Sabias?

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Sabias?

Postby Drops » 06 Jan 2005 03:12

Olha! Sim, olha. Não, não olhes para mim, olha para ti, para dentro, já descobriste? Não?! Então dá-me a tua mão que eu mostro-te o caminho.
Fecha os olhos, não tenhas medo, diz-me o que vês. Nada? Fecha-os de novo, deixa a tua imaginação correr, isso mesmo, e agora, o que vês? Um relógio! Letras que dançam! Cores que riem! Conta, que mais vês? O que sentes? Frio, calor, medo, alegria? O quê então? Diz-me!
Pára!!! Abre os olhos. Lembras-te do que viste? E o que sentiste? Para além do medo, da calma e de uma grande confusão, sabes o que viste? Então presta atenção, porque eu vou-te contar um segredo...
Quando eu era pequena, antes de tudo e de todos, houve um velho mago, um eremita, que me olhou, achou-me triste, e para mim cantou, cantou uma melodia chamada vento, com um grande pincel de vida, e um grande mar de palavras ele começou a longa jornada de me ensinar.
Com o seu pincel de vida fez surgir em mim algo de novo, de belo e alegre; com o seu mar de palavras alimentou-me a alma, faminta de compreensão e companhia; e com a canção do vento tornou-me imortal.
Depois, olhou-me e prometeu-me que nunca mais seria a mesma, a cada momento algo de novo iria surgir. E mais ainda, não estaria só, algo mais ia aparecer, e só de mim dependia a hora do seu regresso.
Assim que ele partiu algo aconteceu, o mar revoltou-se e dançou com o vento a valsa da vida. Surgiu um ser, e depois outro, e outro, e outro, e foram surgindo mais e mais, até que eram tantos que se espalharam e me dominaram por completo.
Foram aparecendo mais. Aqui e ali abriram-me buracos, sugaram-me a alma e abafaram a eterna melodia do vento.
Roubaram-me as palavras, e usaram-nas onde e como não deviam.
Nem o pincel da vida conseguia colorir o cinzento que eles me impunham.
Mas finalmente, muitos momentos depois, apareceu o tempo, e com ele os relógios. E um dia, um relógio deu a 13ª badalada, e o eremita regressou. Devolveu-me a escuridão, o silêncio e a solidão.
E agora? Agora tenho-te a ti, para te ensinar que há algo para além daquilo que se vê. Há sempre uma areia branca para se pisar, uma bússola que nos guia, e as palavras... que não nos deixam esquecer a vida.
(25-09-1999)

PS - Já que comecei pelo início, esta pérola da minha adolescência não podia ficar de fora... sejam meiguinhos, que na altura era dos meu favoritos :unsure:
"I'm not crazy I'm just a little unwell..."

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