciano que acha que só o que vem de fora é bom tenta ler mais umas coisas aqui pelo fórum e vê lá bem se todos fazem salamaleques "ao que vem de fora". Experimenta por exemplo ler sobre o Accelerando do Stross, só a título de experiência.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 20 Dec 2007 12:49

itsfullofstars wrote:Ah. A típica conversa da treta, tão fácil e tão oca como dizer que também é muito mais fácil falar mal do que os outros fazem do que realmente fazer alguma coisa que se veja e igualmente despida da mais pequena relevância ou substância. Bocas atiradas ao vento. Conversa de merda.


itsfullofstars wrote:Tenho sérias dúvidas de que todos os contos não premiados nesse concurso sejam realmente piores do que os premiados, e começa logo por gostar mais daquele que recebeu a menção honrosa do que da porcaria mal escrita e sem ponta de originalidade que o ganhou.


Deixa-me adivinhar . . . Participaste no concurso e o teu talento não foi reconhecido? Just kidding. :wink:

itsfullofstars wrote:Só não é surpresa porque sei bem como fucionam os júris dos concursos. Provavelmente nem leram metade dos contos.


E provavelmente enganas-te. Conheço todos os membros desse júri e sei que pelo menos o João Seixas não só leu os contos de fio a pavio (contra a minha recomendação que interrompesse a leitura se os primeiros parágrafos/páginas não inspirassem confiança), como tirou dezenas de páginas de notas. Uma perfeita perda de tempo, se queres que te diga, porque dos contos que pude ver no post-mortem (anonimizados, por isso não sei quem os escreveu, nem tenho curiosidade em saber) . . . Sweet zombie Jesus. Diz o que quiseres sobre a suposta objectividade da crítica, mas quando as referências de um conto de horror se limitam aos "slash flicks", aos vampiros existencialistas da Anne Rice e dos RPGs, e aos assassinos loucos e tuberculosos do Edgar Allan Poe, então algo vai muito mal.

itsfullofstars wrote:A so-called objectividade na avaliação da qualidade da produção cultural é uma fraude, e está até cientificamente provado que é uma fraude - em experiências com pessoas isoladas umas das outras a quem foi dada a tarefa de avaliar músicas que nunca tinham ouvido obteve-se uma distribuição da avaliações de "qualidade" que pouco se diferenciava de ruído aleatório.


A conclusão que retiraste dessa experiência teria mais validade se pudesses provar que as pessoas usaram o seu sentido crítico na avaliação das músicas, e não se guiaram simplesmente pela impressão inicial que tiveram das mesmas. O que eu me recordo de ter lido é que a experiência visava demonstrar o bandwagon effect, ou seja, o impacto que a suposta popularidade de uma música tinha nas decisões que as pessoas tomavam na altura de a avaliar, mas posso estar mal lembrado.

Só não sei o que tem isto a ver com as avaliações de um júri a uma série de contos anónimos, e para os quais o bandwagon effect é nulo ou negligenciável.

Abraços,
Luís
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 20 Dec 2007 13:11

itsfullofstars wrote:(o tal editor estrangeiro que tanto se gaba por aí por contraponto ao reles publisher português)


Por falar em reduzir as coisas a "preto e branco" . . .

Se eu gabo o /editor/ estrangeiro é porque este, na generalidade, não existe em Portugal: muitos dos editores portugueses que conheço simplesmente *não tocam no texto*, independentente das barbaridades que este possa conter, e mal apostam na revisão para além de um copyediting feito em cima do joelho.

Sim, o /editor/ também falha, ou não fosse ele humano. Mas tal não significa que o seu trabalho seja dispensável, ou de menor importância para a boa imagem de um escritor ou de uma empresa editorial.

Abraços,
Luís
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 20 Dec 2007 14:13

Thanatos wrote:Quanto a essa do tuga provinciano que acha que só o que vem de fora é bom tenta ler mais umas coisas aqui pelo fórum e vê lá bem se todos fazem salamaleques "ao que vem de fora". Experimenta por exemplo ler sobre o Accelerando do Stross, só a título de experiência.


O Stross é um tipo porreiro e daqueles escritores de quem eu gostava de gostar, mas que me desilude (quase) sempre que pego numa das suas obras, muito monótonas e explicativas, e que em termos literários são frequentemente um retrocesso aos piores dias da Golden Age. Até eu, que sou um geek da informática, me aborreço com a forma sensaborona como ele descreve (por exemplo) a descoberta de um algoritmo determinístico para problemas NP-completos. Imagino que o leitor mais leigo não fique com grande noção de que a prova de uma coisa como P = NP teria consequências absolutamente estarrecedoras, porque o Stross resolve embrulhar tudo em linguagem matemática, sem traduzir a descoberta em efeitos práticos (para além de permitir o eventual surgimento de uma inteligência artificial que será o foco do resto da história).

