Agosto 2012 / Philip Roth

Todos os meses é proposto um novo autor para leitura e discussão pelos foristas.

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Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 11 Jul 2012 22:54

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Não vou perder tempo com questões biográficas ou com a infinidade de prémios que lhe foram atribuídos ao longo da carreira (só lhe falta praticamente o Nobel) - são informações facilmente obteníveis na Internet -, em contrapartida prefiro falar acerca daquilo que me fascina neste autor.

Já o referi por diversas vezes aqui no fórum: a característica que mais me impressionante na escrita dele é a quase ausência de efeitos ou figuras de estilo - e a substituição dessa "falta" pelo rigor e pela milimetria da precisão, quer no uso das palavras, quer na construção das frases (por vezes invulgarmente longas). Vocábulos de uso corrente e frases de fácil assimilação, mas que cumprem cada uma delas o objectivo específico de terem "uma voz", um peso, significância e relevância prática para a narrativa. Muito se ouve dizer acerca da escrita de vários autores que "parece que não há uma palavra fora do sítio", ou "a mais". Com Roth é isso que se passa - a um nível quase maníaco. Ler um texto de Roth é quase como recitar uma oração ao uso ponderado e exacto da palavra - a cadência flui sem qualquer sobressalto, sem qualquer distracção, sem que fiquemos presos a nada que soe a falso, ou mal colocado, ou preciosista. Não há palavras difíceis na sua escrita e não há máscaras para maquilhar os seus significados (algo que se torna particularmente notório quando o tema é "sexo"). O texto quer sempre significar com clareza aquilo que aparece lá escrito. Estranhamente - e aqui está a marca de um grande autor - não há nada de simples nesta aparente simplicidade. O que os textos nos transmitem são ideias de grande elaboração - só que sem gorduras intrusivas. Fazendo uma comparação algo irracional - diria que o estilo é a antítese de um Lobo Antunes (pesadíssimo na utilização de figuras de estilo, quase a um extremo físico, e em permanente fuga à "normalidade" linguística e à representação directa de coisas e significados).

No livro The Ghost Writer, há uma passagem que de certa forma alude a esta ideia (ironicamente, e não de forma inocente, é proferida acerca de um dos alter-egos de que o autor se serve):

'Look, I told Hope this morning: Zuckerman has the most compelling voice I've encontered in years, certainly for someone starting out.'
'Do I?'
'I don't mean style' - raising his finger to make the distinction. 'I mean voice.'


Há, ainda assim, algumas particularidades estilísticas que fogem a esta "simplificação" que apontei, e de que o autor se serve com alguma frequência, como por exemplo: a formulação sequencial e seguida de séries de interrogações (não é invulgar encontrar sete, oito, nove perguntas de seguida...), ou a repetição do mesmo vocábulo, ou vocábulos, também no início de frases sequenciais (uma figura de estilo que se designa por "anáfora").

A contrapartida disto é que não se pode falar em "emoção" num texto de Roth. A voz é de uma sobriedade extrema, monocórdica, desprovida de sentimentos/sentimentalismos (o que não quer dizer que as personagens não os tenham, como é óbvio), e, sem ser repetitiva, pode tornar-se maçuda - porque é daquelas que exige atenção constante para se poder apreciar devidamente, e quando a regularidade impera, a monotonia pode fazer das suas.

--

Já falei da voz do autor, agora vou enaltecer o modo como contextualiza as personagens. De duas maneiras, essencialmente - duas maneiras complementares e intimamente dispostas:

1 - Construindo minuciosas escalas de pormenorização entre realidade particular e a realidade colectiva (e vice-versa), e não dando espaço de manobra ao leitor para poder separar as camadas, de tal forma interligadas e coesas que estão. Refiro-me ao modo suave como passamos dos pensamentos na mente de determinada personagem para a sua realidade doméstica/familiar, para a situação da família em determinado bairro, para a importância do bairro na constituição de um determinado grupo social (por exemplo os judeus :whistle: ), para a relevância desse grupo em toda a sociedade/país, e para a forma como cada uma destas camadas reage em contacto com os impulsos que recebe do exterior.

