Ficções Científicas & Fantásticas - Vários

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Thanatos
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 01:45

acrisalves wrote::pcorn:
depois de tanta conversa, já estou é perdida - onde estão as criticas (ou opiniões) de que trilogia, em que pagina, e onde está a outra metade do mesmo texto...


Hã? :unsure:

Referes-te à opinião que tenho vindo a meter aqui?

Aqui fica um índice de leitura em hyperlink: Post 1; Post 2; Post 3; Post 4; Post 5; Post 6.

Quanto à trilogia não entendo a que te referes bem como também me escapa essa da metade do texto.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 21 Dec 2007 04:35

itsfullofstars wrote:Ah, OK, estou a conversar com um miúdo. OK, desculpa lá. Não volta a acontecer.


Zing! Toma, que já almoçaste!

Abraços,
Luís
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 21 Dec 2007 04:44

As edições da Caminho é que já não se encontram com a mesma facilidade de antes, o que é pena, porque tanto o GalxMente do Luís Filipe Silva como os dois livros do João Barreiros valem a pena ser lidos. Talvez encomendando do site da editora, ou na nova Byblos, ou num alfarrabista (nas Escadinhas do Duque vi um exemplar do _Terrarium_ --- ao preço escandaloso que estava, provavelmente ainda lá se encontra) ou numa das várias feiras do livro que se vão organizando por esse país fora.

Abraços,
Luís
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 12:06

Steerpike wrote:ou num alfarrabista (nas Escadinhas do Duque vi um exemplar do _Terrarium_ --- ao preço escandaloso que estava, provavelmente ainda lá se encontra) ou numa das várias feiras do livro que se vão organizando por esse país fora.

Abraços,
Luís


Por acaso esse exemplar já foi meu. :mrgreen4nw: E se achas 21 euros escandaloso tens de ir ver o exemplar à venda na Ler Devagar por 82 euros. Sim leste bem. Ointenta e dois euros! Até perguntei à menina se não era engano.

A bem da verdade o Terrarium nunca foi muito barato. Tendo em conta que foi publicado em 1996 a uns quatro contos, que na altura era obra. No entanto já vai aparecendo nas feiras do livro a 10 ou 15 euros. É ter paciência e olho.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 21 Dec 2007 15:46

Steerpike wrote:
itsfullofstars wrote:Ah, OK, estou a conversar com um miúdo. OK, desculpa lá. Não volta a acontecer.


Zing! Toma, que já almoçaste!


Não sei se almoçaste ou não, mas na altura em que eu escvrevi isso a tua frase sobre os desenhos era a única resposta ao meu post. Depois editaste o teu e acrescentaste mais uns parágrafos, como quem não quer a coisa. E, claro, sem fazer qualquer referência ao edit. Lamento, mas decididamente não me apetece "conversas" geridas desta maneira, portanto o acrescento vai mesmo ficar sem resposta.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Steerpike » 21 Dec 2007 16:05

itsfullofstars wrote:Não sei se almoçaste ou não, mas na altura em que eu escvrevi isso a tua frase sobre os desenhos era a única resposta ao meu post. Depois editaste o teu e acrescentaste mais uns parágrafos, como quem não quer a coisa. E, claro, sem fazer qualquer referência ao edit. Lamento, mas decididamente não me apetece "conversas" geridas desta maneira, portanto o acrescento vai mesmo ficar sem resposta.


É difícil resistir a mais uma resposta, não é? Por isso mesmo fiz o acrescento, senão ficava-me por ali e não perdia mais tempo a argumentar com alguém que insiste que nós só andamos aqui no mal-dizer (e a maldizer sem razão para tal, porque afinal a literatura portuguesa é toda de lamber os dedos, principalmente o fantástico e a ficção científica) e que a crítica não passa de ruído aleatório, nem se coíbe de citar frases fora de contexto só para não ter de admitir que se calhar as outras pessoas não são tão estúpidas ou provincianas quanto ele as acha.