But I digress . . .

Abraços,
Luís
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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 20 Dec 2007 15:57

Steerpike wrote:
itsfullofstars wrote:Tenho sérias dúvidas de que todos os contos não premiados nesse concurso sejam realmente piores do que os premiados, e começa logo por gostar mais daquele que recebeu a menção honrosa do que da porcaria mal escrita e sem ponta de originalidade que o ganhou.


Deixa-me adivinhar . . . Participaste no concurso e o teu talento não foi reconhecido? Just kidding. :wink:


Que parte de "começa logo por gostar mais daquele que recebeu a menção honrosa do que da porcaria mal escrita e sem ponta de originalidade que o ganhou" é que tenho de te explicar com um desenho, steer? Just kidding. :wink:

Partindo do princípio de que compreendes português escrito :wink: , vou tentar primeiro com palavras:

Para mim, a primeiríssima coisa que se tem de avaliar num texto é, precisamente, o texto. Quem quer produzir coisas manejando a língua portuguesa tem de saber manejá-la com um mínimo de qualidade. Contos escritos em português de analfabeto, por melhores ideias que contenham, têm sempre como destino a incineradora. E é por isso mesmo que prefiro a menção honrosa ao vencedor. É que o vencedor está mesmo muito mal escrito. Bastava isso para pôr o segundo à frente do primeiro na minha lista, e provavelmente muitos dos outros contos também.

E digo isto porque ouvi um dos membros do júri proferir esta coisa extraordinária: "quanto melhor escritos, piores as ideias". Talk about sweet zombie jesus. Basta esta frase para tornar claro que eles preteriram um monte de coisas que tinham a base lá em favor de um conto que nem a base tem. Quero lá saber das referências, e quero lá saber das ideias distorcidas que possa haver no júri quanto ao que são ou deixam de ser ideias "de qualidade". Até porque as ideias contidas no conto que ganhou falam por si quanto àquilo que o júri acha "boas ideias": acho sinceramente difícil que as dos outros fossem piores. Mas o que me interessa mesmo é que um conto em português tem de estar escrito em português e tudo o resto é avaliação posterior.

Um júri é um júri, e uma opinião de júri é uma entre várias possíveis. Tal como a de um crítico. Não é "a verdade" nem nada que se pareça, por mais que se tente promovê-la como tal. É por isso que os júris nunca são compostos por uma pessoa (e mesmo assim não chega, como se tornou óbvio por este concurso), e que a crítica é tanto melhor quanto mais críticos houver em actividade e mais plurais forem as suas opiniões.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 20 Dec 2007 16:21

Thanatos wrote:Mas se não estivesses tão embrenhado nessa tua lógica de que todos, sendo tu a natural excepção, pois claro, são uns provincianos presunçosos, até terias reparado que no meio de tanto escárnio e maldizer ainda se vai falando bem duma coisa aqui e doutra acolá. Ou acaso os teus olhos, tal como os dos tais provincianos, só se focam naquilo que se opina como mau e passam por cima daquilo que se diz de bom? Mesmo nesta opinião que tenho vindo a publicar aqui, e atenção que é uma mera opinião com o peso que (não) tem, encontro pontos agradáveis no que li. Não consigo é ser Midas e transformar em ouro tudo o que leio.


OK, vamos então a exemplos. Só neste thread, que não tenho tempo de ir procurar aos outros, e esperando que concordes que iria encontrar muitas coisas semelhantes espalhadas por aí.

A única opinião genérica acerca das quatro antologias que se encontra aqui reza assim:

E como miragem que é por vezes somos tentados a correr ao encontro dum oásis apenas para descobrirmos que estamos perante uma lagoa de areia seca e inerte.
Portanto, temos "miragem" e "lagoa seca e inerte". Bonito. Dá um bocado de sede, mas é bonito. Não vejo é aqui nenhuma indicação de que haja algo de bom a dizer sobre as antologias ou a produção fantástica contemporânea portuguesa. Repito, para que fique claro: esta é a única opinião genérica que aqui se encontra acerca delas. Têm porcarias lá dentro? Então são "uma lagoa de areia seca e inerte". Alguém que me arranje uma garrafinha de água, por caridade, senão desfaleço.

Adiante. A opinião sobre a edição em Portugal é resumida em frases como esta:

Perante estas e outras enormidades como é possível acarinhar seja quem for? Terei de passar quantas mais décadas a sustentar com o meu dinheiro incompetências destas até que se atinja o patamar da excelência?