2- Cruzando e fazendo colidir: história, política e cultura - de encontro à realidade de cada personagem. Ou seja, cada uma reage em função de todos os estímulos exteriores, e cada estímulo exterior é por sua vez ditado por um conjunto infinito de variáveis sociais.

Dito de outra forma: Roth não tem apenas um conhecimento excepcional do comportamento/natureza humana do indivíduo - tem também um domínio absoluto sobre a forma como a sociedade, nas suas várias vertentes, nos molda e condiciona - a todo o momento - e esta é uma característica extremamente vincada e presente nos seus textos. Esta consciência social, este impacto do exterior sobre o interior, dá espessura e torna as personagens verosímeis, perfeitamente situadas e enraizadas no espaço e no tempo.

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Os temas e características que tenho encontrado com mais predominância nos livros dele são os seguintes:

A postura/conduta social da comunidade judaica nos Estados Unidos. A forma como ao mesmo tempo desejam ardentemente integrar-se (e perseguirem o "American Way of Life" como parte do caminho para o sucesso) e rejeitam alguns dos costumes "locais", mantendo um firme respeito pela tradição, usos e costumes (sobretudo religiosos), e agregando-se espacialmente em comunidades fechadas. A forma como olham com suspeita e quase indignação para o modo como a comunidade não-judaica os acolhe e os trata. A forma como eles próprios se sentem superiores à comunidade não-judaica, acabando por sofrer do mesmo tipo de preconceito de que acusam "o inimigo". O conflito da geração pós-emigrante com os pais, resultante da confrontação entre estas duas realidades distintas (judeus não americanos e "judeus americanizados"): os filhos/netos dos emigrantes já se sentem mais predispostos a quebrarem os laços em relação à comunidade e a diluírem-se na "população americana normal", situação que dá azo a frequentes e violentas discussões domésticas - porque os pais não aceitam esta vontade dos filhos em "sair" e os filhos não aceitam/compreendem as imposições dos pais relativamente às raízes judaicas.

O retrato da sociedade Americana do século XX, com particular incidência na segunda metade, e a exposição dos seus vícios e virtudes através de um prisma interrogador da moral e da ética. As suas personagens são frequentemente fustigadas por dúvidas e dilemas, situações em que as aprendizagens teóricas que receberam por educação chocam com a realidade dos seus sentimentos e com o modo como socialmente se ocultam... até se revelarem por força das circunstâncias. A intolerância, o preconceito e a obsessão/obediência cega a um qualquer sentido de rectidão moral, são temáticas bastante recorrentes.

O sexo. Não tanto através de descrições de actos sexual (também as há), mas antes através das reflexões sobre a importância do sexo na conduta social, sobre a dependência emocional/física que provoca, e sobre a hipocrisia da "mordaça" dos bons-costumes. Roth critica severamente a moral conservadora e a limitação da sua prática à esfera familiar. As situações por vezes chocantes que apresenta têm por finalidade questionar - criar bases para reflexões intensas e para a exploração de vários pontos de vista em confronto.

Este pequeno excerto, que foi retirado do livro The Humbling, é exemplificativo da objectividade no uso das palavras e do à vontade do autor em abordar o sexo nas suas obras - no entanto, não é frequente ser tão representativo do ponto de vista "gráfico".

The pain from the spinal condition made it impossible for him to fuck her from above or even from the side, and so he lay on his back and she mounted him, supporting herself on her knees and her hands as not to lower her weight onto his pelvis. At first she lost all her know-how up there and he had to guide her with his two hands to give her the idea."O don't know what to do," Pegeen said. "You're on a horse," Axler told her. "Ride it." When he worked his thumb into her ass she sighed with pleasure and whispered, "Nobody's ever put anything in there before" - "Unlikely," he whispered back - and when later he put his cock in there, she took as much as she could of it until she couldn't take any more."Did it hurt?", he asked her. "It hurt, but it's you." Often she would hold his cock in her palm afterward and stare as the erection subsided. "What are you contemplating?" he asked. "It fills you up," she said, "the way dildos and fingers don't. It's alive. It's a living thing."

