Eu - Agusto dos Anjos [Em Desenvolvimento]

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vampiregrave
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Eu - Agusto dos Anjos [Em Desenvolvimento]

Postby vampiregrave » 04 May 2017 16:05

Regressando à poesia, desta feita planeio editar um dos mais reconhecidos poetas brasileiros: Augusto dos Anjos.

Relativamente à sua obra:
De forma geral, no entanto, sua poesia é reconhecidamente original. Para Álvaro Lins e para Carlos Burlamaqui Kopke, sua singularidade está ligada à solidão, que também caracteriza sua angústia. Eudes Barros, em seu livro A Poesia de Augusto dos Anjos: uma Análise de Psicologia e Estilo, nota o uso inusitado dos adjetivos por Augusto dos Anjos, e qualifica seus substantivos como extremamente sinestésicos, criando dimensões desconhecidas para a adjetivação convencional. Manuel Bandeira destaca o uso das sinéreses como forma de representar a impossibilidade da língua, ou da matéria, para expressar os ideais do espírito. Portanto, os recursos estilísticos de Augusto dos Anjos se reconhecem como geniais.

As imagens da obra poética de Augusto dos Anjos se caracterizam pela teratologia exacerbada, por imagens de dor, horror e morte. O uso da racionalidade, e assim da ciência, seria uma forma de superar a angústia da materialidade e dos sentimentos. Mas a Ciência, que marca fortemente sua poesia, seja como valorizada ou através de termos e conceitos científicos, também lhe traz sofrimento, como nota Kopke. É marcante também a repetição de temas nessa poesia, e um sentimento de solidariedade universal, ligado à desumanização da natureza e até do próprio humano, o que reduziria todos os seres a uma só condição.

Os contrastes peculiarizam seus temas. Idealismo e materialismo, dualismo e monismo, heterogeneidade e homogeneidade, amor e dor, morte e vida, "Tudo convém para o homem ser completo", como diz o próprio poeta em Contrastes.

Fonte: Wikipedia


Um exemplo:
Spoiler! :
Vencedor

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo enfim ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!


Outro:
Spoiler! :
Asa de Corvo

Asa de corvos carniceiros, asa
De mau agouro que, nos doze meses,
Cobre às vezes o espaço e cobre às vezes
O telhado de nossa própria casa...

Perseguido por todos os reveses,
É meu destino viver junto a essa asa,
Como a cinza que vive junto à brasa,
Como os Goncourts, como os irmãos siameses!

É com essa asa que eu faço este soneto
E a indústria humana faz o pano preto
Que as famílias de luto martiriza...

É ainda com essa asa extraordinária
Que a Morte — a costureira funerária —
Cose para o homem a última camisa!


A obra está disponível para leitura final, caso estejam interessados em colaborar. Como de costume, são bem-vindas quaisquer sugestões para imagem de capa; dentro em breve partilho as minhas escolhas.

Sugestões para imagem de capa
Self-Portrait With Death As A Fiddler, de Arnold Böcklin
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Das Schweigen, de Henry Fuseli
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The Cemetery, de Caspar David Friedrich
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vampiregrave
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Re: Eu - Agusto dos Anjos [Em Desenvolvimento]

Postby vampiregrave » 15 May 2017 09:24

Adicionei as minhas escolhas ao post inicial.

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pco69
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Re: Eu - Agusto dos Anjos [Em Desenvolvimento]

Postby pco69 » 18 May 2017 19:35

Não fiquei muito adepto do autor :whistle:
Creio que sou mais adepto de textos mais optimistas ^_^

Em termos de capa, o self portrait é interesssante, mas à partida representará o próprio pintor, pelo que vou pela segunda...
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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vampiregrave
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Re: Eu - Agusto dos Anjos [Em Desenvolvimento]

Postby vampiregrave » 18 May 2017 21:24

pco69 wrote:Não fiquei muito adepto do autor :whistle:
Creio que sou mais adepto de textos mais optimistas ^_^

Em termos de capa, o self portrait é interesssante, mas à partida representará o próprio pintor, pelo que vou pela segunda...


Isso com um simples crop fica logo resolvido :mrgreen:

É uma poesia mais pesada, de facto, mas tem também uma força e uma originalidade que me levou a perceber a sua importância. De resto, creio que já era tempo de trazer um pouco de poesia brasileira para terras lusas. Seguir-se-á Olavo Bilac, embora ainda não tenha data definida.

Edit: Gosto imenso do Caspar David Friedrich, mas a imagem que indiquei, apesar de apropriada, já foi utilizada para a capa de uma tralha de livros...



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