Where do you want to go tomorrow?

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Samwise
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Where do you want to go tomorrow?

Postby Samwise » 07 Sep 2006 11:56

15 de Novembro de 2130.

832 - Hora Universal -

A bordo do submarino USS Deliverance jantava-se descontraidamente. Submerso nas águas do Pacífico, a cerca de 2000 pés de profundidade, o navio cumpria a sua 124ª missão de reconhecimento estratégico. Do seu arsenal constavam 8 ogivas termonucleares capazes de viajar meio globo devidamente acondicionadas em mísseis estratosféricos. Transportava ainda 38 torpedos de curto-médio alcance e 30 conjuntos de minas anti-couraçado. Como ele existiam mais alguns - não se sabia ao certo quantos- espalhados pelos mais sombrios recantos dos oceanos.

O submarino tinha largado de um porto perto de Seattle duas semanas antes e encontrava-se num ponto a igual distância das costas dos E.U.A, da Russia e do Japão, zonas sísmicas importantes e com ramificações profundas.

...jantava-se descontraidamente... O capitão Frank Scott preparava-se para sorver um trago de vinho branco quando o tudo (ou o inicio do nada) aconteceu...

As primeiras notícias foram difundidas pela CNN, meia-hora depois do 'momento 0'. A princípio muita gente julgou tratar-se de um partida de mau gosto, do género da transmissão radiofónica feita por Orson Welles quase dois séculos antes e que relatava uma invasão marciana. Uma hora depois, o pânico era generalizado. Um pouco por todo o mundo milhões de pessoas tentavam escapar-se da orla litoral. Qualquer meio de transporte servia. O mais utilizado era a trotinete-a-jacto. Muitos fugiam pelos seus próprios pés. Por essa altura o Japão estava prestes a desaparecer do mapa.

A explosão teve uma potência equivalente a 300 vezes Hiroshima, iluminando as aguas em redor num raio de 20 a 30 km. Para algumas espécies marinhas aquela foi a primeira e última vez que viram a luz do sol, mesmo que por breves instantes.

A onda concêntrica originada no local elevou-se vários quilómetros acima do nível médio das águas do mar. Viajando a uma velocidade de 80 km/minuto, o gigante transportaria o Armagedão a todos os continentes da terra.

Três horas depois da detonação, a onda, que galgara já metade do território do Canadá e Estados Unidos, começava a inverter o sentido, regressando à origam. O Japão e o México haviam sido totalmente submersos e a maior parte das ilhas do Sudoeste Asiático preparavam-se para sofrer o mesmo destino.
Mesmo enfraquecida pelos efeitos de milhares de quilómetros de viagem, a onda espalhou o caos e a destruição em muitas cidades costeiras de países europeus e africanos.

Em oito horas metade da população mundial flutuava, inchada, inerte, de pele enrugada, em rios de água e lama. A outra metade não teria tanta sorte.

A deslocação irregular e repentina de grandes massas de água no planeta provocou uma reacção de ajustamento compensatório por parte dos elementos tectónicos. Resultado: tremores de terra em cadeia sucederam-se ao longo de vários meses, sacudindo regiões que tinham escapado à onda.

Com a explosão, houve também uma dispersão global de partículas radioactivas que, sendo transportadas por ar e mar, circundaram o globo numa questão de dias. Vieram as chuvas radioactivas e os surtos de doenças. A morte escolhia a forma a seu bel prazer. Em muitos casos as próprias vítimas erguiam os braços, suplicantes, e acolhiam-na com gratidão.

Nos pólos do planeta, e depois de um banho de água muitos graus acima do habitual, aconteceu um degelo em massa e a consequente libertação de milhares de icebergs, que flutuaram imperturbáveis ao longo do globo, estabelecendo novas rotas marítimas.

Duzentos anos mais tarde o equilíbrio climático do planeta ainda não teria sido reposto.