Sublinho a expressão "seja quem for". Um escritor escreve disparates e um editor publica-os, e torna-se "impossível acarinhar seja quem for". Todos os outros são reduzidos ao mesmo nível rasteiro, tenham ou não culpas no cartório. O dinheiro que "sustenta há décadas incompetências destas" nunca serviu para suportar nada que valesse a pena. Perfeitamente. É menos bonito, dá menos sede, mas é igualmente claro.

Os absolutos são sempre assim, profundamente embrenhados no âmago das trevas. Por contraste, os raros elogios que fazem plop aqui e ali têm inevitavelmente um mas à frente.

Acho que isto serve como QED, não?

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 20 Dec 2007 18:23

itsfullofstars wrote:OK, vamos então a exemplos. Só neste thread, que não tenho tempo de ir procurar aos outros, e esperando que concordes que iria encontrar muitas coisas semelhantes espalhadas por aí.

A única opinião genérica acerca das quatro antologias que se encontra aqui reza assim:

E como miragem que é por vezes somos tentados a correr ao encontro dum oásis apenas para descobrirmos que estamos perante uma lagoa de areia seca e inerte.
Portanto, temos "miragem" e "lagoa seca e inerte". Bonito. Dá um bocado de sede, mas é bonito. Não vejo é aqui nenhuma indicação de que haja algo de bom a dizer sobre as antologias ou a produção fantástica contemporânea portuguesa. Repito, para que fique claro: esta é a única opinião genérica que aqui se encontra acerca delas. Têm porcarias lá dentro? Então são "uma lagoa de areia seca e inerte". Alguém que me arranje uma garrafinha de água, por caridade, senão desfaleço.


Tendo em linha de conta que ainda não terminei a opinião... e portanto duvido bastante que saibas já de antemão o que ainda vem aí mais adiante poderei talvez argumentar que além desse excerto que citas poderias também ter colocado estes:

Mas nem tudo é mau. Uma boa ideia nesta colectânea foi a ilustração dos contos que pela mão de João Pinto nos oferece alguns desenhos perturbadores, sendo o mais conseguido deles, na minha opinião, o que ilustra o conto de João Seixas. E no geral a própria colectânea consegue, apesar de tudo, estar uns furos qualitativos acima da atrás referida.

No geral esta colectânea é superior à Ficções Científicas e Fantásticas. E muito por culpa da presença de João Barreiros com Se Acordar Antes de Morrer.

Este conto é imperdível e por si só razão mais que suficiente para adquirir o livro.
Visto assim até não parece tão mau o panorama, pois não?

itsfullofstars wrote:Adiante. A opinião sobre a edição em Portugal é resumida em frases como esta:

Perante estas e outras enormidades como é possível acarinhar seja quem for? Terei de passar quantas mais décadas a sustentar com o meu dinheiro incompetências destas até que se atinja o patamar da excelência?


Sublinho a expressão "seja quem for". Um escritor escreve disparates e um editor publica-os, e torna-se "impossível acarinhar seja quem for". Todos os outros são reduzidos ao mesmo nível rasteiro, tenham ou não culpas no cartório. O dinheiro que "sustenta há décadas incompetências destas" nunca serviu para suportar nada que valesse a pena. Perfeitamente. É menos bonito, dá menos sede, mas é igualmente claro.


Bem essa tirada que citas não vem no corpo da opinião que tenho estado a colocar aqui mas sim em reacção a um comentário teu. E deve então ser entendida nesse contexto. Claro que se o busílis é o "seja quem for", admito que tenha generalizado e proponho já aqui que se leia ao invés "quem trata mal os leitores". Fica feita a rasura. Admito o erro e perde substância o que comentas. Fácil.

itsfullofstars wrote:Os absolutos são sempre assim, profundamente embrenhados no âmago das trevas. Por contraste, os raros elogios que fazem plop aqui e ali têm inevitavelmente um mas à frente.


Acredita que mais que ninguém gostaria de que os elogios não tivessem de ser tão raros.

De qualquer forma este espaço é aberto a todos. Aguardo com curiosidade as tuas críticas às antologias da Saída de Emergência e da Chimpanzé Intelectual. Tenho noção das minhas limitações tanto mais que não sou profissional e nunca escrevi nada que se pareça como uma crítica pelo que é muito possível que o teu ponto de vista seja, não só mais informado, como mais interessante para os outros membros do fórum e ocasionais visitantes.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 20 Dec 2007 18:37

itsfullofstars wrote:Que parte de "começa logo por gostar mais daquele que recebeu a menção honrosa do que da porcaria mal escrita e sem ponta de originalidade que o ganhou" é que tenho de te explicar com um desenho, steer? Just kidding. :wink:


Explica antes tudo por desenhos, assim perco menos tempo a ler as respostas. :wink:

itsfullofstars wrote:Um júri é um júri, e uma opinião de júri é uma entre várias possíveis. Tal como a de um crítico. Não é "a verdade" nem nada que se pareça, por mais que se tente promovê-la como tal.


