Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Todos os meses é proposto um novo autor para leitura e discussão pelos foristas.

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Arsénio Mata
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Arsénio Mata » 17 Nov 2011 20:09

Thanatos, estou tão feliz! Nunca concordei tanto contigo! :twisted: :mrgreen:

Muitas vezes quando estou a ler, há certas referências que desconheço ou que não consigo perceber, mas não há-de ser isso que me vai impedir de desfrutar de um bom livro. Eu pessoalmente não tenho paciência nenhuma para ler com a enciclopédia ou o diccionário à mão e muitas vezes é pelo contexto que chego lá.

E mais daqui a pouco venho aqui pôr a citação do ALA que prometi há uns posts atrás, para o uruk não me dar uma paulada (e para ver se ganho o tal chocolate...). :mrgreen:
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Sharky » 17 Nov 2011 21:28

Concordo com o Thanatos, às vezes vais até ao osso quando o que se pede é uma leitura descontraída e livre de pressões.
Qual é a pressa para ler um livro? Estás a fazer números de leitura? Desafios literários?
Epá ninguém precisa de ser um génio para tirar prazer da leitura, tudo bem que às vezes queremos saber demais mas isso é normal.
Agora se não estás preparado para ler determinado livro mas que alguém te diz " Epá não pegues nesse, lê antes este e tal, vais gostar e naum sei kê ", aí esquece, vais estar sempre a pensar noutra coisa qualquer e vês-te obrigado a ler o que te aconselharam.
Lê o que tu quiseres com calma e apreciando, livra-te de obrigações e *intelhices :tu:

Se leres o " Os Cus de Judas " primeiro, aposto que vais ter uma opinião diferente B)

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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Pedro Farinha » 17 Nov 2011 21:32


Sobre a leitura

Eu faço parte dos que não interrompem a leitura por desconhecer uma palavra, não perceber uma referência ou uma intertextualidade. No entanto, não raras vezes, quando pouso o livro mais tarde, acabo por ir à procura e, quando me parece relevante, volto atrás no livro para uma segunda leitura do parágrafo em questão ou mesmo da página.
Mas nem sempre o faço, o prazer da leitura não se coaduna com a desmontagem das palavras, a busca dos significados, o esmiuçar desmedido. Posso fazê-lo e faço-o com gosto, mas nunca numa primeira leitura e mesmo quando me quedo a saborear uma fatia de prosa é para mastigar bem as palavras, sentir o suco a escorrer delas, mas sem a preocupação de olhar para se tem figuras de estilo ou de que forma o autor conseguiu produzir em mim a imagem que produziu.
Como num quadro impressionista: É a imagem que salta com toda a sua expressão e envolvência, não olho para cada pincelada que provoca esse efeito em mim, mas sim para a impressão global da pintura. Se for ver a técnica da pintura (e percebesse algo do assunto) acho que a visualização da obra perderia o seu encanto.

Sobre a não percepção do inicio dos livros
É muito comum em mim. Tantos são os livros que ao fim da primeira, segunda, terceira página, ainda não estou a perceber onde estou, quem é quem, o que se passa. Pode ser burrice minha mas, até agora, sempre pensei que isso também acontecia com os outros (será que me vão desmentir e atirar para o sofá?). Depois, ao prosseguir a leitura, tudo vai fazendo sentido, as peças encaixam, o edifício ergue-se e algumas vezes, no final do livro, volto a ler o princípio.

Sobre a minha experiência com o Lobo Antunes

Não comecei pelo primeiro mas sim pelos Cus. E não senti nenhuma dificuldade na percepção, apenas um cansaço inicial no excesso de adjectivação, na riqueza da linguagem e no aparecimento de palavras inesperadas que estranhamente ilustravam na perfeição algo para que nunca tinham sido sonhadas.

No topo de uma espécie de Parque Eduardo VII em ponto pequeno bordado de palmeiras hemofílicas cujos ramos rangiam protestos de gavetas perras…

Estão a ver, brilhante não?

Depois dei um salto de leão para O arquipélago da insónia e aí baralhou-me a quebra abusiva de toda e qualquer regra gramatical, sintáctica e de fluído de narrativa.

A olhar-me de banda
- Não faz nada este
(rujas, aos te)
E para além dos ordenados as facturas por pagar aumen
(xugos ou á cachorra do meu avô que se despedia…

Desconcertante…

Esse livro deu-me prazer por alguns parágrafos deslumbrantes e ardiloso, mas não consegui tirar prazer do livro como um todo.
Agora que já li, também, a Memória de elefante, O meu nome é legião, o Manual dos inquisidores e a Explicação dos pássaros já me entendo com esta forma de escrita que se estranha e entranha, com esta mudança constante de narrador e de tempo, a ausência de friso cronológico e o excesso de condimentação.
Curiosamente, o livro que estou a ler actualmente – Auto dos danados, do ponto de vista da facilidade da escrita é o mais directo de todos, ainda que o narrador vá mudando, fá-lo ordeiramente no final de cada capítulo.

