Curtas e quentes

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Samwise

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Post 08 Mar 2010 19:12

Re: Curtas e quentes

Cerridwen wrote:
Entrevista ao Secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros: Ler no Diário de Notícias. Excerto:

«E corrente as editoras destruírem livros que estão fora do mercado?
Sim. Há mesmo um prazo legal para o fazer, que penso ser de cinco anos, não tenho agora presente. Isto depois de perguntar aos autores se os querem comprar, como consta na cláusula de opção que têm abaixo do preço de capa.


Não percebi bem este ponto. É obrigatório por lei uma editora destruir os livros que tem nos seus armazéns - livros que tenham estado fora do mercado por um período de 5 anos?

-------------

Gostava de estar mais por dentro do assunto para perceber o que leva uma editora a incinerar livros em alternativa a colocá-los novamente à venda, mesmo que a preços mais baixos. Que números e estudos sustentarão uma estratégia económica destas (supondo que é coisa estritamente de dinheiros...)?
«Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.» - José Saramago - Diário II

«A alegria é uma queimadura que não se saboreia.»
(...)
«Se há qualquer coisa que se pode desejar sempre e obter algumas vezes, essa qualquer coisa é a ternura humana.» - Albert Camus - A Peste

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Thanatos

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Post 08 Mar 2010 19:19

Samwise wrote:
Cerridwen wrote:
Entrevista ao Secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros: Ler no Diário de Notícias. Excerto:

«E corrente as editoras destruírem livros que estão fora do mercado?
Sim. Há mesmo um prazo legal para o fazer, que penso ser de cinco anos, não tenho agora presente. Isto depois de perguntar aos autores se os querem comprar, como consta na cláusula de opção que têm abaixo do preço de capa.


Não percebi bem este ponto. É obrigatório por lei uma editora destruir os livros que tem nos seus armazéns - livros que tenham estado fora do mercado por um período de 5 anos?

-------------

Gostava de estar mais por dentro do assunto para perceber o que leva uma editora a incinerar livros em alternativa a colocá-los novamente à venda, mesmo que a preços mais baixos. Que números e estudos sustentarão uma estratégia económica destas (supondo que é coisa estritamente de dinheiros...)?



Lá vem a conversa dos estudos e das estatísticas - que se bem me lembro nem nunca me respondeste no outro tópico do preço dos livros qual era o teu número ideal de amostragem, mas adiante - a razão principal pela qual as editoras optam pela queima de livros que estão a pagar espaço de armazém tem simplesmente a ver com o facto de que os editores não podem obrigar os livreiros a aceitarem monos mesmo que a preço de uva mijona. E em termos contabilísticos o abate de mercadoria é porreiro porque contribui para o resultado líquido do exercício, que leva por sua vez à matéria colectável, que leva ao imposto a pagar. Só vantagens!

Mas eu até entendo a tua óptica de leitor que já esfregava as mãos a pensar em preços de uva mijona. Por eles na editora tudo bem desde que estejas disposto a ir aos armazéns em Albarraque de Cima... é que caso não saibas (mas devias saber) meter os livros nas lojas não é por distribuição dos CTT, e nas lojas meter os livros nas estantes também carece de algum trabalho... e o espaço é limitado, para todos, desde o armazenista, ao editor, ao livreiro. Enfim, coisas.
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Samwise

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Post 08 Mar 2010 19:49

Thanatos wrote:Lá vem a conversa dos estudos e das estatísticas - que se bem me lembro nem nunca me respondeste no outro tópico do preço dos livros qual era o teu número ideal de amostragem, mas adiante - a razão principal pela qual as editoras optam pela queima de livros que estão a pagar espaço de armazém tem simplesmente a ver com o facto de que os editores não podem obrigar os livreiros a aceitarem monos mesmo que a preço de uva mijona. E em termos contabilísticos o abate de mercadoria é porreiro porque contribui para o resultado líquido do exercício, que leva por sua vez à matéria colectável, que leva ao imposto a pagar. Só vantagens!

