Adeus

Pedro Farinha
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Adeus

Postby Pedro Farinha » 01 Aug 2009 11:12

Adeus
sem quase te ter dito "Olá"




Porquê?

Para quê?

Com que intuito me arrancaste brutalmente à modorra apática do meu dia-a-dia. Eu era feliz, sabes? Estilhaçaste os meus alicerces e eu, como louco, senti-me feliz. Imensamente feliz.

Reacendeste chamas há muito extintas e inundaste-me o corpo de estranhas sensações. E de entre o caos que eu sentia crescer à minha volta fui eu que eliminei os obstáculos. Com cuidado mas com pressa. Nesta ânsia desenfreada de te ter só para mim.

Não quis ver no teu sorriso sábio e no ar desprendido mais que uma parte de ti. Ignorei alertas e avisos à navegação e fiz-me ao mar com as velas orgulhosamente desfraldadas pronto a sentir o forte embate do vento.

Mas não. A terra não tremeu e da enorme vaga que eu esperava mais não veio que uma mísera onda a morrer na praia. Porquê?

Foi a minha carapaça de guerreiro que te fez pensar que eu não era frágil como os demais. Que me podias tratar assim, que não tinha importância? Assustei-te com o ímpeto da minha entrega? Não interessa. Já nada interessa.

Mas sabes... roubaste-me a doce ilusão de dias intensos, fizeste-me deitar fora a minha vida de sempre e no final deste a estocada mortífera com um sorriso ao canto da boca, como se não fosse nada. Como se não tivesse importância.

Mas ouve.

Escuta.

Tudo pode ter acabado ainda antes de começar mas nem tu, nem ninguém, me pode roubar ter-me sentido homem outra vez. E é por isso, é só por isso que não me arrependo de nada e que voltaria a fazer tudo outra vez e que saio à rua de cabeça erguida e peito ao vento.

Adeus.

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Ripley
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Re: Adeus

Postby Ripley » 01 Aug 2009 19:11

Arrepender-se ... só daquilo que não se tentou.
Sabia que a glosa faria jus ao mote, sabia que o ultrapassaria, sabia que escreverias como (quase) sempre fazes, palavras transbordando uma etérea leveza própria de um passageiro do vento cuja alma flutua acima dos nimbos - ao sol e de velas orgulhosamente desfraldadas :wink:
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

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Re: Adeus

Postby Pedro Farinha » 01 Aug 2009 23:08

Ripley wrote:Arrepender-se ... só daquilo que não se tentou.
Sabia que a glosa faria jus ao mote, sabia que o ultrapassaria, sabia que escreverias como (quase) sempre fazes, palavras transbordando uma etérea leveza própria de um passageiro do vento cuja alma flutua acima dos nimbos - ao sol e de velas orgulhosamente desfraldadas :wink:


Obrigado Ripley, mas não acho que tenha ficado melhor. Ficou basicamente diferente porque o nosso estilo de escrita e, quiça, sensibilidade, são diferentes. Além de que o mote: quando acaba ainda mal tinha começado, permite inúmeras interpretações.


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