Violação

Pedro Farinha
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Violação

Postby Pedro Farinha » 13 Aug 2006 12:12

Olhe bem para mim. A maior parte das pessoas vê estas marcas na minha cara e desvia o olhar com repugnância, mas ela não. Ela era diferente. Ela ouvia-me com atenção e servia-me sempre com um sorriso nos lábios, como se eu fosse um cliente qualquer. Não. Como se eu fosse um cliente especial.

Não me lembro da primeira vez que fui àquele café, até porque fica meio desviado do meu caminho. Mas rapidamente passei a ir lá todos os dias tomar o pequeno-almoço antes de ir para o trabalho.

Sentava-me à mesa e ela olhava directamente para mim, sem desviar os olhos, e perguntava-me o que eu queria, ao que invariavelmente lhe respondia – um galão e meia torrada.

Depois ficava parado a olhar para ela a movimentar-se graciosamente por entre as mesas até o meu pedido estar pronto no balcão. Dirigia-se com o tabuleiro na mão e inclinada sobre a mesa, de forma a que eu pudesse ver o início do seu peito, pousava o galão a a torrada sobre a mesa. E então o galão tinha o calor do seu peito e a manteiga derretida, na torrada, a suavidade da sua pele.

E foi assim durante muitas semanas. Eu a olhar para ela e ela a sorrir para mim. Claro que também sorria para os outros clientes, mas eu gostava dela. Ela não desviava os olhos das minhas cicatrizes. Como a minha mãe. A minha mãe também olhava o meu rosto como se ele não tivesse ficado com marcas, e como se não tivesse sido ela a causadora das marcas. Mas a minha mãe está internada, sabe... e então, eu ia todos os dias espreitar-lhe o peito enquanto bebia devagarinho o galão espumoso que serviam naquele café. Sempre à espera de um sinal dela. Eu sei que as mulheres fazem sinais aos homens quando querem estar como eles. Eu nunca tive uma namorada mas sei que é assim.

E naquele dia de calor ela fez-me um sinal. No momento em que eu entrei no café, e ainda antes de me sentar à mesa do costume, ela desapertou mais um botão da camisa. Até parecia que as mamas queriam saltar para fora. Para a minha boca. Mas eu fingi que não tinha percebido nada, eu tenho estas marcas na cara e chamam-me atrasado porque desde que tive aquele acidente não sou muito rápido a pensar nas coisas, mas eu sei que devia disfarçar, até porque o café estava cheio de clientes. Então sorri para ela e olhei-lhe directamente para o peito, dava para ver o soutien que era muito branco. Ela pôs a mão à frente e apertou rapidamente o botão, ela percebeu que eu já tinha visto o sinal e não queria que mais ninguém lhe visse o peito. Ela queria ser minha, só minha. Porque ela não é nenhuma puta.

Uma vez fui ter com uma puta, mas ela riu-se de mim e disse que com uma cara desfeita como a minha tinha-lhe de lhe pagar muito mais. Eu chamei-lhe puta, cabra de merda e não sei mais o quê, mas ela não era assim. Ela queria ser minha e tinha feito aquele sinal de desapertar o botão. Um sinal subtil como as mulheres fazem.

Então, depois de sair do estaleiro, eu fui esperar por ela à esquina da rua. Esperei para aí uma meia hora, até que a vi sair já sem a farda do café. Ela estava muito bonita com as calças de ganga justas e o umbigo de fora. Ela tinha-se arranjado para mim e vinha contente porque vinha a cantarolar qualquer coisa. Então quando me viu, voltou a sorrir para mim e cumprimentou-me com um “até amanhã”, mas ela tinha-me feito sinal e eu já estava à espera à meia hora e eu gostava muito dela e só pensava em poder tocar naquela pele e tirar-lhe o soutien muito branco que eu vira, não podia esperar por amanhã. Então agarrei-lhe num braço e puxei-a para mim. Mas ela gritou comigo e eu não suporto que gritem comigo, então puxei-lhe o cabelo com força para trás e pus-lhe a mão nas mamas e no corpo todo. Mas ela não parava de gritar e podia passar alguém na rua apesar daquilo ali ser um bocado descampado. Então dei-lhe um estalo na cara, mas não com muita força, porque ela tem uma cara bonita e eu não lhe queria fazer o mesmo que a minha mãe fez a mim. Ela cada vez gritava mais, mas o peito dela subia e descia muito depressa e percebi que só podia era estar excitada. Então rasguei-lhe o top, atirei-a ao chão e comecei a tentar tirar as calças. Só que as calças eram muito justas e ela não parava de espernear e só por isso, Sr. Inspector, eu que eu lhe dei aqueles murros todos, foi só para ela ficar quieta e eu conseguir tirar-lhe as calças.

Percebe ?

Eu nunca tinha tido uma namorada e ela tinha uma pele muito suave e mesmo naquela altura, apesar de estar a sangrar do nariz, eu ainda queria muito namorar com ela como uma vez a minha mãe namorou comigo quando eu ainda era menino.

Sr. Inspector eu não fiz nada de mal, a culpa foi dela que começou a gritar, percebe ?, ela também queria namorar comigo por isso é que me fez aquele sinal de desapertar o botão e agora se calhar ficou zangada comigo e nunca mais vai sorrir para mim quando eu for lá tomar o pequeno-almoço antes de ir para a obra.

Sr. Inspector acha que amanhã de manhã me deixam sair daqui da esquadra para eu poder ir lá beber o galão ? É que eu gostava de voltar a olhar para ela a bailar por entre as mesas enquanto saboreio a minha torrada molhando-a devagarinho no leite com café.

Pedro Farinha
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Re: Violação

Postby Pedro Farinha » 15 Aug 2006 14:08

Dark Angel wrote:Ao ler este texto o pensamento que me veio à cabeça foi que é um perigo ser-se simpática até para os pobres coitados que não parecem ser capaz de fazer mal a uma mosca.



Ups... não era essa a mensagem que eu queria transmitir, eu defendo que devemos ser simpáticos com todos, especialmente com os menos afotunados :huh:

Este exercicío de escrita foi mais tentar colocar-me no interior de uma personagem muito diferente de mim e imaginar a forma como ela (personagem) interpretaria os factos.

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Re: Violação

Postby Samwise » 22 Aug 2006 15:35

Este é dos teus textos menos conseguidos, na minha opinião.

Não é que seja um mau texto... até apanha bem o "processo de pensamento" daquela criatura, naquele discurso doentio e pateta. Mas não tem nada que o torne asiim... num objecto de adoração (lol).

O tema... o tema... quando li o título fiquei com curiosidade em ver o que tinhas escrito. Parece-me que te faltou alguma coragem para ir mais longe, parece-me que te escudaste atrás do personagem - que o facto de ele ser meio lerdo de raciocínio te permitiu não ires demasiado longe.

Eu sei que a mim já me faltou coragem para escrever sobre o assunto... mas também o que tinha em mente era bastante mais repugnante.

Sam
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Re: Violação

Postby Maloveci » 05 Oct 2006 19:16

Só que as calças eram muito justas e ela não parava de espernear e só por isso, Sr. Inspector, eu que eu lhe dei aqueles murros todos, foi só para ela ficar quieta e eu conseguir tirar-lhe as calças.



Estava a "sorver" por completo a tua história e aqui deu-me um "clic" como o de voltar à realidade ih ih ih gostei Pedro :thumbsup: :thumbsup:
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Re: Violação

Postby Annabel_Lee » 28 Mar 2008 01:06

Bem, é uma opinião já com muito atraso mas discordo profundamente do Samwise e adorei ler este texto.
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