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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 17 Nov 2011 22:51

Como prometido, aqui fica um excerto do Explicação dos Pássaros. Diria que é bastante representativo do estilo de escrita neste livro, apesar de haver algumas variações agudas aqui e ali ao longo da narrativa (até ao ponto onde estou, pelo menos). Está recheado de características que são típicas a este autor, embora aqui apresentadas de uma forma algo serena e espaçada (lê-se com fluidez e consegue-se apreciar sem sobressaltos) para aquilo que lhe conheço. Notem como começa algumas frases na terceira pessoa para logo depois mudar abruptamente para primeira...

«
Levantou-se duas vezes de noite, agoniado e convulso, para vomitar aos arrancos, inclinado para a frente, pedaços semidesfeitos de iscas na retrete, tão tonto, tão pálido, tão maldisposto que pensou, aterrorizado, Vou morrer, enquanto a mulher se voltava para um lado e para o outro, porque a luz, os passos, os ruídos de aflição da minha garganta deviam invadir desagradavelmente o seu sono, como a campainha do despertador, na mesa de cabeceira quase encostada à bochecha, se enterra de manhã à laia de um estilete pelo ouvido dentro. Deviam ser cinco ou seis horas, a alma saía-lhe em pedaços gelatinosos pela boca murcha, e acabei por sentar-me em cuecas na cadeira verde junto à janela, a olhar pelos intervalos da persiana metálica a noite moribunda da ria, atravessada de viés por fiapos de claridade turva que pareciam nascer nos novelos de sombra dos pinheiros ou do basalto confuso, sobreposto, das nuvens. O estômago assemelhava-se a um polvo esbranquiçado de azia, retraindo-se e inchando no meu ventre, e cujos tentáculos de ácido deslizavam, ao longo das veias, na direcção das mãos. Devia ter febre porque sentia como que um fio de gripe no corpo apesar de ter vestido a camisola sobre a pele: as cerdas das pernas, espetadas, nasciam de conezinhos transidos, os testículos sumiam-se na mata roxa do púbis. A torneira aberta do lavatório ou do bidé jorrava a sua zanga lá no fundo, no cubo reverbante de azulejos em que me esvaziava de mim mesmo, como na tarde em que te acompanhei à parteira, embaraçado de timidez, para afogarmos o peixe que se alargava, curvo, no teu útero. Agora que dormes, incólume à cerveja e às iscas, e distingo, sob a colcha, a forma aproximada do teu corpo na aurora suja de Aveiro, agora que vou morrer de indigestão, de colite, de um estoiro de tripas definitivo e derradeiro, agora que as gengivas me sabem a molho podre e a tremoços estragados, e se calhar, ao acordares, me encontrarás de bruços no rebordo da banheira, mirando numa careta vítrea o meu próprio reflexo contorcido, lembro-me da tarde em que desci contigo do autocarro, perto do Príncipe Real, a caminho da parteira, cheio de medo, de culpabilidade, de remorsos. Nem sequer discutimos, quase nem sequer conversámos, avisaste-me ao princípio de morarmos juntos Não quero filhos, e nunca me atrevi a perguntar porquê, de receio que mudasses de ideias: os dois da Tucha e mais um ou dois teus seriam uma ninhada impossível para mim, uma mensalidade impossível para mim, uma preocupação impossível para mim, quatro crianças a ganirem à minha volta, a transformarem-se, a crescerem, havia um cubículo repleto de caixotes e jornais na Azedo Gneco, poeirento, húmido, esconso, A miúda (nunca me passou a ideia de um rapaz pela cabeça) e já lhe inventara o som da voz, o riso, a maneira de chorar, a cor do cabelo, o nome, o jeito reboludo das ancas, pensava Pomos o berço da miúda ali e nunca falava nisso contigo, escutava-lha as gargalhadas inaudíveis ao jantar e sorria no interior de mim mesmo ou por detrás do caldo knorr. Anunciaste Não quero filhos e tu sabias que eu sabia que o dizias por mim, pelo meu estúpido pavor de um neto de um guarda-republicano de palito na boca, porque não conseguia despir-me do meu pai, da minha mãe. da terrina da Companhia das Índias em que me embalaram. De maneira que quando me explicaste
- Não me vem a menstruação há dois meses, tenho uma morada de confiança na Praça das flores
continuei a ler, na cadeira de lona, a mesma revista indiferente, sob o candeeiro cromado, horrível, aparatoso, que desencantaste uma tarde num ferro-velho qualquer e instalaste triunfalmente na sala, no meio do lixo confuso em que vivíamos. E se eu tivesse dito na altura, Marília, Não, se eu tivesse dito, Marília, quero a criança, alguma coisa se alteraria entre nós?
»

Até parece fácil... :D
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 17 Nov 2011 23:06

O meu objectivo principal e último quando leio é o entretenimento. Disse isto na tertúlia e fui mal interpretado pois não me expliquei bem. Melhor que eu, descreve-o o Michael Chabon:

Therefore I would like to propose expanding our definition of entertainment to encompass everything pleasurable that arises from the encounter of an attentive mind with a page of literature.