Responde se quiseres, mas vê lá se desta vez fazes o tal desenho.

Abraços,
Luís

PS: Esta mensagem foi editada 502 vezes antes de a teres lido. 204 depois.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 21 Dec 2007 16:10

Thanatos wrote:
Então o que é isto e isto? Macacos me mordam que se não são críticas, parecem.
Não as escrevi como críticas. Entendo-as sempre como opiniões. Se parecem é porque a linha divisória é sempre de difícil definição.


E também serve para aliviar responsabilidades, não é verdade? Se alguém vier protestar ao estilo "então que porcaria de crítica foi aquela que coiso e tal" pode-se sempre argumentar "ah, não é uma crítica, é uma opinião", esperando que o outro responda "ah, então se é opinião está bem".

Pois.

Thanatos wrote:
eu julgava que uma opinião sobre um conto (e um punhado de ilustrações) de um dos livros não se enquadra propriamente na definição de "opinião genérica sobre as quatro antologias". Mas enfim... se calhar engano-me.


Enganas-te sim porque também sobre a outra colectânea tenho coisas boas a dizer sobre os contos do Luís Filipe Silva e do David Soares. Estão lá para quem quiser ler. E sobre A Sombra sobre Lisboa também terei coisas boas a dizer. Portanto se pretendes continuar agarrado a uma tirada de abertura dum texto que vai terminar longo e a partir daí extrapolar para a forma como eu penso sobre as antologias, estás à vontade.


:blink:

Tentando de novo, de maneira diferente.

Que eu saiba, o significado de "opinião genérica sobre as quatro antologias" é... er... uma... hm... opinão... er... genérica sobre... er... as quatro antologias. Um apanhado global. Um resumo que diga "destes quatro livros retém-se, em geral, o seguinte: blá blá blá". Uma visão de conjunto que os junte (por isso é de conjunto) aos quatro. Aos quatro.

Opiniões sobre cada um dos livros são... er... opiniões sobre... hm... um dos livros. Coisas individualizadas. Não são "opiniões genéricas sobre as quatro antologias" pela simples razão de que só se debruçam sobre uma delas. Certo? Espero que sim, porque não sei ser mais claro do que isto.

E quem quiser obter de tudo isto uma "opinião genérica sobre as quatro antologias", a única coisa que encontra é a tal "tirada de abertura". Os elogios (seguidos de mas, pois claro) estão todos guardados para opiniões particulares sobre uma ou outra das antologias.

Thanatos wrote:E então? Deverei fechar os olhos ao que está mal? Podes crer que enquanto as coisas não derem a volta (e acredito que por cá estejam lentamente a dar a volta)


:see_stars:

Com esta é que fiquei completamente abananado. Juro que pelo que tenho aqui lido nunca me passaria pela cabeça que acreditasses em tal coisa. Pelo contrário, estava convencido de que achavas que a merda é a mesma de sempre, ainda que em baldes diferentes, que os autores são os mesmos de sempre, sem renovação nem ninguém com um mínimo de qualidade além dos três ou quatro do costume, que os editores são todos a mesma corja de sempre, que fora esses dedos de uma mão cada vez se escreve pior, etc., etc., etc. E etc.

Nem sei o que diga. Para lá de que se calhar isso confirma a minha teoria de que há um valente excesso de pedrada, de tal modo excessivo que nem sequer reflecte convenientemente as opiniões reais das pessoas. Se calhar. E só se calhar, que depois desta ir além do "se calhar" não é para mim.

Thanatos wrote:Não quero que o Chimpanzé Intelectual esteja já ao nível duma Tor ou Harper Collins. Mas quero que não me faça pagar por umas Mariquices. Entendes isso?


Isso entendo. Perfeitamente, mesmo. Aquele conto (?) é execrável. O que não entendo é que se faça dele o centro, o foco e quase que se diria o conteúdo último de toda a antologia. Julgando pela quantidade de texto que já foi escrito a propósito daquela merda, dir-se-ia que tudo o resto que o livro contém não passa de batatas e cenouras e que aquilo é que é o bife, quando é precisamente o contrário que é verdade. Entendes isso?