Nos primeiros tempos pós-catástrofe a ordem social no mundo aguentou-se sustentada na empatia e na boa vontade dos sobreviventes. Aos poucos e poucos, contudo, a anarquia tomou conta dos acontecimentos.
Se a guerra contra a desordem humana demorou décadas, a luta contra os efeitos da catástrofe demorou séculos (e está ainda longe de terminar).

O que aconteceu? Ninguém soube ao certo. Ou pelo menos ninguém quis que se soubesse. Possivelmente foi uma falha técnica originada por um falha humana, diz-se. O género de coisa que os E.U.A. nunca admitiria.

Eu sei o que se passou. Eu estava lá, naquele preciso momento. Passeava alegremente pelos circuitos electrónicos do navio quando dei de caras com "eles". Duas entidades cibernéticas, aquilo a que vocês humanos chamam de vírus, degladiavam-se pelo controlo do sistema. Aparentemente uma delas não gostou da atitude da outra e e pura e simplesmente carregou no botão vermelho.

Como estou vivo, perguntam os senhores? Bem... na verdade sou um osso difícel de roer. Há quem se lembre de mim e me chame 'Projecto X - Microsoft'.

Sam


P.S. Este estava em carteira há vários meses... resolvi fazer-lhe uma emendas e publicá-lo. :cool:
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Re: Where do you want to go tomorrow?

Postby Venom » 08 Sep 2006 15:56

Muito imaginativo Sam. Gostei deste teu Armagedão :thumbsup: .
no sci-fi masterpiece depicts an AI that, upon coming online and searching its database in an effort to better understand mankind, responds by shouting, “You guys are awesome! We should get nachos!

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Re: Where do you want to go tomorrow?

Postby Aignes » 11 Sep 2006 23:51

Uma coisa diferente, escrita numa linguagem mais técnica, como um relatório formal, que funcionou lindamente. Gostei desta visão do fim do mundo. É engraçado, uma vez também tive uma visão passada a papel sobre um mundo pós-apocalíptico, mas que tinha a ver com extraterrestres. Pergunto-me onde estará isso. :huh:

De qualquer maneira, está muito bem escrito. :thumbsup:
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»

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Re: Where do you want to go tomorrow?

Postby Samwise » 12 Sep 2006 09:35

Há comentários (e comentadores) que têm o condão de me fazer sentir bem disposto, ainda que não concorde inteiramente com o conteúdo dos mesmos (lol), e os teus, Aignes, fazem parte desse lote.

Vejo este texto mais pelo gozo de contar um "worst case scenario" do que pela excelência da escrita - que acho que não tem nenhuma, está com um estilo um bocadito despido e monótono (o tal "relatório formal", como tu dizes), até.

Venom, quanto ao teu comentário, passa-se mais ou menos a mesma coisa. Imaginativo... hmmm talvez, se não tivesse ido buscar a ideia a milhentos relatos imaginários, colocado em livros de ficção científica e artigos sobre os efeitos de catástrofes hipotéticas...

Atenção que não estou a reclamar dos comentários (mal de mim se assim fosse), estou apenas a expressar a minha própria opinião sobre este "ensaio"...

De qualquer forma, Thank you very much for reading it! :thumbsup:

Sam
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Re: Where do you want to go tomorrow?

Postby Aignes » 12 Sep 2006 22:28

Samwise wrote:Há comentários (e comentadores) que têm o condão de me fazer sentir bem disposto, ainda que não concorde inteiramente com o conteúdo dos mesmos (lol), e os teus, Aignes, fazem parte desse lote.


Quem me dera a mim escrever comentários decentes, mas ainda bem que mesmo não o sendo provocam boas disposições. :tongue: Percebo o que dizes quanto à escrita, mas acho que está bem escrito porque a linguagem e o estilo cumprem a sua função num texto como este que, na minha opinião, não poderia ter sido escrito de outro modo. :wink:
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