Multiculturalismo, London Riots e o Futuro
decidi abrir esta thread mais como desabafo do que outra coisa qualquer. Isto porque estou preocupado. Os motins de Londres têm naturalmente uma causa subjacente e não será certamente a morte de um gangster que trocou tiros com a polícia.
Os motins de Londres (que entretanto já se espalharam para outras cidades e, prevejo eu, se espalharão por toda a Europa) devem-se essencialmente ao falhanço do multiculturalismo e à incapacidade do mundo ocidental (Europa) de atingir uma sociedade equilibrada, justa e equitativa para todos os cidadãos que para ela trabalham ou dela usufruem.
Condeno veemente a violência, a pilhagem, as agressões, os incêncios, as mortes mas também consigo ser racional o suficiente para reconhecer que é fácil as coisas descambarem num cenário destes. Aliás, se num exercício de escrita criativa me pedissem para escrever um conto sobre a génese de um motim provavelmente escolheria um aglomerado populacional suburbano, com elevados níveis de iliteracia e reduzidos níveis de oportunidade. Sem dúvida que colocaria alguns catalizadores (que incitam gratuitamente a revolta) mas no essencial descreveria o que se passou no ground zero destes motins, em Tottenham há três noites. Jovens desocupados, sem emprego e sem perspectivas de vida. Vindos de outros países, deslocados, sem ideais ou qualidades incutidas por uma parentalidade que mtas vezes está ausente ou indiferente. Jovens que numa noite se sentem deuses na terra e marcam a sua posição com agressividade e violência.
Aponto por isso o dedo ao multiculturalismo, não porque esteja ideologicamente errado, mas porque é praticamente impossível. Não podemos esperar que uma sociedade organizada e hierarquizada aceite um fluxo migratório que entre imediatamente para o topo da cadeia. Essas pessoas serão inevitavelmete empurradas para a base onde serão exploradas e coagidas a seguir o que já estava instituído. Tal como também não podemos exigir que quem chega a uma sociedade que não é a sua se submeta a um contínuo desiquilibrio social em seu desfavor. Haverá uma mancha cinzenta que se forma, ali no meio e que parece ser um bom augurio, mas se olharmos de longe vemos o branco e o preto (no pun intended) bem afastados um do outro.
A minha preocupação prende-se com o não conseguir destrinçar solução para isto quer no médio ou longo prazo.
A repressão policial é a minha resposta para o imediato. Governasse eu em Londres e ao terceiro dia impunha a Lei Marcial com recolher obrigatório mas isso levava-nos para necessidade urgentes das soluções seguintes. E no futuro é que está o problema.
Será que as políticas de imigração deveriam ser mais rígidas? Sim, sem dúvida mas estaríamos a criar barris de pólvora extra-europeus que mais tarde nos explodirão nas mãos, quem sabe numa III grande guerra. Para além disso estamos a falar de segundas e terceiras gerações (quiçá gerações tão antigas quanto as da nobreza) que têm todo o direito à terra como os filhos dos primeiros colonos.
Deveríamos apostar ainda mais nas políticas sociais? É uma hipótese mas os Estados não têm mais por onde ir buscar dívida soberana de forma a equilibrar populações tendencialmente desiquilibradas. Será também justo para quem trabalhou uma vida ver os seus impostos desbaratados em alguns (felizmente poucos) que nunca trabalharam nem têm intenções disso?
Não vejo por isso solução e isso preocupa-me. Preocupa-me a indefinição dos tempos agora que nos aproximamos de um encruzilhada da qual nem sequer sabemos onde vai dar cada um dos caminhos.