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 18:24

itsfullofstars wrote:E também serve para aliviar responsabilidades, não é verdade? Se alguém vier protestar ao estilo "então que porcaria de crítica foi aquela que coiso e tal" pode-se sempre argumentar "ah, não é uma crítica, é uma opinião", esperando que o outro responda "ah, então se é opinião está bem".


Então mas agora já se deve protestar sobre as opiniões e/ou críticas? Mas alguém se dá a esse trabalho? Não será mais interessante em vez de gastar rios e rios de bytes pegar e orientar todo esse esforço em dizer: não concordo com o que escreveste (seja lá crítica ou opinião ou boca foleira) porque o que eu penso deste livro é isto assim e assim. Aliviar responsabilidades? Essa é que era boa. Quem me quer ler, lê. Quem não gosta mete na borda do prato. Mas isto tudo era mesmo a propósito do quê?



itsfullofstars wrote:Tentando de novo, de maneira diferente.

Que eu saiba, o significado de "opinião genérica sobre as quatro antologias" é... er... uma... hm... opinão... er... genérica sobre... er... as quatro antologias. Um apanhado global. Um resumo que diga "destes quatro livros retém-se, em geral, o seguinte: blá blá blá". Uma visão de conjunto que os junte (por isso é de conjunto) aos quatro. Aos quatro.


Erhmmm e agora sou eu que pergunto. Onde tiraste tu a conclusão que aquilo é a opinião genérica sobre as quatro antologias? Quer dizer tu pegas numa frase minha, sacodes-lhe o contexto, espetas com ela num comentário, afirmas categoricamente que é a opinião genérica sobre quatro antologias e passadas algumas horas tornou-se verdade. É que chegou a um ponto que eu próprio tive de ir ler o que escrevi porque já estava na dúvida. De qualquer forma se te perturba tanto o que lá está é como já disse anteriormente e volto a repetir, diz tu o que achas das antologias e fica por aí para quem quiser ler. Nada como haver pluralidade de opiniões e pontos de vistas, não concordas? Até faço melhor: manda-me por PM como queres que eu escreva o princípio da minha opinião que eu altero-o e dou-te os créditos. E se quiseres manda até o resto do que falta escrever com as orientações que aches por bem eu meter na minha opinião. E não nos chateamos mais.




itsfullofstars wrote:Pelo contrário, estava convencido de que achavas que a merda é a mesma de sempre, ainda que em baldes diferentes, que os autores são os mesmos de sempre, sem renovação nem ninguém com um mínimo de qualidade além dos três ou quatro do costume, que os editores são todos a mesma corja de sempre, que fora esses dedos de uma mão cada vez se escreve pior, etc., etc., etc. E etc.


Por acaso e como já referi não penso necessariamente isso. Senão não andava por cá a chatear-me. Por incrível que pareça até tenho vida para além dos fóruns e muitas vezes essa dá-me mais alegrias que andar por aqui a pregar no deserto. Mas olha que pensando bem nisso que escreves será que a verdade anda tão longe disso? A merda não é a mesma? Não são sempre os mesmos? Sabes o que me disse uma pessoa que foi ao fórum fantástico este ano? "Epá isto são sempre os mesmos gajos, já quando fui ao lançamento do Senhor Bentley estavam lá estes gajos..." e esta é a opinião genuína de quem está de fora. Tu até podes conhecer muito e boa gente e todos eles produzem obras primas ignoradas mas a face visível continuam a ser a mesma meia dúzia de gatos pingados vai para décadas. Se achas que não, se achas que isto já mudou e muito desde a década de 80, então more power to you. Eles que venham!


itsfullofstars wrote:Isso entendo. Perfeitamente, mesmo. Aquele conto (?) é execrável. O que não entendo é que se faça dele o centro, o foco e quase que se diria o conteúdo último de toda a antologia. Julgando pela quantidade de texto que já foi escrito a propósito daquela merda, dir-se-ia que tudo o resto que o livro contém não passa de batatas e cenouras e que aquilo é que é o bife, quando é precisamente o contrário que é verdade. Entendes isso?


