Page 1 of 1

Divagar não se vai longe.

Posted: 24 Nov 2010 01:09
by Pedro Farinha
Mundos paralelos.

Há na vida de cada um três mundos distintos. Aquele em que se age, o onde se pensa e o em que se sonha. Felizes os que pensam e agem em conformidade. Ou felizes os que agem e nunca chegam a pensar e que mesmo quando a vida lhes devolve o fruto da sua acção impensada culpam as divindades, o destino ou o sistema.

E quantas vezes os mundos se chocam? Pensamos de determinada maneira e agimos de outra. Principalmente quando pensamos com as entranhas. Por vezes as nossas entranhas pensam melhor do que nós, porque têm em atenção as necessidades do corpo, desvalorizam a moral vigente e o politicamente correcto. Como nos sonhos. Os sonhos são as nossas entranhas a pensar em roda livre.

Um louco é um homem que sonha em permanência. Talvez os loucos quando dormem tenham sonhos racionais.

Pode-se viver no mundo dos pensamentos, mas para se sobreviver é preciso viver também no mundo das acções. Pensamentos profundos, sem acção, não alimentam ninguém. Mas mesmo quem consegue conciliar o mundo das acções e dos pensamentos continua a sonhar todas as noites. O que só demonstra como o mundo dos sonhos é necessário mesmo para quem julga que é completo nos outros dois.

Para mim, que penso muito com as entranhas e lhes permito, não raras vezes, que comandem as minhas acções, o mundo dos sonhos é, por vezes, o mais verdadeiro dos mundos. Ou assim o julgo porque raramente me lembro do que sonhei. Apenas as minhas entranhas acordam felizes.

Re: Divagar não se vai longe.

Posted: 24 Nov 2010 12:38
by Ripley
Gostei desta tua divagação multiversal, Pedro.

Custa quando esses universos chocam. Há perda de perspectiva e pode faltar o sentido de orientação ao passar de um para outro. Mas é excepcional quando, por uma breve janela temporal, se sobrepõem parcialmente.
Sabemos que nunca os seus limites coincidirão na totalidade. Mas felizes os que criam wormholes, pontes, passagens de um universo para outro que lhes permite cruzar as fronteiras à vontade sem que isso lhes custe.

Às vezes são essas passagens que nos mantêm sãos. E/ou que nos permitem escrever o sonho caso não possamos vivê-lo na totalidade.