Mas eu até entendo a tua óptica de leitor que já esfregava as mãos a pensar em preços de uva mijona. Por eles na editora tudo bem desde que estejas disposto a ir aos armazéns em Albarraque de Cima... é que caso não saibas (mas devias saber) meter os livros nas lojas não é por distribuição dos CTT, e nas lojas meter os livros nas estantes também carece de algum trabalho... e o espaço é limitado, para todos, desde o armazenista, ao editor, ao livreiro. Enfim, coisas.


:D Eu não estava a refilar de nada - nem sequer na óptica do leitor- , estava apenas curioso. E a questão é mesmo saber o que compensa mais: se tentar vender mais barato, se destruir; e que processos/alternativas foram estudadas.

Entendo perfeitamente a escolha considerando o factor económico, mesmo que para alguns autores e personalidades a incineração pareça uma blasfémia.
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Thanatos

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Post 08 Mar 2010 19:59

Pois, é uma blasfémia mas a ver se eles, autores blasfemados exercem o direito de opção e compram os exemplares para os irem vender para a Feira da Ladra. É o compras! É tudo muito bonito para dar mais uma «caixa» jornalística ainda para mais com a LeYa. O que a gente adora bater nos ricos, LeYa, Microsoft, etc.
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Cerridwen

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Post 09 Mar 2010 13:12

Fosse a Leya uma pequena editora e compreendia a necessidade de transformar esses livros em pasta de papel. Como é um grupo editorial de grande dimensão no mercado onde labora, tenho alguma dificuldade em compreender porque é que não fizeram, pelo menos, uma tentativa visível de separar o "trigo do joio" e tentar escoar o "trigo". Importa referir que o grupo tem livrarias, incluindo a livraria online Mediabooks. Livraria onde actualmente se pode encomendar O General no seu Labirinto, de Gabriel Garcia Marquez, edição de 1900, por cerca de 14€, nquanto edições mais novas de outros livros do mesmo autor, com capas mais apelativas e provavelmente papel menos envelhecido, podem ser encomendadas por menos de 14€.

Relembro a polémica edição da Feira do Livro de Lisboa, em que o Grupo Leya se recusou a utilizar as barraquinhas existentes e conseguiu levar para lá as suas, mais limitadas em capacidade para colocar livros e quase totalmente dedicadas às novidades por dois anos consecutivos (no primeiro ano, salvo erro, todas as barracas das editoras tinham apenas novidades, havendo apenas uma barraca com livros menos novos). Perderam-se duas oportunidades de escoar alguns desses livros armazenados à espera de fim.
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Bugman

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Post 09 Mar 2010 14:09

Cerridwen wrote:(...) a livraria online Mediabooks. Livraria onde actualmente se pode encomendar O General no seu Labirinto, de Gabriel Garcia Marquez, edição de 1900, por cerca de 14€, nquanto edições mais novas de outros livros do mesmo autor, com capas mais apelativas e provavelmente papel menos envelhecido, podem ser encomendadas por menos de 14€.


O que se pode conjugar com a afirmação anterior que o envio dos referidos por correio custa pelo menos 3€...
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Thanatos

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Post 09 Mar 2010 14:27

Cerridwen wrote:Fosse a Leya uma pequena editora e compreendia a necessidade de transformar esses livros em pasta de papel. Como é um grupo editorial de grande dimensão no mercado onde labora, tenho alguma dificuldade em compreender porque é que não fizeram, pelo menos, uma tentativa visível de separar o "trigo do joio" e tentar escoar o "trigo". (...)


Acho que há aqui alguma confusão acerca do que é a LeYa. A empresa é um conglomerado com políticas diversas e que se aproveita de sinergias entre editoras. No entanto o tal «escoamento» dos livros é um pau de dois gumes. Até porque se os livros tivessem vendido antes não estariam agora em armazém. Quem é que do grande mercado de compradores anda assim tão preocupado em comprar edições do tempo da carqueija? Titando alguns de nós por razões óbvias, o leitor de comboio quer é livros novos que compra em pack nos hipermercados. Tão simples quanto isso. Acreditem que se aqueles monos tivessem público não iam prá guilhotina porque até isso custa dinheiro (mão-de-obra entre outras coisas) mas sim para as bancas. Infelizmente por muito que nos custe é mais fácil falar do que comprar.
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pco69

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Post 09 Mar 2010 14:36

Thanatos wrote:
Cerridwen wrote:Fosse a Leya uma pequena editora e compreendia a necessidade de transformar esses livros em pasta de papel. Como é um grupo editorial de grande dimensão no mercado onde labora, tenho alguma dificuldade em compreender porque é que não fizeram, pelo menos, uma tentativa visível de separar o "trigo do joio" e tentar escoar o "trigo". (...)