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Leituras recomendadas para quem vai pegar o autor pela primeira vez (e para os outros também :mrgreen: ):

- The Dying Animal / O Animal Moribundo
- The Human Stain / A Mancha Humana
- Deception
- The Ghost Writer
- Portonoy's Complaint / O Complexo de Portnoy (livro atípico face às características estilísticas tal como descritas acima, e por essa razão uma obra talvez menos representativa do que as outras sugestões enquanto montra daquilo que é o autor, mas não é certamente uma leitura a pôr de parte - pelo contrário! - a minha dúvida é se se deve começar por este...)

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Por último, deixo uma entrevista ao autor, feita por Benjamin Taylor em 2011, para quem tiver preguiça de ir ao youtube procurar.



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Re: Agosto 2012 / Philip Roth (texto terminado)

Postby grayfox » 01 Aug 2012 12:03

deste autor so li a mancha humana. um livro a que dei pouco valor enquanto o lia, mas depois de terminado comecei mais e mais a pensar nele e no significado das situaçõies que o protagonista passa. hoje é um livro que tenho em muito alta consideração, tanho também em casa penso que a conspiração contra a américa.
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth (texto terminado)

Postby Samwise » 01 Aug 2012 12:26

Os dois livros que mais gostei dele foram o American Pastoral e o The Plot Against America, mas são também os que menos aconselho para se iniciarem no autor, dada a natureza obsessiva e quase circular da narrativa quanto à exploração de temáticas e de situações.

Estou quase a terminar o GoodBye, Columbus, a seu primeiro romance (e mais algumas short stories "agarradas" ). Vale por essa primeira narrativa (as outra funcionam mais pela curiosidade do que pela mestria literária), que em todo o caso, e apesar de compensatória, dá apenas um pálida ideia sobre aquilo que será a apuração do estilo mais tarde utilizado.
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby MAGG » 06 Aug 2012 16:28

Para quem nunca leu nada do autor qual aconselham para começar ?

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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Tzimbi » 06 Aug 2012 20:50

Samwise wrote:
Leituras recomendadas para quem vai pegar o autor pela primeira vez (e para os outros também :mrgreen: ):

- The Dying Animal / O Animal Moribundo
- The Human Stain / A Mancha Humana
- Deception
- The Ghost Writer
- Portonoy's Complaint / O Complexo de Portnoy (livro atípico face às características estilísticas tal como descritas acima, e por essa razão uma obra talvez menos representativa do que as outras sugestões enquanto montra daquilo que é o autor, mas não é certamente uma leitura a pôr de parte - pelo contrário! - a minha dúvida é se se deve começar por este...)


Magg, tens aqui as recomendações do Sam. Eu recomendaria A Mancha Humana e o Todo-o-Mundo para começar. ;)

S.

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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby MAGG » 07 Aug 2012 02:01

Oh diacho li a diagonal errada :P . Obrigada Tzimbi ...

e Sam :angel: .

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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 22 Aug 2012 21:24

Terminei o Zuckerman Unbound e comecei o Operation Shylock.

Há uns tempos comentava com a Tzimbi que o Roth não era dado a grandes humores nas suas obras (no sentido de "cómico" do termo), e que a maioria dos livros que tinha lido até então eram um deserto no que tocava a esse aspecto - seríssimos, quer do ponto de vista narrativo, quer do ponto de vista artístico (ironia sim, mas a um nível ideológico, não semântico), e ao que ela retorquiu com uma citação do Harold Bloom e com uma sugestão de que talvez fosse uma tendência temporal, já que o grosso da minhas escolhas diziam respeito a obras relativamente recentes. O Portnoy's Complaint, por exemplo, era uma prova de peso a contrariar a minha idea. Começo a concordar com isto, à medida que vou lendo obras mais "atrasadas".

