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Requiem

Posted: 28 May 2005 08:39
by anavicenteferreira
Hoje, há uma certa tristeza no ar
O céu encheu-se de nuvens caladas.
Gente amontoa-se pelas estradas,
Fugindo da desgraça por chegar.

Hoje, há um vento gelado, soprando
Aziago por estas casas vazias.
Na calma, soam estranhas melodias:
Lenta,a multidão avança, cantando.

É o fim da tarde, a hora das aves
Que recolhem lestas ao seu abrigo.
Mas já não há aves no céu, só naves.

É o fim da tarde, de um tempo antigo.
À hora marcada, partem as naves,
Restos de um mundo levando consigo

Re: Requiem

Posted: 28 May 2005 10:15
by Thanatos
Este conhecia do teu blogue e é simplesmente fascinante.

Este terceto é-me especialmente querido:

"É o fim da tarde, de um tempo antigo.
À hora marcada, partem as naves,
Restos de um mundo levando consigo"

Vêem-me à memória ilustrações de John Schoenherr de cada vez que leio este poema. Isso à mistura com o Requiem do Mozart.

Re: Requiem

Posted: 01 Jun 2005 09:29
by blueiela
Têm magia estes teus versos ! :P

Um cenário surreal que consegues criar com a simplicidade das palavras.

Um poema com uma sonoridade notável, que faz com que os versos deslizem no olhar bem ritmados.


Adorei!parabéns! :bye:


beijos

blue

Re: Requiem

Posted: 02 Jun 2006 21:41
by pure_hate
fazem-me confusão os exercicios de estilo, não que não tenha escrito já sonetos... mas haja paciencia para o fazer :bow:

mais ou menos perfeitos os sonetos estão na linguagem poetica universal e merecem respeito per si

quanto ao tema, li 2 poemas teus e num vi o nascer do dia... e noutro o fim da tarde...
gostei de ambos