Esta definição, abrangente, remete-nos imediatamente para o individualismo de cada leitor. E aqui concordo em absoluto com o Thanatos:

Thanatos wrote:Cada indivíduo tráz à leitura um conjunto de experiências que distorcem, amplificam ou iludem todo e qualquer modo de leitura interpretativa absolutista.


Ou seja, o que para mim é entretenimento e me dá prazer não o será para outros e vice versa. Ora, uma das coisas que me dá prazer é apreciar o estilo, a abordagem, a espontaneidade, o controlo (ou descontrolo), a genialidade, o vocabulário, os artifícios e os recursos com que cada escritor escreve. Esta, digamos, linha de prazer, é paralela a uma outra linha que rege a minha afeição às personagens, a minha excitação com o enredo e o quão me deixo absorver pela narrativa.
Assim sendo, pretendo e, na maioria dos casos consigo, orientar a minha leitura através destas duas linhas condutoras que se transmutam em nervos sensoriais comunicando-me o tal prazer literário.

Talvez por culpa minha, assumiram que sou um picuinhas nas minhas leituras. Não, garanto-vos que não sou. Até porque isso interferiria com as tais linhas paralelas e a uma determinada altura criar-se-ia um novelo e o prazer ficava para ali emaranhado e sem destino. A única coisa que faço é, ao longo da leitura, quando uma passagem me marca, quando uma figura de estilo me deixa em estado de inevitável choque, quando uma frase me deixa maravilhado, quando uma tradução me desagrada, quando uma expressão me confunde ou uma decisão narrativa me entristece, dobrar o canto superior da página para mais tarde recordar.

Os dois últimos casos que podem contribuir para esta imagem de um urukai todo picuinhices, foram "A Canção de Kali" e este "Memória de Elefante". Se repararem, em ambos os casos, a minha crítica mais minuciosa deu-se nas primeiras páginas, quando a leitura ainda não arrancou e é me manifestamente impossível estar embrenhado na mesma (como argumenta também o Pedro Farinha). Mais tarde, à medida que fui avançando n'A Canção de Kali, fui deixando de comentar com tamanho preciosismo e guardei tudo para a crítica final. (Já agora, acrescento que na Canção de Kali dobrei 14 cantinhos de página! da versão em português Sam, fica descansado!)
A excepção, todas as regras a têm, poderá ser este "Memória de Elefante" que me provocou pelo facto de ter uma primeira página com cantos insuficientes para tantas dobras. Aproveitando, o facto de haver toda uma nova secção para este escritor porque não ingurgitar a minha linha paralela da apreciação de como se escreve (correndo o risco de tocar na linha do que é escrito) e anotar com mais rigor o que me deixa perplexo durante a leitura, discutindo-o aqui depois com vocês?

Por último, quanto ao David Soares e o Dan Simmons, do primeiro só li contos (e aí o rigor e certeza são mais valias) mas tenho ali o Batalha para tirar teimas.
Já o Dan Simmons mostrou-me uma dupla faceta, a do escritor certinho e metódico (dei o exemplo de como conduziu sem tréguas o enredo na direcção que quis) mas também o escritor espontâneo e impactante que sacou de um trunfo inesperado (para mim) no último momento. Quero por isso ler mais dele.

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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 17 Nov 2011 23:09

Sam,

esse excerto faz todo o sentido. É coeso e tem momentos maravilhosos.
Não tem nada a ver com a primeira página do "Memória de Elefante".

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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 17 Nov 2011 23:14

urukai wrote:Aproveitando, o facto de haver toda uma nova secção para este escritor porque não ingurgitar a minha linha paralela da apreciação de como se escreve (correndo o risco de tocar na linha do que é escrito) e anotar com mais rigor o que me deixa perplexo durante a leitura, discutindo-o aqui depois com vocês?


Eu acho muito bem.

