Vera no Cimo das Escadas

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Aignes
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Re: Vera no Cimo das Escadas

Postby Aignes » 20 Oct 2006 16:51

Samwise wrote:Estou a gostar, embora os motivos pelo meu gosto tenham mudado entretanto, desde o primeiro post. A história é a mesma mas o tom é outro.

Sam


Nem mais...
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»

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Samwise
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Re: Vera no Cimo das Escadas

Postby Samwise » 20 Oct 2006 18:11

Dark Angel wrote:A descrição era demasiado real para lhe achar piada.


Às vezes, é assim que tem mais piada.

No caso concreto, no entanto, não é dessa "realidade" que advém o humor, a meu ver; será antes da personalidade irrequieta, irredutível e incorfomada de Américo, que, nos seus comentários, parece gracejar acerca sua triste situação.

Sam
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Thanatos
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Re: Vera no Cimo das Escadas

Postby Thanatos » 24 Oct 2006 20:58

(continuação)

Uma coisa tinha que admitir. A Vera sabia contar uma história. Claro que nada do que me contara era a mínima das verdades. Disso tenho eu a certeza absoluta. A rapariguinha deve ser uma daquelas góticas que mama todas as histórias de fantasmas e vampiros e coisas dessas e lembrou-se de gozar aqui com o velhadas. Pois bem que goze. Hoje à noite vou tirar a limpo como raios ela soube do meu nome se bem que eu próprio já tenha congeminado meia dúzia de teorias. Uma miúda como ela não ia ter grandes dificuldades em saber um nome. Basta-lhe entrar na secretaria e vasculhar nos arquivos ou até ouvir a enfermeira Assunção a dizê-lo. Ou... ou uma outra merda qualquer! O certo é que ando com isto tudo às voltas na cabeça e pelo menos isso tem o condão de fazer o dia merdoso passar num instante. Hoje até comi a sopa com que nos vão por cá envenenando com mais gosto e consegui sorrir umas cinco vezes ao meu filhinho querido e mais a nora adorável que vierem picar o ponto trazendo-me umas revistas que ainda assino vá-se lá saber porque carga de água, já que não tenho a menor pachorra para as ler. Estas visitas são uma chatice das antigas mas que fazer. O cabrão do rapaz insiste em vir ver se ainda me vou aguentando. Deve ser tipo uma prospecção de mercado a ver se ainda falta muito para poder começar a estourar o meu pilim.

Decido fumar o cigarrinho nos corredores e que se lixe o vigilante. Da maneiro como ando se o gajo me vier moer a moleirinha leva é com um extintor nos cornos. Parece que estou intoxicado com açúcar ou que raios é. Quando era puto fumei umas ganzas mas nunca me senti eufórico assim desta maneira. A bem dizer não senti foi nada a não ser pena por ter dado tanta cheta pelo raio da erva. Esta Vera começa a ter contornos de droga alucinogénica. Não sei é se isso é bom ou mau. Veremos.

Subo até ao sótão. Combinamos ontem antes de nos despedirmos que seria aqui o encontro desta noite e de facto faz mais sentido. Mesmo com a artrite a dar-me cabo dos joelhos faço tempo recorde a subir as escadarias todas até lá acima. Chiça que os gajos dantes faziam estas coisas altas.

Como da outra vez já está à minha espera

Ou talvez nunca tenha ido a lado algum. Não é isso que os fantasmas fazem? Assombram...

sentada num canto recolhido com apenas uma lança de luar a iluminá-la. O toque argênteo da luz na pele dela dá-lhe um aspecto marmóreo

Fantasmal...

quase irreal. Sinto que estou a vê-la com novos olhos. É uma sensação estranha já que sempre me considerei racional e lógico. Mas que raios! Balbucio: "Boa noite Vera. Como estás?" – e até aos meus ouvidos isto soou trémulo. “Estou bem. Tu é que pareces estar com medo” – responde ela com aquele olhar matreiro dela enquanto um esboço de sorriso lhe aflora aos lábios. “Anda. Senta-te. Temos coisas para falar e o tempo passa a correr.”

(continua)
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!


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