Zuckerman Unbound, de 1981, a continuação de The Ghost Writer, é, entre outras coisas mais sérias ( :mrgreen: ) um festival impagável e demolidor de situações e explorações cómicas. É um livro auto-biográfico (narrado através do alter-ego de Roth, Nathan Zuckerman) muito estranho, em que temos um capítulo dedicado à morte do pai (com o melhor naco prosa que já li do Roth - de longe), sério, emotivo, arrasador em termos de confissões colocadas no papel, e temos outros três capítulos em que o autor se dedica a gozar positivamente (sempre mantendo o cordão umbilical com a realidade e com a "verdade") com o seu estatuto de autor importante e de personalidade adorada e odiada publicamente. Foca a fase que sucedeu a aclamação crítica do Portnoy's Complaint (que aqui foi camuflado pelo título Carnovsky), e os problemas que a repentina onda de sucesso público lhe trouxeram em termos familiares e profissionais, que o lançaram numa espiral obsessiva que ao mesmo tempo o impelia a alhear-se do mundo exterior, e a pretender saber tudo o que diziam sobre ele. As temáticas caras ao Roth estão todas no livro, tratadas com um raro equilíbrio em que a paródia por vezes carnavalesca soa completamente a verídica (mesmo que as situações concretas possam não o ser) e em que o riso vem sempre acompanhado por uma dramatização palpável da tragédia humana, e que o torna não só natural, como um pouco melancólico.

É mais um Roth em grande forma - 9,5/10
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 24 Aug 2012 10:57

O Operation Shylock parte de uma ideia semelhante ao Homem Duplicado do Saramago - a descoberta da existência de um duplo, igual em termos fisionómicos -, mas é feita mais "às claras", em mais do que um sentido: por um lado, Roth volta a ser o protagonista principal de um livro seu, mantendo não só o nome próprio, como também um registo paralelo de tudo o que é a sua vida real (ou seja, é uma personalidade pública sobejamente conhecida que está em causa), e, por outro, o sósia revela-se ao mundo sem qualquer pudor, dizendo que é o Roth, e participando abertamente numa série de eventos políticos mediáticos. :mrgreen:

Ainda só li 30 páginas, mas dá para perceber que vai ser mais uma mergulho obsessivo na alma da identidade judaica e de todos os traumas não só do pós-guerra na Europa, como da "falha social" que grassa no Médio Oriente desde que há um Estado de Israel (ou antes disso). Possivelmente com uma boa dose de política internacional e de espionagem à mistura, e um fundo auto-biográfico que qualquer espécie para permitir o desenrolar narrativo.
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 29 Aug 2012 16:46

Samwise wrote:Ainda só li 30 páginas, mas dá para perceber que vai ser mais uma mergulho obsessivo na alma da identidade judaica e de todos os traumas não só do pós-guerra na Europa, como da "falha social" que grassa no Médio Oriente desde que há um Estado de Israel (ou antes disso). Possivelmente com uma boa dose de política internacional e de espionagem à mistura, e um fundo auto-biográfico que qualquer espécie para permitir o desenrolar narrativo.


Vou na página 100 e nunca na vida fiz uma previsão tão certeira... :mrgreen:
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby grayfox » 29 Aug 2012 23:59

Samwise wrote:Vou na página 100 e nunca na vida fiz uma previsão tão certeira... :mrgreen:


isso é como prever explosões num filme do Michael Bay :D
a propósito, cuidado com esses auto-quotes que os moderadores andem aí!!!

Para grande infortúnio deste tópico acabou por não me apetecer começar o A Cospiração Contra a América.
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 30 Aug 2012 13:17

grayfox wrote:
Samwise wrote:Vou na página 100 e nunca na vida fiz uma previsão tão certeira... :mrgreen:


isso é como prever explosões num filme do Michael Bay :D
a propósito, cuidado com esses auto-quotes que os moderadores andem aí!!!


Os moderadores? Esses indivíduos que dispõem de ferramentas de EDIT de posts? :mrgreen:

Para grande infortúnio deste tópico acabou por não me apetecer começar o A Conspiração Contra a América.


Da minha perspectiva, o infortúnio é todo teu. :P
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 03 Sep 2012 10:59

Página 150 e... :see_stars:

Este dever ser é o livro mais marado do Roth, destes que tenho estado a ler. A ideia do sósia é apenas um (pequeno e saboroso) pretexto para o autor oferecer a sua visão sobre o conflito israelo-palestiniano. :ph34r: Portanto: viagem ao âmago e às raízes da questão Judaica - em jeito de sátria ficcional (?), em que "o problema" vai sendo criteriosamente dissecado e a argumentação (como é habitual) vai sendo cuidadosamente ligada não só à parte emotiva de cada personagem, mas ao meio sócio-cultural em que esta vive.