(...)
Acreditem que se aqueles monos tivessem público não iam prá guilhotina porque até isso custa dinheiro (mão-de-obra entre outras coisas) mas sim para as bancas. Infelizmente por muito que nos custe é mais fácil falar do que comprar.


A SdE escoa para o mercado a preços mais baixos e em ofertas com outras aquisições.... :whistle:
A government that robs Peter to pay Paul can always depend on the support of Paul.
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Thanatos

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Post 09 Mar 2010 14:40

pco69 wrote:
Thanatos wrote:
Cerridwen wrote:Fosse a Leya uma pequena editora e compreendia a necessidade de transformar esses livros em pasta de papel. Como é um grupo editorial de grande dimensão no mercado onde labora, tenho alguma dificuldade em compreender porque é que não fizeram, pelo menos, uma tentativa visível de separar o "trigo do joio" e tentar escoar o "trigo". (...)

(...)
Acreditem que se aqueles monos tivessem público não iam prá guilhotina porque até isso custa dinheiro (mão-de-obra entre outras coisas) mas sim para as bancas. Infelizmente por muito que nos custe é mais fácil falar do que comprar.


A SdE escoa para o mercado a preços mais baixos e em ofertas com outras aquisições.... :whistle:


A SdE existe há meia dúzia de anos. Os livros que escoa são relativamente novos. Os que a LeYa anda a guilhotinar são livros para lá de 20 anos. Não há termo de comparação. Diz-me lá... andavas desesperado à procura de alguma das edições que a LeYa levou ao corte?
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pco69

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Post 09 Mar 2010 14:50

Thanatos wrote:(...)
A SdE existe há meia dúzia de anos. Os livros que escoa são relativamente novos. Os que a LeYa anda a guilhotinar são livros para lá de 20 anos. Não há termo de comparação. Diz-me lá... andavas desesperado à procura de alguma das edições que a LeYa levou ao corte?

Até acredito que no meio destes posts sobre o assunto haja a lista desses livros ou um link para onde se pode saber esses titulos, mas não faço ideia de quais são pelo que não posso dizer se estaria ou não interessado na sua aquisição.... :znaika:

Mas creio que uma criação de packs de dois/três/quatro livros, com livros recentes agregados ou não, ou "compre dois leve um de oferta desta lista", ou qualquer outra coisa similar, poderia levar ao escoamento de parte dos livros. :gen068:

A noção que eu tiro desta questão, acaba por ser similar áquela dos produtores de Leite ou Laranjas ou outra bosta qualquer, que preferem destruir o produto em vez de baixar os preços.... :whistle:
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Thanatos

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Post 09 Mar 2010 14:54

O que pouca ou nenhuma gente diz é que não foi a LeYa que inventou o guilhotinar do excesso de mercadoria. Outras editoras já o faziam/fazem mas dessas... como não são conglomerados milionários... já não tem piada falar. :deadhorse:
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Samwise

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Post 09 Mar 2010 16:31

A dúvida persiste: de que livros se tratava e que considerações/estudos/alternativas foram levadas em conta?

Em todo o caso, parece-me decisão para não ter sido tomada de ânimo leve.
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pco69

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Post 09 Mar 2010 17:52

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Cerridwen

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Post 09 Mar 2010 19:19

Maria Helena da Rocha Pereira foi distinguida com o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

Fonte: Da Literatura
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Cerridwen

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Post 12 Mar 2010 15:21

Charlaine Harris vai estar em Portugal hoje e amanhã. Como já referido neste mesmo tópico, o encontro de hoje terá lugar no cabaret Maxime, em Lisboa, com início marcado para as 18h. O livro Sangue Furtivo estará em pré-venda exclusiva no Maxime.

Para amanhã está agendada uma sessão de autógrafos com a autora no Corte Ingles, por volta das 16h. E, à noite, na fnac Colombo pelas 21.30h, um encontro com os fãs.

Fonte: Fórum da editora
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