Pá, não sei quem diz isso, os departamentos de marketing de várias editoras, talvez. Se alguma vez dei a impressão de ter afirmado que a opinião de um crítico ou editor é infalível, é porque fui mal compreendido, ou então estava bêbedo.

O que não impede que possa haver um mínimo de objectividade nas opiniões do crítico e que este se esforce por adoptar parâmetros rigorosos na sua avaliação. Tu que alertas para os perigos das generalizações e de ver as coisas a preto e branco devias saber muito bem que o facto da opinião de um crítico não ser "A Verdade" também não implica necessariamente que seja toda ela mentira, ou completamente desfasada da realidade. Não é um espelho perfeito alçado sobre o objecto da crítica, mas daí a reduzi-la ao "ruído aleatório" que concluíste sozinho a partir dos resultados daquela experiência é preciso muita imaginação.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 20 Dec 2007 18:50

Steerpike wrote:Explica antes tudo por desenhos, assim perco menos tempo a ler as respostas. :wink:


Ah, OK, estou a conversar com um miúdo. OK, desculpa lá. Não volta a acontecer.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 20 Dec 2007 18:59

Thanatos wrote:Tendo em linha de conta que ainda não terminei a opinião... e portanto duvido bastante que saibas já de antemão o que ainda vem aí mais adiante poderei talvez argumentar que além desse excerto que citas poderias também ter colocado estes:

Mas nem tudo é mau. Uma boa ideia nesta colectânea foi a ilustração dos contos que pela mão de João Pinto nos oferece alguns desenhos perturbadores, sendo o mais conseguido deles, na minha opinião, o que ilustra o conto de João Seixas. E no geral a própria colectânea consegue, apesar de tudo, estar uns furos qualitativos acima da atrás referida.

No geral esta colectânea é superior à Ficções Científicas e Fantásticas. E muito por culpa da presença de João Barreiros com Se Acordar Antes de Morrer.

Este conto é imperdível e por si só razão mais que suficiente para adquirir o livro.
Visto assim até não parece tão mau o panorama, pois não?


Hm... eu julgava que uma opinião sobre um conto (e um punhado de ilustrações) de um dos livros não se enquadra propriamente na definição de "opinião genérica sobre as quatro antologias". Mas enfim... se calhar engano-me.

Thanatos wrote:Bem essa tirada que citas não vem no corpo da opinião que tenho estado a colocar aqui mas sim em reacção a um comentário teu. E deve então ser entendida nesse contexto. Claro que se o busílis é o "seja quem for", admito que tenha generalizado e proponho já aqui que se leia ao invés "quem trata mal os leitores". Fica feita a rasura. Admito o erro e perde substância o que comentas. Fácil.


Fica sempre bem. Acontece que esta tirada que cito não é caso isolado, antes companheira de todo um bando de tiradas semelhantes que estão espalhadas por aí fora. Não é erro pontual: é costume. Assim o que era fácil torna-se menos.

Thanatos wrote:Tenho noção das minhas limitações tanto mais que não sou profissional e nunca escrevi nada que se pareça como uma crítica


Estou um pouco confuso. Então o que é isto e isto? Macacos me mordam que se não são críticas, parecem.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 20 Dec 2007 19:37

Então o que é isto e isto? Macacos me mordam que se não são críticas, parecem.
Não as escrevi como críticas. Entendo-as sempre como opiniões. Se parecem é porque a linha divisória é sempre de difícil definição.

eu julgava que uma opinião sobre um conto (e um punhado de ilustrações) de um dos livros não se enquadra propriamente na definição de "opinião genérica sobre as quatro antologias". Mas enfim... se calhar engano-me.


Enganas-te sim porque também sobre a outra colectânea tenho coisas boas a dizer sobre os contos do Luís Filipe Silva e do David Soares. Estão lá para quem quiser ler. E sobre A Sombra sobre Lisboa também terei coisas boas a dizer. Portanto se pretendes continuar agarrado a uma tirada de abertura dum texto que vai terminar longo e a partir daí extrapolar para a forma como eu penso sobre as antologias, estás à vontade.