Se o picuinhas que és (ou não) afecta a maneira como aprecias um livro, isso não me diz respeito - cada um tem a sua forma muito própria de sorver a Arte e seus simulacros - mas sem dúvida que prefiro que partilhes aqui o que achares pertinente e de interesse para provocares uma discussão. É frequente descobrir pormenores novos nestas trocas de ideias.
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 17 Nov 2011 23:20

Já agora e fugindo ao tema, vou continuar aquela frase do Michael Chabon para ver se identificam td o que lhe deu prazer nas suas leituras:

Therefore I would like to propose expanding our definition of entertainment to encompass everything pleasurable that arises from the encounter of an attentive mind with a page of literature.
Here is a sample, chosen at random from my career as a reader, of encounters that would be covered under my new definition of entertainment:
1) the engagement of my interior ear by the rhythm and pitch of a fine prose style;
2) the dawning awareness that giant mutant rat people dwell in the walls of a ruined abbey in England;
3) two hours spent bushwhacking through a densely-packed argument about the structures of power as embodied in nineteenth-century prison architecture;
4) the consummation of a great love aboard a lost Amazon riverboat, or in Elizabethan slang;
5) the intricate fractal patterning of motif and metaphor in Nabokov and Neil Gaiman's "Sandman";
6) stories of pirates, zeppelins, sinister children;
7) a thousand-word-long sentence comparing homosexuals to the Jews in a page of Proust (vol. 3);
8) a duel to the death with broadswords on the seacoast of ancient Zingara;
9) the outrageousness of whale slaughter or human slaughter in Melville or McCarthy;
10) the outrageousness of Dr. Charles Bovary's clubfoot-correcting device;
11) the outrageousness of outrage in a page of Philip Roth;
12) words written in smoke across the sky of London on a day in June, 1923;
13) a momentary gain in my own sense of shared despair, shared nullity, shared rapture, shared loneliness, shared broken-hearted glee;
14) the recounting of a portentous birth, a disastrous wedding, or a midnight deathwatch on the Neva.


Eu dispensava algumas mas identifico-me plenamente com ele. :)

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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Arsénio Mata » 18 Nov 2011 00:10

Sam, esse excerto... Fantástico, fiquei mesmo maravilhado e com vontade de ler. :bow:
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby pageHunter » 18 Nov 2011 00:15

Sharky wrote:Concordo com o Thanatos, às vezes vais até ao osso quando o que se pede é uma leitura descontraída e livre de pressões.
Qual é a pressa para ler um livro? Estás a fazer números de leitura? Desafios literários?
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Se leres o " Os Cus de Judas " primeiro, aposto que vais ter uma opinião diferente B)

Sublinho a importância da espontaneidade como ingrediente essencial para desfrutar de uma leitura. Quantas vezes não vou à estante buscar um livro e no momento olho e acabo por retirar de lá outro...

OnTopic: Vou começar agora a ler Os Cus de Judas :bbde:
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 18 Nov 2011 01:10

pageHunter wrote:OnTopic: Vou começar agora a ler Os Cus de Judas :bbde:


Ena, mais um!

Já perdi a conta à quantidade de ALAntes actuais.
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby pageHunter » 18 Nov 2011 10:28

Primeira impressão sobre o autor após cerca de 20 páginas lidas dos Cus de Judas: tal como um livro de Dan Brown me faz pensar num filme enquanto o leio, ler ALA faz-me pensar que estou a contemplar uma pintura! Descrição soberba dos espaços, como que se pairássemos no ar e olhássemos com muita atenção para o pormenor. Mas até agora muito pouco de personagens, mas também só ainda li 20 páginas.

E confirma-se... Não é um autor fácil de ler, é bem pior que Saramago. Ainda assim estou a gostar bastante. Fui também capaz de detectar alguns elementos na escrita do autor já aqui destacados por alguns elementos deste fórum. Por exemplo, fiquei deliciado com as comparações improváveis que o autor utiliza na sua escrita, tal como refere o Pedro Farinha. Improváveis mas que fazem todo o sentido, e por vezes temos de parar para imaginar na nossa cabeça imagens que nunca nos tinham ocorrido antes :)
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby grayfox » 18 Nov 2011 10:48

dobrar páginas :catfight: !!!!

sou obsessivo-compulsivo no que toca a manter o livro depois de lido na mesma condição (ou melhor se possível) do que quando o comprei. alias foi a azert que ficou incrédula quando lhe emprestei o Salem's Lot e lhe assegurei que já o tinha lido. alias ja dei por mim na fnac a apreciar um livro e a pensar "o que tenho la em casa e já li está em melhores condições do que este". enfim, manias!

o que tem isto tudo a ver com Lobo Antunes? não interessa, neste tópico sou Todo Poderoso !!!!! :P
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 18 Nov 2011 14:21

grayfox wrote:dobrar páginas :catfight: !!!!

sou obsessivo-compulsivo no que toca a manter o livro depois de lido na mesma condição (ou melhor se possível) do que quando o comprei.


Faz-te falta um e-reader, está visto. :mrgreen:
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Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby grayfox » 18 Nov 2011 14:53

é mesmo mania. se comprar novo gosto de o manter intacto. mas também ja comprei livros usados e gosto das paginas amareladas, a capa dobrada, etc etc.
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