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A cidade vazia

Posted: 12 Jul 2011 00:59
by Pedro Farinha
As ruas tão sós. O eco dos meus passos por única companhia. Das janelas das casas não espreitam rostos e antes de virar cada esquina sei exatamente o que me espera. Uma nova rua tão igual a esta que, não fora as pegadas de poeira com que polvilho esta cidade e que o vento paralisado não apaga, julgaria que ando em círculos.
Um passageiro sem vento não voa. Não adianta abrir os braços pois neles não nascerão asas nem te virás aninhar neles.
Caminho. Sem caminho.

Re: A cidade vazia

Posted: 30 Oct 2011 03:46
by Ripley
Do alto da escarpa contemplo a cidade e o seu único habitante.
Há muito que não desço mas conheço aqueles passos incessantes, o caminhar de alguém que um dia voou.
Ver-me-ias se olhasses para o alto? Duvido, estou longe, longe demais. De nada serviria acenar-te. Sem vento tu não podes subir; sem asas eu não posso descer. Não há meios caminhos na escarpa, só pedras afiadas - e dor.
Sei que se gritasse me ouvirias. Mas há muito que as cordas se esgaçaram e de silêncio se encheu a minha boca.
E é em silêncio que retorno ao ninho vazio onde me deito sobre as asas doridas e marcadas de cicatrizes. Antes de me render ao sono, repito a frase que se tornou mantra de esperança: "Talvez amanhã."

Re: A cidade vazia

Posted: 31 Oct 2011 10:43
by croquete
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