Acontece que esta tirada que cito não é caso isolado, antes companheira de todo um bando de tiradas semelhantes que estão espalhadas por aí fora. Não é erro pontual: é costume.


E então? Deverei fechar os olhos ao que está mal? Podes crer que enquanto as coisas não derem a volta (e acredito que por cá estejam lentamente a dar a volta) continuarei a carregar forte sobre quem oferece produtos abaixo do limiar do aceitável. Faço-o com portugueses e faço-o com estrangeiros. Repara que nas opiniões que andam por aí escritas por mim aos livros editados pela Hodder & Stoughton refiro sempre o imenso maralhal de gralhas que abundam nas páginas. Se outros passam a vida a descascar nos tradutores ou nas editoras nacionais isso ultrapassa-me, como é evidente. Tal como tu és hoje em dia também eu já traduzi profissionalmente e também já trabalhei em editoras e sei quais a pressões de lado a lado. Há coisas desculpáveis e entendíveis. Há outras que nem por isso.

Quando escrevo que A, B ou C deram mau produto aos consumidores refiro-o sempre como leitor que sou acima de tudo. Como consumidor que sou com direitos adquiridos. E porque em última análise sei que, com um bocadinho mais de esforço, tinha-se chegado ao patamar do satisfatório (já nem pedindo o bom ou óptimo) tendo em conta as limitações e imposições do meio em que se está inserido. Não quero que o Chimpanzé Intelectual esteja já ao nível duma Tor ou Harper Collins. Mas quero que não me faça pagar por umas Mariquices. Entendes isso?

Repara que se eu tivesse mesmo todo esse desprezo que tu queres fazer crer que tenho pelo meio em geral e pelo fandom em particular não me dava ao trabalho de andar aqui a escrever opiniões, nem a responder-te, nem a publicar um e-zine nem nada dessas coisas que tu próprio já definiste como dando uma trabalheira do caraças e que mais vale cruzar os braços e ver o circo. Bastava-me simplesmente recostar-me no sofá e jogar X-box 360 com o puto. Acredita que era muito menos desgastante.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby pco69 » 20 Dec 2007 21:30

Posso resumir o que vi neste post?

Não vou falar da troca de opiniões. São boas como diversão, mas não servem de esclarecimentos sobre se determinados livros são bons (na opinião de que escreve os post), ou se não valem mesmo o gasto de dinheiro.

O 'Ficções Científicas e Fantásticas' vale a pena ser comprado por ter dois (ou três) contos bons
O 'Sombras sobre Lisboa', vale a pena ser comprado porque tem dois (ou três) contos bons

Todos dos mesmos autores

O que eu gostaria era de ver mais livros desses autores.....

Luis Filipe Silva, João Seixas e João Barreiros

P.S.) Já agora, quem é que editou (e vai editar o resto da trilogia) 'A Bondade dos Estranhos - João Barreiros'?
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Ficções à portuguesa

Postby acrisalves » 20 Dec 2007 23:13

:pcorn:
depois de tanta conversa, já estou é perdida - onde estão as criticas (ou opiniões) de que trilogia, em que pagina, e onde está a outra metade do mesmo texto...

Quanto as trilogias... não tanto ao mar nem tanto a terra, mas em relacção às ficções científicas e fantásticas, tenho que concordar que tem muita coisa esquecível ao lado de coisas más como da CPC (e não sei o que é pior, ser mau ou ser esquecível...). Em comparação, gostei mais da colectânea A Sombra Sobre Lisboa...

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 01:40

pco69 wrote:O que eu gostaria era de ver mais livros desses autores.....

Luis Filipe Silva, João Seixas e João Barreiros

P.S.) Já agora, quem é que editou (e vai editar o resto da trilogia) 'A Bondade dos Estranhos - João Barreiros'?


Muitos mais gostavam de ver mas a vida é assim. De qualquer forma o Luís disponibilizou recentemente um ebook grátis contendo o texto integral do primeiro livro dele que inclusive venceu um prémio da Caminho. Visita o site TecnoFantasia.com para lhe acederes. O Jão Seixas não publica muita coisa mas podes lê-lo também online no site E-nigma. O Barreiros é o que está mais acessível nas livrarias. Tens da Presença A Verdadeira Invasão dos Marcianos, da Chimpanzé Intelectual, A Bondade dos Estranhos - O Projecto Candy Man e nalgumas livrarias ainda encontras O Caçador de Brinquedos e o Terrarium ambos da Caminho. Online também podes lê-lo no E-nigma e no Infinity +

O resto da trilogia faz sentido que seja publicado na mesma editora a Chimpanzé Intelectual.
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