A questão vai mais longe do que isso. É toda a envolvência que está pelo simples facto de estar ali aquele conto e não outro. Se o Miguel Neto diz que quer dignificar o género e depois enfia com aquilo ali que queres que um gajo pense? Já reparaste como era simples ao Miguel Neto entrar no E-nigma ler os contos que lá estão e contactar os autores, gente com obra feita? Achas que ele fez isso? Achas sequer que ele sabe que por essa net fora há blogues e sites com ficção brasileira e portuguesa? O que me irritou no Mariquices não é ser a merda que é mas é o estar a ocupar o lugar de outra coisa muito mais válida. O que ali deveria estar era um texto de alguém que de facto gosta de escrever dentro do género. E quanto ao resto do livro ser o bife... epá são opiniões e cada qual tem a sua. Como já me cansei de referi estou curioso de conhecer a tua porque até agora só consegui conhecer a tua opinião da minha opinião e às tantas parece que estamos perdidos num conto do Borges.

Fica bem.
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Ray_of_Darkness » 21 Dec 2007 19:14

Thanatos wrote:Então mas agora já se deve protestar sobre as opiniões e/ou críticas? Mas alguém se dá a esse trabalho? Não será mais interessante em vez de gastar rios e rios de bytes pegar e orientar todo esse esforço em dizer: não concordo com o que escreveste (seja lá crítica ou opinião ou boca foleira) porque o que eu penso deste livro é isto assim e assim. Aliviar responsabilidades? Essa é que era boa. Quem me quer ler, lê. Quem não gosta mete na borda do prato. Mas isto tudo era mesmo a propósito do quê?


Concordo com o Thanatos. Acho que este tópico foi criado com um determinado propósito e está a descambar para coisas que não têm nada a ver. Eu gostei de ler as opiniões e gostava de ler mais. Quem não as achar correctas devia era contribuir com as suas em vez de andar a comentar as dos outros...


Thanatos wrote:Como já me cansei de referi estou curioso de conhecer a tua porque até agora só consegui conhecer a tua opinião da minha opinião e às tantas parece que estamos perdidos num conto do Borges.


Até eu estou curiosa. Depois de tantos comentários, nenhum a dar a sua opinião, fico a pensar se terá alguma...

itsfullofstars, desculpa mas acho que distorceste algumas coisas. Não achei que o Thanatos dissesse mal "só porque sim". Tudo o que ele disse foi fundamentado.

Uma coisa é verdade. Poucas vezes as pessoas ganham alguma coisa por ter mérito neste país. Acho que em vez de porem uma "escritora" famosa a escrever um conto de uma área que não é a dela, deveriam ter apostado num "desconhecido" que soubesse o que faz. E como este caso, há vários. E não só na literatura.
E se não achamos que as coisas estejam bem, se não concordamos com a forma que as coisas são geridas por quem manda, devemos reclamar e tentar que as coisas sejam cada vez melhores. Sem sugestões, críticas ou reclamações as coisas não evoluem. Se o público não for exigente e "comer" qualquer coisa que lhe ponham à frente, porque é que hão-de gastar recursos e aplicar-se para melhorar? Há que ser exigente! :thumbsup:
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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 21 Dec 2007 19:30

Ray_of_Darkness wrote:Uma coisa é verdade. Poucas vezes as pessoas ganham alguma coisa por ter mérito neste país. Acho que em vez de porem uma "escritora" famosa a escrever um conto de uma área que não é a dela, deveriam ter apostado num "desconhecido" que soubesse o que faz. E como este caso, há vários. E não só na literatura.
E se não achamos que as coisas estejam bem, se não concordamos com a forma que as coisas são geridas por quem manda, devemos reclamar e tentar que as coisas sejam cada vez melhores. Sem sugestões, críticas ou reclamações as coisas não evoluem. Se o público não for exigente e "comer" qualquer coisa que lhe ponham à frente, porque é que hão-de gastar recursos e aplicar-se para melhorar? Há que ser exigente! :thumbsup:


Pois há, a questão é como se deve expressar a exigência. Há quem ache que os cães se treinam batendo-lhes com um jornal quando se portam mal, mas os treinadores profissionais de cães usam outro método muito mais eficaz: o reforço positivo, que manda dar-lhes atenção e fazer-lhes festas quando se portam bem.

Neste país, toda a gente usa o jornal. Se fosse só o thanatos e se fosse só na literatura estávamos nós bem. Mas não é: é a todos os níveis. Também eu sou culpado de andar por aí a brandir jornais a torto e a direito, mas a verdade é que cada vez estou mais farto desta atitude generalizada e quanto mais o tempo passa mais me convenço que os cães se educam é com o reforço positivo, não com jornaladas.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Ray_of_Darkness » 21 Dec 2007 20:15

itsfullofstars wrote:Neste país, toda a gente usa o jornal. Se fosse só o thanatos e se fosse só na literatura estávamos nós bem. Mas não é: é a todos os níveis. Também eu sou culpado de andar por aí a brandir jornais a torto e a direito, mas a verdade é que cada vez estou mais farto desta atitude generalizada e quanto mais o tempo passa mais me convenço que os cães se educam é com o reforço positivo, não com jornaladas.


O problema é que o reforço positivo neste país não faz andar para a frente. As coisas só mudam quando se escreve no livro de reclamações ou quando há a (tão famosa e agora odiada) inspecção.

Mas eu gostava mesmo era de ler mais opiniões sobre o que se vai escrevendo por cá no domínio da ficção científica/terror/fantástico/suspense. :pcorn:

Para outras questões, mais ou menos filosóficas/sociológicas/antropológicas/políticas, podem abrir outro tópico... :devil:
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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 21 Dec 2007 20:21

Thanatos wrote:Erhmmm e agora sou eu que pergunto. Onde tiraste tu a conclusão que aquilo é a opinião genérica sobre as quatro antologias?


A literatura de género em Portugal, (...) é uma miragem em tudo semelhante à que os afoitos viajantes dos desertos da África do Norte sentem em determinadas horas do dia. E como miragem que é por vezes somos tentados a correr ao encontro dum oásis apenas para descobrirmos que estamos perante uma lagoa de areia seca e inerte.
Realmente, não consigo imaginar de onde terei eu tirado essa ideia estapafúrdia... :unsure:

Thanatos wrote:Mas olha que pensando bem nisso que escreves será que a verdade anda tão longe disso? A merda não é a mesma? Não são sempre os mesmos? Sabes o que me disse uma pessoa que foi ao fórum fantástico este ano? "Epá isto são sempre os mesmos gajos, já quando fui ao lançamento do Senhor Bentley estavam lá estes gajos..." e esta é a opinião genuína de quem está de fora. Tu até podes conhecer muito e boa gente e todos eles produzem obras primas ignoradas mas a face visível continuam a ser a mesma meia dúzia de gatos pingados vai para décadas. Se achas que não, se achas que isto já mudou e muito desde a década de 80, então more power to you. Eles que venham!


Como a net é porreira, até que se pode saber se sim, se não. Vamos a isso? Os autores presentes nas tais antologias e as datas que consegui encontrar para o início de actividade no género (e às vezes fora dele) são:

Rui Zink - Parece que anda nisto desde 1984, mas não encontrei nada de género antes de 2000
David Soares - Depois de BDs em 2000, publicou prosa pela primeira vez em 2001
João Barreiros - Depois de uma edção de autor em 1977, só começou a publicar regularmente em 1988
Miguel Vale de Almeida - Primeira coisa de género publicada parece ter saído em 1998
Clara Pinto Correia - esta não conta
Luísa Costa Gomes - já anda nisto pelo menos desde 1985
Miguel Neto - não sei de nada antes de 2006
Luís Filipe Silva - as primeiras coisas datam de 1988, ao que parece
Manuel João Vieira - como o Neto
Baptista-Bastos - velhinho, mas nunca o vi nestas andanças antes de 2007
Possidónio Cachapa - parece que começou a publicar em 1997, mas também nunca o vi metido nisto antes de 2007
Pedro Martins - Novo; 2007
João Tordo - parece ter estreado em 2004; no género, em 2007
João Seixas - primeiras coisas datam de 1990
Guilherme Trindade Filipe - Novo; 2007
António de Macedo - Primeiro livro é de 1992
Fernando Ribeiro - Parece que só se meteu nisto da prosa em 2006, apesar das letras góticas das canções dos Moonspell
Rogério Ribeiro - Primeiro conto em 2006
Safaa Dib - Idem
João Henrique Pinto - Parece que idem
Rhys Hughes - é traduzido, não conta
José Manuel Lopes - E parece que é mais um idem
Yves Robert - Primeiras coisas datam de 1998
Vasco Curado - Parece que arrancou em 1999
João Ventura - Um conto em 1982; depois só começou a publicar regularmente em 2001
Wolmyr Alcantara - Novo em Portugal e, ao que parece, também no seu Brasil natal; 2007
Octavio Aragão - Estreia no Brasil em 2000; em Portugal em 2007
Jorge Candeias - começou a publicar em 1998
Gabriel Boz - estreou no Brasil em 1999, em Portugal em 2002
Telmo Marçal - começou a publicar em 2003
Carlos Orsi - parece ter estreado no Brasil algures entre 1990 e 1993; em Portugal foi em 2000
Carlos Patati - não consegui descobrir data de estreia no Brasil; em Portugal foi em 2007
Sofia Vilarigues - parece que anda nisto desde 2000 ou 2001, mas no género só desde 2007
Maria Helena Bandeira - parece ter estreado no Brasil em 1992; em Portugal terá sido em 2001
António Candeias - primeiras coisas datam de 2000
Carla Cristina Pereira - parece ter estreado em 1998

Vejo aqui muitas datas do século XXI, muitas datas dos anos 90, um punhado dos anos 80, e uma dos anos 70.

Portanto parece que sim, que muita coisa mudou desde os anos 80...

Thanatos wrote:A questão vai mais longe do que isso. É toda a envolvência que está pelo simples facto de estar ali aquele conto e não outro. Se o Miguel Neto diz que quer dignificar o género e depois enfia com aquilo ali que queres que um gajo pense? Já reparaste como era simples ao Miguel Neto entrar no E-nigma ler os contos que lá estão e contactar os autores, gente com obra feita? Achas que ele fez isso? Achas sequer que ele sabe que por essa net fora há blogues e sites com ficção brasileira e portuguesa? O que me irritou no Mariquices não é ser a merda que é mas é o estar a ocupar o lugar de outra coisa muito mais válida.


Teria sido era porreiro que tivesses dito isso mesmo logo de partida. Mas não. O que eu vejo é uma longa diatribe (tua e não só) acerca da porcaria que é o Mariquices, de tal modo longa que põe os outros contos num absoluto segundo plano. Se tivesse dito isso logo de início, eu até concordava, embora também adiantasse que é bom que a colectânea tenha saído apesar do Mariquices (e de outras coisas também muito mazinhas que tem), se bem que talvez fosse melhor que não tivesse sido aquele o livro a ser distribuído com o Público, como se estivesse ali o que o género tem de melhor. coisa que está muuuuito longe de ser verdade.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby itsfullofstars » 21 Dec 2007 21:05

Ray_of_Darkness wrote:O problema é que o reforço positivo neste país não faz andar para a frente.


Não? Mas alguém neste país perde tempo a fazer reforço positivo, por acaso?