Ahh... e apanhei uma referência explícita ao Woody Allen (finalmente!!!)... :clap:
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 10 Nov 2012 01:31

O Roth pendurou as botas e não vai voltar a escrever outro um romance na vida. :(

Li no blog do Vampiregrave e fui à procura pela net.

O Público também tem um artigo sobre a notícia.

Némesis será o último livro de Philip Roth, diz o autor

O escritor Philip Roth deu há um mês uma entrevista à revista francesa Les Inrockuptibles onde anunciava que Némesis, o romance publicado em Portugal o ano passado, seria o seu último. E dizia que já não escreve desde há três anos.

A Salon leu a entrevista, que está disponível online em francês, e ligou para a editora de Roth nos Estados Unidos, a Houghton Mifflin, para confirmar. A editora contactou o autor, sexta-feira de manhã, que confirmou, revela a Salon online.

Quando na entrevista a jornalista da Les Inrockuptibles lhe perguntou se ainda sentia desejo de escrever, Roth respondeu que não, Acrescentou que não tem intenção de o fazer durante os próximos dez anos. “Para ser franco, acabei. Némesis será o meu último livro. Olhe o exemplo de E. M. Forster, que deixou de escrever ficção quando tinha 40 anos. E eu que encadeava livro atrás de livro, não escrevi nada nos últimos três anos”, afirmou, explicando que preferiu organizar os seus arquivos para os entregar ao seu biógrafo.

“Dei-lhe milhares de páginas que são como memórias, não literárias, mas que não podem ser publicadas como estão. Não quero escrever as minhas memórias mas quis que o meu biógrafo tivesse material para o seu livro antes da minha morte. Se eu morrer sem lhe deixar nada, por onde é que ele começaria?”, acrescentou o escritor, de 78 anos. Deu todo este material ao biógrafo Blake Bailey porque considera que ele escreveu uma excelente biografia sobre John Cheever. Quer que depois da sua morte haja pelo menos uma biografia sobre a sua obra e a sua vida que seja exacta.

Já pediu aos executores testamentários – o agente literário Andrew Wylie e uma sua amiga psicanalista – que depois da sua morte os arquivos, quando Blake Bailey já não precisasse deles, fossem destruídos. “Não quero que os meus papéis pessoais andem por aí. Ninguém tem de os ler. Todos os meus manuscritos já foram entregues à Biblioteca do Congresso, desde os anos 1970”, disse ainda à revista francesa.

Durante a conversa, a jornalista insistiu e quis ter a certeza de que percebeu bem que não haverá novo romance de Philip Roth: “Não acredito que um livro a mais ou a menos mudará o que quer que seja que eu já tenha feito. E se eu escrever um novo livro, ele provavelmente será um livro falhado. Quem é que precisa de ler mais um livro medíocre?”
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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby nfcborges » 14 Mar 2013 11:18

O primeiro livro que li sobre o autor foi agora " O Complexo de Portnoy" que achei brilhante e com uma estrutura narrativa original.

Já li algures pelo Forum que não é um livro representativo do Universo Roth. Foi por onde entrei . Vou seguir ( na medida do possivel $ ) as recomendações para outras leituras do Autor.

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Re: Agosto 2012 / Philip Roth

Postby Samwise » 14 Mar 2013 11:36

nfcborges wrote:Já li algures pelo Forum que não é um livro representativo do Universo Roth. Foi por onde entrei . Vou seguir ( na medida do possivel $ ) as recomendações para outras leituras do Autor.


Vistas as coisas a esta distância, diria que é um livro bastante representativo do seu Universo, das peculiaridades obsessivas que o carterizam, e que corresponde a uma primeira grande impressão literária, algo em bruto, desse universo.

Em termos de estilo é que já não tenho essa opinião. Ao longo do tempo, com o avanço da idade e maturidade, as arestas vão sendo limadas e o estilo vai ficando mais apurado e limpo, sobretudo a nível de sintaxe.

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