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Re: José Luís Peixoto

Posted: 09 Jun 2015 13:57
by Bugman
Isto anda mortiço por estas bandas (só estas?!) pelo que decidi ir ali à estante sacar o Livro. Com quase um quinto do livro lido, o que não quer dizer que seja muito, está a ser aquilo a que se pode chamar de uma leitura estranha.

Já li muito chouriço, mas há momentos na escrita de JLP que fazem com que todo o chouriço da Roda do Tempo pareça bem empregue. Tendo uma visão muito utilitária da literatura, há passagens sem qualquer função no texto. Não contribuem para fazer evoluir a narrativa, não ajudam a caracterizar nenhuma personagem, nem ajudam a ambientar o leitor. Simplesmente estão lá. Isto tem sido evidente neste primeiro quinto, tanto que a leitura do primeiro «ano» dá a sensação de estarmos perante um autor de aforismas para partilhar no facebook e não a sensação de estarmos perante um artista da palavra.

Com as comparações que têm sido feitas, colocando JLP algures entre Saramago e ALA, acho que, por este quinto de Livro, lhe falta muito para estar ao nível das comparações. A ver se o futuro da obra me faz mudar de opinião.

Re: José Luís Peixoto

Posted: 22 Jun 2015 12:38
by Bugman
Entretanto devido a uma viagem de trabalho (viva os comboios de alta velocidade, é o que tenho a dizer) acabei o Livro.

Depois do meu comentário anterior houve duas mudanças de opinião. Em termos narrativos JLP tem de facto um toque muito entre os dois autores com que a propaganda o compara. Ao contrário do que a mesma propaganda diz, não é ainda aqui que se cimenta essa posição. Após essa fase do chouriço inicial entrámos na narrativa propriamente dita e aí foi sublime na escrita, mas algo desorientado na estrutura. Em termos de execução ficou tudo muito bonito, mas não consegue esconder uma certa saturação de detalhes na construção das personagens que depois sacrifica na acção propriamente dita, que parece narrada à pressa. Já toda a segunda parte da obra me pareceu um exercício interessante mas falhado. Poderia até ter algum interesse, mas voltou a deixar-se contaminar pela palavra sem função, a vontade de falar por falar. Acho que falha enquanto a «narrativa da emigração» que o fazem tentar passar. É uma história interessante, mas parece-me algo mal contada.