Ray_of_Darkness wrote:As coisas só mudam quando se escreve no livro de reclamações


E tem dado um resultado excelente, não há dúvida. Basta olhar em volta para ver o paraíso em que essa atitude nos deixou.

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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 21:10

itsfullofstars wrote:
Thanatos wrote:Erhmmm e agora sou eu que pergunto. Onde tiraste tu a conclusão que aquilo é a opinião genérica sobre as quatro antologias?


A literatura de género em Portugal, (...) é uma miragem em tudo semelhante à que os afoitos viajantes dos desertos da África do Norte sentem em determinadas horas do dia. E como miragem que é por vezes somos tentados a correr ao encontro dum oásis apenas para descobrirmos que estamos perante uma lagoa de areia seca e inerte.
Realmente, não consigo imaginar de onde terei eu tirado essa ideia estapafúrdia... :unsure:


Falta aí uma bocado da citação:
Assim foi a sensação que me ficou após a leitura de duas colectâneas de contos duma nova editora que em pouco mais de um ano arriscou trazer ao público português os géneros da ficção científica e do terror. A iniciativa em si merece todos os aplausos não fosse a execução final cair tão longe do óptimo e defraudar violentamente as expectativas dos leitores ávidos de produção nacional.
Assim talvez fique mais claro aquilo que eu pretendia dizer sobre a diferença entre dois e quatro.


itsfullofstars wrote:Teria sido era porreiro que tivesses dito isso mesmo logo de partida. Mas não. O que eu vejo é uma longa diatribe (tua e não só) acerca da porcaria que é o Mariquices,


Mas não foi o que eu escrevi?
De facto se lermos na contracapa as intenções do editor que escreve: “[A FC e o Fantástico]têm sido literaturas marginalizadas e consideravelmente ignoradas pelo público. (…) foi precisamente com o intuito de modestamente contribuir para uma eventual mudança de cenário que [a editora] resolveram levar à estampa estas [colectânea]” e seguirmos de imediato para as Mariquices o que nos resta senão considerar que a CPC nos escarrou na cara? Isto é como se o editor nos estivesse o tempo todo a perorar sobre haute cuisine e no fim nos metesse um prato com bosta fumegante (de elefante africano) à frente.


Não fui tão longe porque não me interessava estabelecer a ponte para a ideia de que havia alternativas ao que estava ali publicado, até porque já o Seixas, melhor do que eu, referiu precisamente isso no blogue dele. Mas digo-o agora que venho sempre a tempo.

outro método muito mais eficaz: o reforço positivo


Além do facto de continuar a comprar os livros e por vezes até mais do que um exemplar não vejo que outro tipo de reforço positivo lhes posso dar. Claro que se quiserem podem mandar-me a morada que ainda lhes faço chegar a tempo um cabaz de Natal para a ceia dos rapazes.

Entretanto estas respostas vão-me "comendo" o tempo que tenho para colocar aqui o resto da opinião... se fosse adepto da teoria da consipração até diria que é uma estratégia de moratória. :mrgreen4nw:
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Re: Ficções à portuguesa

Postby Thanatos » 21 Dec 2007 21:14

Ahhh e esqueci-m de comentar o tal apanhado de nomes que andam por aqui e supostamente provam à sagacidade que já não é sempre a mesma coisa. É que falta lá mostrar a quantidade (já que da qualidade é difícil) de material que esses nomes todos produziram.

O estranho é que desde há uns anos que tenho zines e com tanta gente a escrever nunca me aparecem submissões desses nomes todos. Deve ser porque não estão para rebaixar o seu talento e bom nome a verem-se publicados em coisitas menores. Atenção que esta diatribe é mais direccionada ás hostes nacionais já que os brasileiros têm, no geral, uma muito maior dinâmica e empenho, já para não falar de que não têm problema em aparecerem seja onde for, desde zines a livros de editoras de mérito. São um caso à parte e um exemplo a seguir, na minha opinião. Pelo menos fazem barulho mas também têm obra feita para mostrar.
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